Deus provê às nossas necessidades temporais…

Arautos Granja Viana: “Deus provê às nossas necessidades temporais”[1]

“A confiança, já o dissemos, é uma esperança heróica; não difere da esperança comum a todos os fiéis senão pelo seu grau de perfeição. Ela é, pois, exercida sobre os mesmos objetos que aquela virtude, mas por meio de atos mais intensos e vibrantes.

Como a esperança ordinária, a confiança espera do Pai Celeste todos os socorros que são necessários para se viver santamente aqui na terra e merecer a bem‑aventurança do Paraíso.

Ela espera, primeiramente, os bens temporais na medida em que estes nos podem conduzir ao fim último.

Nada mais lógico: não podemos ir à conquista do Céu à maneira dos puros espíritos; somos compostos de corpo e de alma. Este corpo que o Criador formou pelas suas mãos adoráveis é o companheiro inseparável da nossa existência terrestre; e sê‑lo‑á ainda da nossa sorte eterna depois da ressurreição geral. Não podemos prescindir da sua assistência na luta pela conquista da vida bem‑aventurada.

Ora, para sustentar‑se, para cumprir plenamente a sua tarefa, o corpo tem múltiplas exigências. Essas exigências, é preciso que a Providência as satisfaça; e ela fá‑lo magnificamente.

Deus encarrega‑se de prover às nossas necessidades temporais; cuida delas generosamente. Segue‑nos com olhar vigilante e não nos deixa na indigência. Perante as dificuldades materiais mais angustiantes, não nos devemos perturbar. Com uma certeza serena esperemos das mãos divinas o que é preciso para o sustento da nossa vida.

“Eu vos digo, declara o Salvador, não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem quanto ao vosso corpo com o que haveis de vestir. Porventura não é o corpo mais do que o vestido e a vida mais do que o alimento? Olhai para as aves do céu: Não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai Celeste alimenta‑as. Não valeis vós mais do que elas?…

“Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé?

“Não vos preocupeis, dizendo: Que comeremos nós, que beberemos, ou que vestiremos? Os pagãos, esses sim, afadigam‑se com tais coisas; porém, o vosso Pai Celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso.

“Procurai pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo” ([2]).

Não basta passar os olhos de relance sobre este discurso de Nosso Senhor. Importa que nele fixemos longamente a atenção, para procurarmos o seu significado profundo e nos deixarmos embeber pela sua doutrina.”

 


[1] THOMAS DE SAINT-LAURENT. O Livro da Confiança. Cap. III.

[2] ) Mt. 6, 25‑26 e 28‑33.

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