A nobre arte de adestrar falcões – II

Arautos Granja Viana: “A nobre arte de adestrar falcões”

O falcão peregrino

“Em princípio, qualquer ave de rapina é suscetível de ser adestrada”, diz Wetzel, “mas na Holanda só temos autorização para fazer isso com açores e falcões peregrinos.” Cada uma dessas espécies tem sua forma de caçar característica. O açor observa a presa a partir de um local que lhe dê vantagem, acima do chão (uma árvore, por exemplo).

O falcão peregrino voa em círculos, mergulhando sobre a presa. Se esta estiver voando, apanha-a em vôo horizontal com as garras. O peso da ave de rapina determina o poder de seu ataque. Um falcão peregrino macho pesa cerca  de 0,5 kg e uma fêmea quase 1 kg. Com esse peso, eles conseguem capturar corvos, gaivotas e gansos do Egito de 1,5 kg em pleno vôo.

O falcão peregrino é a ave que alcança a maior velocidade, 250 km/h, voando para baixo. Utiliza-se deste tipo de vôo para matar as suas presas, as quais golpeia com as unhas posteriores e podem até matar a presa com a simples força do choque.

Depois de agarrarem a presa a grande velocidade, pousam com ela e partem-lhe o pescoço com o bico. De modo geral, os falcoeiros não permitem que suas aves fiquem com as presas, uma vez que estas poderão estar contagiadas por germes ou doenças. Alimentam-nas com carne que conservam em geladeira – por exemplo, de pombo ou de coelho.

As utilidades do adestramento de falcões

Wetzel considera a caça o aspecto menos importante da falcoaria, embora existam várias ocasiões em que acaba por fazer-se útil. Os produtores de mexilhões da província de Zeeland, no Sul da Holanda, solicitam regularmente os serviços dos falcoeiros, pois a região vive infestada de gaivotas. O mesmo acontece com agricultores cujas plantações são atacadas pelos corvos. Quando Wetzel é chamado para um trabalho desse tipo, vai até a zona afetada em seu jipe, levando um falcão encapuzado no braço. Quando tira o capuz, o pássaro voa pela janela aberta, encontrando sem dificuldade a sua presa.

Muitos aeroportos, entre os quais o de Rotterdam, lançam mão de aves de rapina treinadas para afastar os bandos de pássaros que, de outra forma, correriam o risco de ser tragados dentro do motor dos aviões, provocando grandes estragos.

“Assim que os pássaros percebem que o falcão vai atacar mortalmente, fogem de imediato”, conta Wetzel.

Que existe de tão belo na arte da falcoaria? Para Wetzel, é da delicada combinação entre o selvagem e a submissão. Pode-se conseguir criar uma relação de trabalho entre o homem e a ave, que no entanto nunca se domestica inteiramente. “Que animal daria mais gosto de adestrar que uma ave de rapina, que tanto pode ir-se embora como ficar, segundo seu instinto?”, pergunta Bernardt. “É uma experiência única quando uma dessas aves escolhe regressar ao falcoeiro, chegando a ponto de lhe entregar sua presa.”

Outras informações sobre a falcoaria

A arte de educar falcões para caça teve origem na Ásia, de onde passou para a África e posteriormente para a Europa, no tempo das Cruzadas.

O Falcão é uma ave de rapina diurna pertencente à família dos falconídeos. Comparados com outras aves de rapina, seu porte é reduzido: algumas espécies ultrapassam cinqüenta centímetros de comprimento, enquanto outras mal chegam a trinta. Seu bico é curto e forte, adunco e pontiagudo. Os dedos são longos e munidos de poderosas garras. O falcão comum, o falco peregrinus e o falco columbarius são as espécies mais conhecidas pela importância que tiveram na caça de altanaria3, um dos esportes prediletos da nobreza medieval. Todas as espécies de falcão caçam suas presas na terra, na água ou em pleno vôo. Lançam-se sobre elas em vôo livre, que pode superar a velocidade de 250km/h.

Uma de suas características é o vôo rápido, frequentemente planado, a fim de localizar a presa; quando a encontra, toma direção ascendente para lançar-se sobre ela.

Algumas subespécies da Groenlândia possuem plumagem totalmente branca. Distribuem-se pelas regiões mais setentrionais do hemisfério norte.

Aves de Rapina

Quer tenham um vôo altaneiro, como os condores, ou um canhestro farfalhar de asas, como as corujas, as aves de rapina têm em comum o fato de serem úteis ao homem, pois caçam insetos, cobras e roedores que danificam plantações.

Os falconiformes, são, em geral, aves de constituição robusta, sólidas e corpulentas. Algumas delas são bastante grandes, como os condores, os abutres e certas águias. Além disso, são dotadas de eficientes instrumentos para a caça: bicos recurvados e fortes, poderosas patas, dedos vigorosos terminados em garras pontiagudas, com as quais agarram suas presas, e notável agudeza visual.

Exímias voadoras, as aves da ordem dos falconiformes são capazes de aproveitar as correntes térmicas ascendentes e se manter planando por longos períodos e de alcançar grande altura e cair quase que verticalmente sobre suas presas.

Outra característica notável é a situação frontal dos olhos, o que lhes dá um aguçado e amplo campo de visão e, por isso, uma grande precisão no cálculo das distâncias que as separam de suas presas, sendo na maioria das vezes certeiro e fulminante o seu ataque.

(In: SABE)

2 respostas para “A nobre arte de adestrar falcões – II”

  1. Super interessante o artigo! Continuem postando assuntos assim! São de grande elevação de espírito e nos colocam em outra perspectiva diante do tric-trac do dia-dia.

  2. Artigo de primeira ordem, mostra como são as belezas da criação de Deus. Só gostaria de saber quem foi o autor, pois em meio a tantos estudantes de avantajada cultura, como são todos daí, este se destaca. Poderiam postar mais artigos assim, pois são verdadeiramente interessantes, e nos falam de Deus.

Deixe uma resposta para MT Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *