A perfeita obra do anônimo

No dia em que se comemora o grande São Luis IX, rei de França, recordemos um fato ocorrido em seu tempo:

Voltemos um pouquinho na História e nos situemos no ambiente da França em meados do séc. XVIII. O grande rei São Luís estava muito desejoso de construir uma capela para seu palácio, mas não uma capela qualquer, teria de ser digna de acolher honrosamente a adorável relíquia que lhe fora dada: um espinho da coroa posta na cabeça de Nosso Senhor Jesus Cristo, durante Sua Paixão.

Então todo o reino ficou sabendo e muitos arquitetos se colocaram a trabalhar para ver quem conseguia desenhar um fabuloso edifício que fosse do agrado do rei.

Havia um jovem que também elaborou seus desenhos com a esperança de ser ele o famoso construtor de tal capela. Indo a Paris, encontrou-se com um seu amigo que também era arquiteto. Ao ver seus desenhos tomou-se de tamanha inveja e o matou, pois não podia suportar alguém que tivesse feito um desenho tão melhor que o seu.

Chegou ao palácio real. Exorbitante por achar-se sem concorrentes tentou entrar no palácio, mas uma força misteriosa e invisível o impediu. Tentou mais uma vez, e sem chance. Percebeu que isso era um castigo de Deus para ele, então pôs-se em desespero e a embriagar-se.

Um certo dia, um monge dominicano estava passando pela rua e encontrou nosso pobre arquiteto deitado na sarjeta e desesperançado. Cumprindo seu ofício foi consolá-lo e incutir-lhe confiança na bondade e misericórdia divina, ao que nosso jovem se reanimou e decidiu viver somente para a prática da religião.

Algum tempo depois, conheceu o filho de um pasteleiro chamado Pedro, que sonhava em ser um construtor de casas e não de saborosas guloseimas como seu pai. Compadecido do menino foi até o monge que lhe consolara e pediu-lhe permissão para dar seus desenhos ao menino para que esse fosse ao rei que ainda não encontrara o projeto ideal para sua capela. Mas colocou como condição de que se tal obra fosse escolhida ela iria se apresentar como a de um autor anônimo, ao que o monge consentiu.

Chegando ao palácio, Pedro apresentou os desenhos à sua majestade que se encantou com a obra e escolheu-a como o modelo perfeito, mas vendo que era tão bonita e duvidando de que aquele jovem a tinha desenhado, perguntou-lhe sobre seu autor. Pedro respondeu-lhe ter sido um arquiteto anônimo, mas que ele com o auxílio de Deus conseguiria levar a cabo a construção.

Pouco tempo depois estava construída a Saint-Chapelle uma magnífica igreja feita de pedras e vitrais coloridos que faz lembrar uma verdadeira caixinha de pedras preciosas que de muitas cores iluminam e impregnam o ambiente de recolhimento e benção.

Quanto àquele que a concebeu ninguém sabe seu nome, quanto ao monge que o acolheu era o grande São Tomás de Aquino que apesar com todos seus escritos não se comparariam com esta grande obra que beneficiou toda a Igreja e o retorno daquele filho pródigo à casa paterna.

 

 

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