Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia

Arautos Granja Viana: “Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia”

Na Quinta-Feira Santa a Igreja comemora a instituição da Sagrada Eucaristia. Com vistas a manifestar de uma forma sensível a majestade  da Ceia do Senhor, permite-se, neste dia, somente, a celebração de apenas um Sacrifício Eucarístico em cada igreja. A Missa de Quinta-Feira Santa é uma das mais solenes do ano litúrgico, onde também se comemora a instituição do ministério sacerdotal. Continue lendo “Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia”

A nobre arte de adestrar falcões – II

Arautos Granja Viana: “A nobre arte de adestrar falcões”

O falcão peregrino

“Em princípio, qualquer ave de rapina é suscetível de ser adestrada”, diz Wetzel, “mas na Holanda só temos autorização para fazer isso com açores e falcões peregrinos.” Cada uma dessas espécies tem sua forma de caçar característica. O açor observa a presa a partir de um local que lhe dê vantagem, acima do chão (uma árvore, por exemplo).

O falcão peregrino voa em círculos, mergulhando sobre a presa. Se esta estiver voando, apanha-a em vôo horizontal com as garras. O peso da ave de rapina determina o poder de seu ataque. Um falcão peregrino macho pesa cerca  de 0,5 kg e uma fêmea quase 1 kg. Com esse peso, eles conseguem capturar corvos, gaivotas e gansos do Egito de 1,5 kg em pleno vôo.

O falcão peregrino é a ave que alcança a maior velocidade, 250 km/h, voando para baixo. Utiliza-se deste tipo de vôo para matar as suas presas, as quais golpeia com as unhas posteriores e podem até matar a presa com a simples força do choque.

Depois de agarrarem a presa a grande velocidade, pousam com ela e partem-lhe o pescoço com o bico. De modo geral, os falcoeiros não permitem que suas aves fiquem com as presas, uma vez que estas poderão estar contagiadas por germes ou doenças. Alimentam-nas com carne que conservam em geladeira – por exemplo, de pombo ou de coelho.

As utilidades do adestramento de falcões

Wetzel considera a caça o aspecto menos importante da falcoaria, embora existam várias ocasiões em que acaba por fazer-se útil. Os produtores de mexilhões da província de Zeeland, no Sul da Holanda, solicitam regularmente os serviços dos falcoeiros, pois a região vive infestada de gaivotas. O mesmo acontece com agricultores cujas plantações são atacadas pelos corvos. Quando Wetzel é chamado para um trabalho desse tipo, vai até a zona afetada em seu jipe, levando um falcão encapuzado no braço. Quando tira o capuz, o pássaro voa pela janela aberta, encontrando sem dificuldade a sua presa.

Muitos aeroportos, entre os quais o de Rotterdam, lançam mão de aves de rapina treinadas para afastar os bandos de pássaros que, de outra forma, correriam o risco de ser tragados dentro do motor dos aviões, provocando grandes estragos.

“Assim que os pássaros percebem que o falcão vai atacar mortalmente, fogem de imediato”, conta Wetzel.

Que existe de tão belo na arte da falcoaria? Para Wetzel, é da delicada combinação entre o selvagem e a submissão. Pode-se conseguir criar uma relação de trabalho entre o homem e a ave, que no entanto nunca se domestica inteiramente. “Que animal daria mais gosto de adestrar que uma ave de rapina, que tanto pode ir-se embora como ficar, segundo seu instinto?”, pergunta Bernardt. “É uma experiência única quando uma dessas aves escolhe regressar ao falcoeiro, chegando a ponto de lhe entregar sua presa.”

Outras informações sobre a falcoaria

A arte de educar falcões para caça teve origem na Ásia, de onde passou para a África e posteriormente para a Europa, no tempo das Cruzadas.

