“PER CRUCEM AD LUCEM”

Quem de nós não gostaria de possuir a realeza? O governo de um reinado? Certamente as regalias da vida real nos atrairiam de modo veemente. Todavia, será mesmo que a realeza constitui um mero usufruto de serviços por parte de vassalos, a recepção de glórias e honrarias? Por certo, não…

Como base para este pensamento pensemos no arquétipo de todos os reis, o Rei dos reis, Nosso Senhor Jesus Cristo! Quem mais digno de realeza do que o Senhor dos Céus e da Terra? Quem mais digno de honras e glórias do que o próprio Deus? Entretanto, quem mais atormentado, chagado, ultrajado, caluniado, despojado, do que Cristo? Nosso Deus, que se dignou ser coroado de espinhos, não nos mostra que a realeza d’Ele é a realeza da dor?

Nós, em verdade, somos convocados por Ele a aceitar o sofrimento; sofrimento pelas humilhações, sofrimento pelas vantagens deixadas, sofrimento pelo esforço na prática do bem, sofrimento pela abnegação sem limites! Que frase teria usado o Salvador para recrutar um exército assim? “Se alguém quiser seguir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16, 24)

Se isto é assim, privar-nos, a nós católicos, do sofrimento é injuriar a Cristo! O qual quis ser coroado não com pedras preciosas e brilhantes, mas com espinhos…

Sermos católicos e temer o sofrimento enviado amorosamente por Deus, o qual não o negou nem ao próprio Filho, não seria fazer d’Ele um mero remunerador, a fornecer alegrias em troca de caprichos? Poderíamos ir mais adiante: ter medo de sofrer por um amigo é ter autêntica amizade? Não, certamente. É o que ensina a Santa Igreja nesta quaresma. E se não há maior amor do que dar a vida pelo irmão, quanto mais a Deus, Nosso Senhor!

Castelos paradisíacos que deixam transparecer por entre leves nevoeiros o coruscar de suas abóbadas douradas, indumentárias revestidas de pedras preciosas e de finas sedas, sociedade norteada por costumes refinados, todas essas grandezas não seriam grandezas se não fossem marcadas pelo pendão da Cruz.

Portanto, poderíamos dizer que o católico, ao considerar a majestade, é aquele que, mesmo tendo dignidade para portar na fronte uma coroa repleta de pedras preciosas, sabe que acima dessa coroa fulgura, ainda que também feita por brilhantes, uma cruz simbolizando a égide da dor e igualmente a égide glória, segundo o que se pode aplicar das palavras de Nosso Senhor: Per crucem ad lucem!

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Considerando esta atmosfera de gravidade e virtuosa penitência que inspira a Quaresma, convidamos a todos os que possam a participar das celebrações litúrgicas e orações nos próximos dias no Centro Juvenil dos Arautos do Evangelho, conforme as informações abaixo:

 

 

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