A arte da espera

O Centro Juvenil dos Arautos do Evangelho oferece a cada semana aos participantes do Projeto Futuro & Vida reuniões de formação, as quais abrangem uma gama de assuntos bem variados, entre os quais figura o tema seguinte…

Diversas vezes, em nosso cotidiano, somos convidados a observar alguma arte. Pode ser uma obra de arte plástica; ou ainda, uma bela representação em de artes cênicas; ou também, ouvir uma orquestra filarmónica a executar uma bela melodia, uma arte musical. Quiçá também nos falem sobre a arte da conversa, pouco lembrada nos dias de hoje. Entretanto, há uma arte que a humanidade está a deixar de lado, devido a excessiva velocidade que possui: a arte da espera.

Espera esta que não é somente uma arte, mas também uma virtude. Virtude que recebe o nome o nome de Paciência, que poderíamos definir como a espera animada e resignada dos sofrimentos sentidos no presente e os previstos para o futuro.

A paciência foi muito bem definida por Santo Agostinho como a virtude pela qual toleramos, com ânimo tranqüilo, os males que sofremos, ou seja, sem tristeza ou perturbação, não abandonando por impaciência os bens que nos levam a bens ainda maiores.[1]

Entrementes, uma pergunta se impõe: como usar da paciência nos dias atuais? Muito simples, caro leitor. Devemos nos armar com esta virtude desde a hora em que despertamos, até o momento em que nos recolhemos para o descanso noturno. Isto porque a paciência também nos ajuda a suportar as contendas que teremos no dia, os desentendimentos, as discussões, de modo que não percamos a calma e a tranquilidade, em suma, a paz, que tantos almejam em nossa época.

Porém, outra questão se levanta. Quais são os frutos desta paciência? O homem paciente sabe agir com responsabilidade, não é inseguro, não julga seus colegas precipitadamente, aguenta as ansiedades, não perde o ânimo nem se perturba. “Seu coração está tranquilo e nada teme, e confuso há de ver seus inimigos”, nos dizem as Sagradas Escrituras. Eis que o paciente achará descanso em suas ações, como o cervo encontra água pura em uma limpa nascente.

Para terminar, conto ao leitor um fato que se deu com São José de Cupertino. De pouca inteligência, seu mestre se esforçava em fazê-lo aprender. Até que, irado com a falta de sapiência de nosso bom santo, se retirou, dizendo que estava a perder tempo. Ao que São José lhe replicou: “não professor, se o senhor estivesse aguentando com paciência, todo seu tempo perdido transformar-se-ia em mérito no céu.”

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[1] Cf. SANTO AGOSTINHO. De Patientia.

Uma resposta para “A arte da espera”

  1. Salve Maria!

    Quão bela e esquecida virtude: a paciência!
    Comentava um grande santo do século passado que o homem hodierno perdeu a noção da beleza, da grandeze e da nobreza das longas esperas como as de Abraão pelo filho prometido(cem anos); ou os quatro mil anos que a humanidade suspirava chuver do Justo.

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