O Falcão é uma ave de rapina diurna pertencente à família dos falconídeos. Comparados com outras aves de rapina, seu porte é reduzido: algumas espécies ultrapassam cinqüenta centímetros de comprimento, enquanto outras mal chegam a trinta. Seu bico é curto e forte, adunco e pontiagudo. Os dedos são longos e munidos de poderosas garras. O falcão comum, o falco peregrinus e o falco columbarius são as espécies mais conhecidas pela importância que tiveram na caça de altanaria3, um dos esportes prediletos da nobreza medieval. Todas as espécies de falcão caçam suas presas na terra, na água ou em pleno vôo. Lançam-se sobre elas em vôo livre, que pode superar a velocidade de 250km/h.

Uma de suas características é o vôo rápido, frequentemente planado, a fim de localizar a presa; quando a encontra, toma direção ascendente para lançar-se sobre ela.

Algumas subespécies da Groenlândia possuem plumagem totalmente branca. Distribuem-se pelas regiões mais setentrionais do hemisfério norte.

Aves de Rapina

Quer tenham um vôo altaneiro, como os condores, ou um canhestro farfalhar de asas, como as corujas, as aves de rapina têm em comum o fato de serem úteis ao homem, pois caçam insetos, cobras e roedores que danificam plantações.

Os falconiformes, são, em geral, aves de constituição robusta, sólidas e corpulentas. Algumas delas são bastante grandes, como os condores, os abutres e certas águias. Além disso, são dotadas de eficientes instrumentos para a caça: bicos recurvados e fortes, poderosas patas, dedos vigorosos terminados em garras pontiagudas, com as quais agarram suas presas, e notável agudeza visual.

Exímias voadoras, as aves da ordem dos falconiformes são capazes de aproveitar as correntes térmicas ascendentes e se manter planando por longos períodos e de alcançar grande altura e cair quase que verticalmente sobre suas presas.

Outra característica notável é a situação frontal dos olhos, o que lhes dá um aguçado e amplo campo de visão e, por isso, uma grande precisão no cálculo das distâncias que as separam de suas presas, sendo na maioria das vezes certeiro e fulminante o seu ataque.

(In: SABE)

O hábito faz o monge?

Arautos Granja Viana: “O hábito faz o monge?”

Em uma das recentes reuniões do “Projeto Futuro e Vida”, os jovens assistentes puderam desfrutar de um interessante e atraente tema: “O hábito faz o monge?”, palestrada pelo Diác. Lucas Gramiscelli E.P.

É comum o ditado “O hábito não faz o monge”, entretanto, será ele realmente verdadeiro?

Tendo por base pesquisas recentes, a respeito das vestimentas e de sua influência, o referido palestrante mostrou que, de fato, o hábito faz o monge…

Uma das pesquisas- estudo de 4 anos- foi elaborada por uma holandesa, Herlinde Koelbl, entitulada: “Kleider Machen Leute”, ou seja, “A roupa faz o homem”:

“Suas 70 fotografias retratam pessoas de diferentes áreas e grupos com uniformes/roupa de trabalho e em momentos casuais. Com o objetivo de mostrar que por trás de uma peça de pano, há muita coisa: as roupas podem se tornar uma moldura para o que somos. Em depoimentos, as pessoas afirmaram que ao colocarem os uniformes de trabalho, adotam uma postura totalmente distinta: muitos passam a ser mais confiantes, se sentem mais atraentes e poderosos. A linguagem do corpo muda e até a voz é imposta de forma diferente. A mudança também acontece entre as relações interpessoais: alguém fardado passa a ser olhado com mais respeito, admiração ou preconceito, dependendo do olhar da sociedade para determinadas profissões.”[1]

Outro estudo americano comprava que há significado social nas roupas que se usam e de que interferm nos processos cerebrais:

“Os pesquisadores, liderados por Adam Galinsky, realizaram três experiências usando jalecos brancos idênticos de médicos e pintores. Em todos os casos, as pessoas que vestiram as peças que seriam dos profissionais de saúde — a quem costuma ser atribuído um comportamento cuidadoso, rigoroso e atento — apresentaram melhores resultados em testes de atenção e percepção visual de erros. Houve quem apenas olhasse a roupa, mas quem a vestiu se saiu melhor.(…)

Para os cientistas, um dos pontos mais interessante do estudo é a possibilidade de compreender se o significado da roupa que vestimos afeta nossos processos psicológicos: ele altera a forma como nos aproximamos e interagimos com o mundo? Na opinião do psicólogo e autor do livro “Homens invisíveis” (Editora Globo), Fernando Braga da Costa, a resposta é sim: — Tudo o que é intelectual é guiado também pelo nosso equilíbrio emocional. Além disso, o que controla nossas vias neurológicas está relacionado com nossas emoções, cuja construção passa pelos relacionamentos e a concepção de valores sociais.[2]

Além das explicações e notícias, uma sketch teatral  com rimas pode ilustrar aos jovens um aprendizado moral sobre o assunto.


