Fímbrias do Paraíso

Em confronto com a realidade deste nosso chão de exílio, a superioridade do Paraíso é incomparável. Disso não temos a menor dúvida… Mas, se formos conhecer, ou melhor, admirar certas maravilhas desta Terra, poderíamos nos perguntar: será que não existe, cá em baixo, belezas que sejam reflexos do Paraíso Celeste? Para obter a resposta basta olhar para os panoramas naturais – como estes lindos céus coloridos – que dão ao homem uma das mais belas oportunidades de contemplar a magnificência infinita do Criador. Quando vemos as variadas cores de uma esplêndida aurora boreal, por exemplo, temos a impressão de que há um Autor colossal dando umas pinceladas por cima de nossas cabeças, com tintas “quintessênciadas” oriundas daquele lugar de sonhos.

Mas, parece que Deus não quis embelezar esta Terra sozinho, por isso, deu aos homens a capacidade de, por assim dizer, ajudá-lo a pintar a face da Terra. Catedrais onde percebemos que o espírito humano subiu tão alto que foi capaz de imaginar como seria o Céu; vitrais através dos quais nossas almas podem conhecer algo das rutilantes excelências de Deus; pinturas, como as de Fra Angélico, cujo dom  era “pintar o sobrenatural”, ou ainda, as esculturas altamente expressivas de Aleijadinho, lapidadas para o ar livre, tendo a abóboda celeste como templo; são apenas fragmentos deste imenso “quadro” que não passam de meros esboços da beleza infinitamente rica do Paraíso.

Entretanto, o que há de tão diferente que ao Paraíso nada se compara? “Olhos jamais viram, ouvidos jamais ouviram e coração humano jamais pressentiu o que está reservado para aqueles que o Amam”, (1Cor. 2,9)  é a resposta do Apóstolo. Quando do “lado de cá” vemos algo que seja belo, bom, grandioso, etc., do “lado de lá” nos encontramos com Aquele que é a Beleza, a Bondade, e a Grandeza… Além disso, no Paraíso o homem se encontrará na presença d’Aquele que é sua finalidade, tendo a companhia absoluta para a qual foi criado. Por isso, até a maior das felicidades que tivemos aqui neste vale de lágrimas é um nada em comparação com a alegria Celeste, onde cada um sentirá a felicidade completa. Ademais, o Paraíso Celeste é de uma elevação, de uma altitude – não física mas moral – incomparável. Junto a Deus, o justo está como que embriagado da alegria de ter contato com seu Criador, de vê-lo face-a-face e de conversar com Ele. E mais, o homem se vê inserido em toda a Corte Celeste, na qual ele passa a ser príncipe, ao lado dos Anjos e Santos que povoam a bem-aventurança eterna. Ele se acha no mais alto dos cumes, cercado de um convívio realmente afetuoso, respeitoso, amável, com a mais perfeita das multidões, que é o imenso povo por aqueles que se salva.

Porém, como faremos para chegarmos lá? Chegar?! No Céu não se chega, se conquista! E, como o conquistamos? Só a caridade é capaz de nos fazer alcançar essa grande vitória. Apenas ela nos deixa aptos e preparados para recebermos aquilo que desejamos, portanto, para gozarmos eternamente das alegrias do Céu é preciso amar ardentemente a Deus, uma vez que “no entardecer desta vida seremos julgados segundo o amor.” (São João da Cruz)

Lucas Alves Gramiscelli

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