O mundo dourado

No início deste mês de setembro, quem anda pelas ruas de São Paulo, repara em vários locais da cidade uma coloração diferente: o amarelo.

São os ipês, árvores muito curiosas, que mantém seus botões fechados até determinado momento do ano. Numa bela manhã, geralmente na primeira semana de setembro, observa-se que todos os botões estão abertos e suas flores aparecendo à luz do sol.

E os ipês se mostram eufóricos por estarem sob essa intensa ação do sol, o que os deixa particularmente atraentes.

Monsenhor João Clá Dias, EP,  sempre incentivou os Arautos a não ficarem somente na visão material da natureza, mas procurar nela a relação mais profunda com o homem.

A primeira reação de quem olha esta maravilha da natureza tem um primeiro deslumbramento no qual a análise não é possível.
Não é que não haja uma análise. Estar deslumbrado é analisar, é degustar e degustar é analisar. Mas é uma análise que não desce aos pormenores, não desce aos detalhes, se contenta com o esplendor do colorido e da linha geral. Mas depois das primeira floradas de ipê que alguém assista, a atenção se volta aos pormenores e então começa a ser analisado tudo aquilo quanto é o significado profundo daquela flor, o que é que ela significa na ordem do universo, o que é que ela significa na ordem da beleza, o que ela significa como expressão de Deus na vocação daquele país onde ela floresce, e assim, muitas outras considerações vêm ao espírito humano.

Sem dúvida, uma das mais belas árvores que há, o ipê simboliza determinados estados de espírito do homem ou situações da vida.
Assemelha-se ele a uma árvore ornada de magnífico manto dourado, conferindo um ar de corte onde se encontra. São sóis que reluzem em meio ao verde da mata, e suas flores reunidas em cachos de ouro estão a nos transmitir uma mensagem de esperança no porvir, nas promessas de Deus ainda não realizadas, mas que se cumprirão a seu tempo.

Vem-nos naturalmente à lembrança a poesia de Casimiro de Abreu:

“Ai que saudades que tenho
da aurora da minha vida,
De minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
O mundo é um sonho dourado,
A vida, um hino de amor!”

Andando novamente pelas ruas da cidade e vendo este “mundo que é um sonho dourado” neste mês de setembro, analisemos em cada ipê amarelo, a mensagem que este nos quer transmitir.

 

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