[1] Followthecolours.com.br

[2] O Globo – Juliana Câmara

A nobre arte de adestrar falcões – I

Arautos Granja Viana: “A nobre arte de adestrar falcões”

O falcoeiro Bernardt Wetzel liberta seu cão caçador. O perdigueiro dispara em direção a uns arbustos, e, segundos depois, levanta vôo uma perdiz. Voando em círculos a 100 m de altitude, um falcão peregrino escocês, com 1 m de envergadura de asas, paira majestosamente na claridade do céu. Ao avistar a perdiz, mergulha, com as asas esticadas e rígidas, atingindo uma velocidade que pode ultrapassar a 250 km/h. Ataca a perdiz e pousa com ela no campo.

Wetzel, homem alto, louro, ligeiramente bronzeado de sol pela vida ao ar livre, caminha em direção de seu falcão, orgulhosamente em pé, segurando a sua presa.

Exibe-lhe então um pedaço de carne para que voe de volta a sua luva de couro. Após um momento de hesitação o animal obedece. Depois, Wetzel apanha a perdiz e a deposita em seu saco de caça, sempre sob o olhar penetrante, vivo, cintilante do falcão peregrino.

O costume de capturar aves de rapina e treiná-las para a caça remonta a 2000 a. C. aproximadamente na Ásia Central. A falcoaria tornar-se-ia popular na Europa durante a Idade Média, e os falcoeiros holandeses gozavam de grande reputação. No século XVII, Valkenswaard, no Sul da Holanda, em particular, tornar-se-ia um importante centro desta arte.

A caça com aves de rapina esteve durante muito tempo reservada à nobreza, havendo normas rígidas a respeito de quem podia caçar e com que tipo desses predadores. Por volta do ano de 1500, por exemplo, o emprego de falcões peregrinos estava reservado apenas aos duques e príncipes. Os imperadores eram os únicos a poder caçar com águias de grande porte. Os falcões nórdicos eram apanágio dos reis. Quem ocupava as classes inferiores a estas caçavam com açores e gaviões.

Com o passar do tempo, essas leis desapareceram, mas a falcoaria continua a ter sua nobreza, pois não é qualquer um que possui os dotes necessários para o adestramente e a caça com falcões.

Wetzel diz que o instrutor não pode manifestar medo e receio quando o falcão volta perigosamente o seu afiado bico para a sua face. Ainda há uma série de leis que regularizam o direito a caçar com aves de rapina. Wetzel, por exemplo, teve de esperar 10 anos pela sua, mesmo depois de ter provado a um instrutor que sabia lidar com aves de rapina e conseguiria controlar responsavelmente as populações de caça.

Na Holanda, existem cerca de 120 falcoeiros, o que não é muito, se compararmos a cifra às de países árabes como o Qtar, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos, onde a antiga tradição ainda prospera.

O interesse de Wetzel pela falcoaria foi despertado quando o atual treinador ainda se encontrava na escola primária e pela janela assistia ao vôo dos gaviões, açores e falcões.

Concluído os estudos, um encontro casual com o diretor da Escola Britânica de Falcoaria resultaria num curso que o jovem faria na Inglaterra.


Como se adestra um falcão

No “escritório” de Wetzel, onde ele adestra as suas aves, estão empoleirados numa barra, dois falcões vindos da Índia que ainda não completaram um ano, enquanto no jardim estão dois falcões e um açor. Todos foram criados para a caça.

