Santa Teresinha: Padroeira da Comunhão diária

Quem nunca ouviu falar de Santa Teresinha do Menino Jesus? A singela freira que viveu nas solidões do convento de Lisieux, e que mais tarde foi coroada com o título de Padroeira das Missões, sem sequer sair das paredes de sua reclusão religiosa… Por quê? Porque sua ardente caridade, identificando-se no coração da Igreja, propugnou as missões mais longínquas.

Seu exemplo não se limitou ao ardor missionário, mas também brilhou seu fervor eucarístico. Com efeito, naquele então ainda não havia o privilégio de uma dupla Comunhão no dia, nem mesmo o costume de comungar a cada dia. A influência do jansenismo se alastrou poderosamente em todos os ambientes religiosos. Somente se comungava com o consentimento do confessor. Ora, Teresinha, apesar de ser autorizada a comungar 4 a 5 vezes por semana, tinha o desejo de fazê-lo todos os dias, muito embora não se atrevesse a pedir-lhe[1]. Porém o que estava impedida de fazer na terra, certamente poderia modificar-se na eternidade. Prometeu que, estando no Céu, haveria de trabalhar para que fosse mudada a regulamentação acerca da recepção da comunhão[2]. De fato, foi o que ocorreu algum tempo depois: «quando o Papa Pio X tomou conhecimento do ensinamento dessa carta teresiana, disse: “Oportuníssimo! Oportuníssimo!”»[3]

São Pio X, associando aos escritos de Santa Teresinha outros acontecimentos na história da Igreja, mandou publicar o decreto Quam Singulari[4], o qual, além de favorecer a Comunhão aos infantes, incentivou a recepção frequente e diária do Corpo de Jesus Sacramentado.

A Santa de Lisieux, em maio de 1889, assim escreve à Irmã Maria Guérin, a qual sofria de grandes escrúpulos:

“Irmãzinha querida, comunga muitas vezes, muitas vezes… Eis aí o único remédio, se queres te curar. Não foi sem razão que Jesus pôs esta atração em tua alma. (Creio que ele ficaria contente se puderes recuperar as tuas duas Comunhões perdidas. Então, a vitória do demônio seria menor, pois não teria conseguido afastar Jesus de teu coração.) Não tenhas medo de amar demasiadamente Nossa Senhora. Nunca a amarás suficientemente, e Jesus estará bem feliz, pois a Santíssima Virgem é sua Mãe.”

Desta forma, bem se poderia considerar Santa Teresinha como padroeira não somente das missões, mas também da Comunhão frequente, quiçá, diária.

Seu amor por Nosso Senhor a acompanhou em toda a sua vida, de tal sorte que até mesmo a morte não lhe causava medo, mas antes alegria. Mons. João S. Clá Dias, EP, numa de suas homilias assim comenta os últimos momentos desta alma abrasada:

“Santa Terezinha do Menino Jesus, jovem, juveníssima, quando no meio da sua tuberculose teve uma hemoptise à noite, aguentou até de manhã para não olhar, pois fez a penitência de não olhar o que tinha saído de seus lábios. Porque se fosse sangue ela teria uma alegria tão grande que seria intemperante. Então, ela aguentou até o amanhecer. Quando amanheceu e ela viu que era sangue mesmo e que, portanto, a morte se aproximava uma alegria invadiu sua alma.

E quantos santos ao saírem desta vida estão cheios de alegria e gratidão. Por quê? Porque chegou a hora de nascer para o Céu. O santo não considera a morte como uma tragédia. Ele considera como uma passagem maravilhosa desta vida para a outra. E não considera uma morte, mas considera um nascimento.”[5]

Peçamos a intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus para sermos almas eucarísticas e para, no término desta vida, podermos compartilhar da mesma alegria nos Céus.


[1] Consta na Positio de Santa Teresinha, nas p. 289-290. Cf. Também CAVALCANTE, 1997, pp. 215-216.

[2] Cfr. P. T. Cavalcante, Dicionário de Santa Teresinha, Paulus, São Paulo, 1997, p. 118.

[3] P. T. Cavalcante, Dicionário de Santa Teresinha, p. 118.

[4] Cfr. S. CONGREGATIO DE SACRAMENTIS, Decretum: Quam singulari, (8 Augusti 1910) in AAS II  (1910), pp. 577-583.

[5] CLÁ DIAS, Mons. João S.. Homilia de 29 jun. 2008.

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