Apanha Rani, um dos falcões indianos, e o leva no punho para um passeio de treino. Seu punho, que desempenha um papel determinante na falcoaria, está protegido das garras cortantes das aves de rapina por uma espessa luva de couro. Por vezes, Bernardt caminha durante cinco ou seis horas por dia, treinando um animal, para habituá-lo ao ambiente, ao punho e ao falcoeiro. A ave deverá acostumar-se a ver o punho como um local seguro para se alimentar. O passo seguinte  é convencê-la a voar de certa distância até ele. Primeiro, alguns centímetros, que irão aumentando gradualmente até chegar a 100 m. As recompensas sistemáticas de comida a “ensinam” a voltar para o punho do falcoeiro.

O momento mais assustador é aquele que o pássaro é libertado pela primeira vez. “No ano passado, eu estava pondo um deles para voar. A ave estava perfeita, melhor que nunca, subiu a mais de 150 m, virou para a esquerda e nunca mais a vi. O que terá acontecido ainda hoje é um mistério para mim.”

Após algumas semanas de habituação, inicia-se outra fase de treinamento. Uma presa artificial feita com duas asas de pato ou de outro pássaro são fixadas uma à outra, às quais se prende um pedaço de carne, que depois é pendurado a um fio. O tempo de treinamento total dura de seis a oito semanas, até o dia em que a primeira presa verdadeira é perseguida.

Um pequeno capuz de couro é uma das principais peças para o adestramento. “Se houver muita gente por perto ou muito trânsito, pode-se encapuzá-los”, explica. “Isso faz maravilhas.” Com destreza, faz deslizar o capucho pela cabeça de Rani. A venda, inofensiva, é utilizada para manter os pássaros sossegados durante o treino ou quando são transportados. A reação natural de um pássaro que não consiga ver é manter-se quieto. (In: SABE)

quieto.

Mais alguma coisa?

Arautos Granja Viana: “Mais alguma coisa?”

Certa vez, um famosíssimo biliardário decidiu comprar um fabuloso presente para sua filhinha, que fazia seu primeiro aniversário. Indo a uma loja de grandes preços, escolheu uma magnífica pérola, a qual achou muito adequada para ornar o pescoço de sua menina. Indo até o caixa, puxa a grande carteira, e, começa a selecionar o valor para pagar o belo presente. Enquanto isto, o balconista lhe pergunta:

– “Mais alguma coisa senhor?”

Não acreditando na pergunta do moço, o rico empresário fica desconcertado. “Como? Paguei tão  caro nesta pedra e ele me perguntava se quero mais algo?” Com a voz calma, o ricaço pergunta ao rapaz se havia algo mais caro naquela loja. O vendedor disse que havia um carro, leiloado em penhor por alguma madame de anos atrás. O empresário diz que vai comprá-lo, e deixa o jovem assustado, pois não sabe o que uma criança de um ano irá fazer com um automóvel de luxo; entretanto, prepara o recibo e pergunta:

– “Mais alguma coisa senhor?”

Furioso, escorrendo gotículas de suor, o milionário bate na mesa e diz:

– “Quero a coisa mais cara que existe nesta loja! Aí você verá como eu sou rico!!!”

O funcionário procura e procura nos documentos de aquisição dos materiais da loja, e descobre que existe a apólice de uma ilha que estava a venda, mas tão  cara que nenhum magnata até aquele dia tinha conseguido comprar. O rico senhor então exclama:

– “Eu compro! Aqui está o cheque!

O moço repete seu anterior procedimento:

– “Uma pérola, um automóvel, uma ilha. Mais alguma coisa?

Nauseabundo, irritado, o milionário grita:

– “Procure na internet a coisa mais cara que o mundo oferta!”

O balconista vai para trás de um monitor de computador e sai de lá com uma solução:

– “Senhor, a NASA fabricou um foguete de última geração e o pôs a venda, por uma fábula trilionária…”

– “Não tem problema! Esta nave espacial vai um presente para minha filha! Quero ver se você vai perguntar novamente: ‘Mais alguma coisa?’!”

– “Não diga uma coisa dessas”, replicou o jovem. “Meu patrão é exigente, e pede que eu sempre pergunte: ‘Mais alguma coisa.”

– “Então é por isso?!” interrompeu o empresário. “Saiba que vou comprar esta loja amanhã e vou demitir seu patrão! Como é possível ter algo a mais para eu dar a minha filha?!”

O rapaz, corajoso, o interpela:

– “Na verdade há assim, caro senhor. Apenas pergunto: você já deu o Criador a sua filhinha?”

– “Não brinque comigo, jovem!” diz sério o magnata. “Como posso dar Deus a alguém?”

– “O senhor não pode”, responde o balconista, “mas o próprio Deus quis dar-se a nós em uma Cruz. Sua filha já foi batizada?”

– “Ehh… Ehh.. realmente, preciso preparar uma grande festa de batizado: convidar presidentes, chamar autoridades, vai ser uma comemoração de muita importância…”

– “Não, senhor. Não é disso que falo. Se o senhor me pergunta qual o maior presente que pode dar à sua filhinha, eu lhe respondo sem hesitação: é o próprio Deus, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, cujo Reino não terá fim. Quando uma pessoa é batizada, o próprio Deus vem habitar nela e a transforma num templo, onde reside a Santíssima Trindade”.

“No momento em que a pessoa é batizada”, continuou o vendedor, “Deus a adota como Sua própria filha, e lhe dá o direito de receber por herança eterna tudo o que pertence a Ele mesmo. E adotando-a, a faz participar da Sua própria natureza divina, comunicando-lhe Sua própria vida eterna e sobrenatural”.

“Dar Deus a alguém é um presente tão grande, tão insuperável, que apesar de ser onipotente, nem Ele poderia dar um presente maior”, concluiu o jovem.

O bilionário calou-se. Ficou pensativo um momento, levantou-se, deu um abraço no rapaz e lhe disse: “Muito obrigado, meu filho. Você tem toda razão. Reze por mim para que não só eu possa dar esse tesouro incalculável para minha filha o quanto antes, como possa recuperá-lo para minha própria alma”.

Xadrez, um jogo curioso…

Arautos Granja Viana: “Xadrez, um jogo curioso…”

Chess, xadrez, ajedrez, шахи, Schach, satranç, ludus latruncularius, şahmat, cờ vua,
棋, шахматы… seja como for, este jogo já há muitos séculos vem trazendo atrás de si
gerações de aficcionados, desde simples camponeses até renomados estadistas.

Até mesmo alguns santos puderam honrá-lo algumas vezes…

Não queremos entrar em discussão acerca de seu nascedouro, mas uma forte
corrente afirma datar os antecessores diretos do xadrez em torno de 600 d.C., tendo
provavelmente sua origem na Índia. Já o xadrez “moderno” que conhecemos, com a
Rainha e o Bispo, pode-se afirmar com segurança existirem no final do séc. XV, ou seja
na era dos descobrimentos.

Muitas são as finalidades dos praticantes dessa modalidade: alguns jogam por profissão,
outros por lazer, e outros ainda, para ficarem mais inteligentes, pois o jogo envolve
o uso de vários compartimentos avançados do cérebro… Em alguns países levam tão
a sério a aprendizagem da criança com o xadrez, que chega a ser disciplina escolar
obrigatória, como é o exemplo da Romênia, na qual as notas em Matemática dependem
em 33% do desempenho no xadrez.

Dentre tantas as curiosidades que o xadrez suscita, consta a infinidade de jogadas na
qual podem ocorrer dentro de uma partida: Existem precisamente 169.518.829.100.544
quatrilhões (15 zeros) de maneiras de jogar apenas os dez primeiros lances. Para os 40
lances seguintes de um jogo, o número é estimado em 25 x 10 elevado a 115ª potência.

O número inteiro de átomos em todo o universo é apenas uma pequena fração desse
resultado…

Se em um “simples” jogo pode-se obter a cada partida um jogo diferente, o que não
será de Deus na visão beatífica quando os homens que se salvarem poderão gozar
eternamente de novos reflexos de seu Criador que é infinitamente maior? São coisas que
valem a pena pensar…

“Esse Terço é meu!”

Arautos Granja Viana: “Esse Terço é meu!”

Opinião alheia… quantas vezes a opinião geral que nos circunda nos impõe ações que não faríamos se estivéssemos a sós. O medo de ir contra a “correnteza” em muitas épocas já sepultou a vários na mais vergonhosa covardia. Talvez seja por isso que os fatos de intrasigência que ocorreram na História brilham de maneira especial como, por exemplo, um Santo Inácio de Antioquia que, além das feras do Coliseu, enfrentou ao imperador e à milhares de pessoas que se reuniram apenas para vê-lo destroçado pela voragem dos leões.

Para que as pessoas não julguem que o heroísmo da fé se limita aos Santos, ou a alguns poucos, vejamos um fato ocorrido num ambiente em que a opinião alheia muitas pesa sobre a conduta de cada um…

“Um jovem alferes (soldado) conta um interessante sucedido na tropa em que servia.

‘Estávamos alinhados no batalhão para os exercícios do dia. O sargento instrutor era conhecido por todos por seu ateísmo e por escarnecer de tudo o que era religioso. Naquele dia tinha nas mãos um trunfo especial, pensava ele. Balanceava entre os dedos um Terço e perguntou ironicamente aos submissos soldados, com um malicioso sorriso nos lábios:

—Quem é que perdeu esta coisa? Quem se apresenta?

O batalhão, católico na maior parte, de súbito tornou-se um magote de covardes, pois todos riram para estar bem com o escarnecedor, mesmo aqueles aos quais a própria mãe dera um Terço para levar consigo na tropa. Só um cadete a meu lado rangia os dentes, ofendido.

O sargento continuava a escarnecer, convencido de que ninguém teria coragem de se apresentar para levar o Terço. Porém, o cadete meu vizinho adiantou-se, fez continência e disse com voz clara e forte: “Esse Terço é meu!” O batalhão silenciou e não se riu mais. O Terço lhe foi entregue sem mais cerimônias pelo instrutor, que também parou com o escárnio.

Após a instrução, no intervalo, perguntei curioso ao moço: “Porque você deixou passar um tempo e não teve logo a coragem de se apresentar, e depois respondeu com tanta convicção?” — “Porque o Terço não era nada meu! Eu avancei porque queria acabar de vez com o deboche dele! Não agüentava mais! Fui inspirado pelo meu Anjo da Guarda’.

Este fato espalhou-se pelo quartel. E veio a descobrir-se quem era o verdadeiro dono do Terço. Desde então tornou-se impossível para ele permanecer no batalhão. Porém o destemido cadete passou a ser respeitado por todos como ‘o jovem de fé’.” [1]


[1] “Cavaleiro da Imaculada” nº842, maio de 2004.

A doçura de viver

Arautos em São Paulo: “A doçura de viver”

Vida… dela quem não gosta? Muitos podem até oferecê-la em palavras, mas desprender-se de um tão grande bem como esse é especialmente difícil. No entanto, apesar de o benefício ser comum a todos os homens, uma coisa não é discutível: há modos e modos de se levar a vida…

Há quem tenha vivido de tal maneira que no fim de seus dias tenha podido exclamar: “como foi doce viver!” Mais que uma simples pessoa, houve época em que se pôde dizer haver a verdadeira “doçura de viver”, ou melhor, a douceur de vivre”, onde o trato de uns para com os outros de tal modo eram requintados em educação e respeito que, não fosse o conhecimento das mazelas humanas, quase se pensaria viver no paraíso. Tal período foi intitulado como Antigo Regime, Ancién Régime, antes da terrível mudança ocorrida na França por ocasião da Revolução de 1789.

Entre os elementos que constituíam a “doçura de viver”, especial papel era dado àquele modo distinto de proceder e de falar, conhecido pela expressão politesse (polidez). Essa qualidade encontrava-se difundida por todas as classes sociais e se baseava numa espécie de necessidade inata de devotamento, abnegação e dom de si mesmo. Tal estado de espírito era a aplicação do ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos tenho amado.” (Jo 13, 34)

Mas, o que é a politesse?

Um escritor (Hipolyte Taine) bem a definiu:

“É uma “arte engenhosa e encantadora que penetra todos os pormenores da palavra e da ação para transformá-las em graça [no sentido de bom trato, de encanto], e que impõem ao homem, não o servilismo e a mentira, mas o respeito e a preocupação com os num padrão que não é o seu, mas o que analisamos aqui é o seu modo de tratar. outros, permitindo-lhe, em contrapartida, extrair da sociedade humana toda a alegria que ela pode proporcionar”.

Juntamente com a politesse, desabrochou outra rosa, a causerie, a arte de conversar.

Naqueles tempos essa arte se desenvolveu com tal brilho, transformou-se em algo tão magnífico, que passou a ser reputada uma das mais altas distinções da vida. Por amor à brevidade, é-nos impossível contar os inumeráveis casos de politesse e causerie que enchem as páginas da história do Ancien Régime.

Vejamos apenas alguns pequenos exemplos:

* O Grand Condé

O primeiro desses casos passou-se com Luís II de Bourbon, cujos títulos eram: Príncipe de Conde, primeiro príncipe de sangue real, primeiro Par de França, Duque d’Enghien, de Bourbonnais, de Châteauroux, de Montmorency, Cavaleiro das Ordens do Rei, governador da Borgonha e de Bresse.

Em 1674, após uma grande batalha, na qual a bandeira francesa alcançou esplêndida vitória graças à coragem e sabedoria do Príncipe de Condé, o Rei Luís XIV quis recebê-lo solenemente no palácio de Saint-Germain.

Tolhido pelos ferimentos ainda não cicatrizados e por um reumatismo (nessa ocasião contava com 53 anos), o Grand Condé desculpava-se por subir demasiado lentamente a grande escada no alto da qual o rei e a corte o esperavam, Luís XIV lhe respondeu:

— Quem vem tão carregado de vitórias não pode caminhar depressa!

* “Espere mais um pouco…”

Outro fato deu-se com um soldado que perdera o braço numa batalha, e por isso ficara inválido. Todas as semanas ia ao Palácio de Versailles aguardar a passagem do rei e pedir-lhe um aumento de sua pensão, pois o que recebia não era suficiente para o sustento de sua família.

A resposta do rei, invariavelmente, era:

— Está bem, espere mais um pouco…

Assim aconteceu durante várias semanas.

Um dia ao renovar seu pedido, ouviu do Rei a costumeira resposta.

Tendo o rei passado adiante, o soldado, fazendo uma reverência, disse:

— Majestade!

O rei voltou-se para o soldado, fazendo um gesto permitindo-lhe falar:

— Majestade, se eu houvesse respondido a meu comandante, “espere mais um pouco”, quando recebi a ordem de avançar, talvez eu ainda estivesse com o meu braço!

O Rei gostou tanto de ouvir aquela ousada frase que imediatamente deu ordem para que sua pensão não fosse aumentada, mas duplicada!

A NOITE SANTA

Arautos em São Paulo: Histórias Natalinas

“Tinha eu cinco anos quando sofri o meu primeiro desgosto e tão profundo que dificilmente poderei dizer-se, desde então, tive outro maior. Foi quando minha avó morreu. Era hábito seu sentar-se todos os dias no sofá de canto do seu quarto e contar nos histórias.

Lembro me bem da vovó contando histórias, umas após outras, de manhã à noite, e de nós, crianças, sentadas ao seu lado, muito quietas, ouvindo. Era uma vida esplêndida! Nenhuma outra criança teve, como nós, um tempo tão feliz!

Assim, não será de estranhar que eu fale um pouco a respeito da vovó. Vejo a, ainda hoje, com o seu cabelo branco de neve, o corpo ligeiramente inclinado e os dedos, muitos ágeis, tricotando meias, durante todo o dia. Lembro me, também, de que, quando terminava uma história, ela costumava passar a mão sobre a minha cabeça e dizer:   Tudo isto é tão verdadeiro, como é verdade que estou vendo você e você me vê.

Vovó gostava muito de cantar e todas as canções que sabia eram suaves como ela mesma. Infelizmente, nem todos os dias se dispunha a nos deixar ouvir as suas melodias; lembro me de que uma de suas canções falava do cavalheiro e da sereia e tinha um estribilho que era assim: “Sopra um vento frio, um vento frio do mar”. Do hino que costumava cantar, só aprendi uma estrofe; mas a pequenina oração que me ensinou, rezo a até hoje.

De todas as histórias que nos contava guardei apenas uma vaga lembrança. Porém, uma delas ficou tão nitidamente gravada em minha memória, que sou capaz de repeti-la a qualquer momento   a pequenina história do Nascimento de Jesus.

E aqui está, mais ou menos imprecisamente, tudo quanto posso recordar a respeito de minha avó, menos uma coisa e desta recordo me com a mais perfeita exatidão: a grande solidão em que ficamos quando ela se foi. Aquela manhã em que o sofá de canto permaneceu vazio… E a nossa incapacidade de compreender que ela nunca mais poderia vir ocupá-lo! Oh! Disto eu me recordo tão bem, que nunca o esquecerei!

Tenho presente o medo que nos dominava quando nós, crianças, nos adiantamos para depositar na mão da morta o último beijo; mas alguém disse que esta era a única oportunidade que tínhamos para agradecer à vovó todas as alegrias que nos havia proporcionado.

E as histórias e canções que embelezavam a nossa casa calaram se, encerradas naquele negro cofre, e nunca mais voltaram! E então, alguma coisa de muito doce faltou às nossas vidas. Foi como se nos tivessem expulsado de um mundo encantado e maravilhoso, cujas portas, sempre abertas, que tínhamos a liberdade de transpor, conforme a nossa fantasia, se tivessem fechado de repente e para sempre! E ninguém mais havia que fosse capaz de abri-las!

Pouco a pouco, aprendemos a brincar com bonecas e demais brinquedos e a viver como vivem as outras crianças; dávamos, então, a impressão de que, embora recordássemos sempre a nossa avó, não sentíamos muito a sua falta.

No entanto, todos os dias –  e já quarenta anos são passados! –  quando me disponho a reunir numa coleção todas as legendas sobre Cristo, ouvidas no Oriente, dentro de mim desperta a lembrança da pequena história de Jesus, como a contava minha avó, e com tal clareza que me sinto impelida a incluí-la neste livro!

Era dia de Natal. Toda a família se tinha dirigido à igreja, menos minha avó e eu. Creio mesmo que em casa ninguém mais ficara. Estávamos, portanto, completamente sós. Não tínhamos tido permissão de acompanhar os demais, por ser uma já muito velha e a outra ainda muito jovem. E estávamos ambas muito tristes por não termos ido à Missa do Galo, nem ouvido os cânticos, nem visto as grandes candeias de Natal.

Então, reunidas na nossa solidão, minha avó começou a contar uma história.

–  Havia um homem –  disse ela –  que, já noite escura, saiu de casa para arranjar emprestada uma brasa, a fim de acender o fogo.

Batendo às portas das cabanas, ele dizia:

–  Meu caro amigo, ajuda me. Minha Esposa acaba de dar à luz um Menino e eu preciso fazer fogo para aquecê-la e ao pequenino.

E ia de cabana em cabana. Mas a noite já estava muito adiantada; todo o mundo dormia e ninguém lhe respondia. E o homem caminhava, caminhava. De repente, longe, muito fora da estrada, uma luz brilhou; apressado e ansioso, o homem seguiu naquela direção, na esperança de encontrar auxílio; porém, com surpresa, viu que não se tratava de uma habitação, mas de uma fogueira ateada ao relento.

À sua volta, uma porção de carneiros dormia, guardada por um velho pastor que, sentado, os contemplava. Quando o homem, que desejava uma brasa emprestada, chegou junto ao rebanho, três enormes cães, que até aí dormitavam aos pés do pastor, ergueram se rápidos e fizeram menção de latir. Mas foram vãos os seus esforços. Nenhum som foi emitido.

O estrangeiro pôde ver, então, os pêlos eriçados dos animais e os afiados dentes, muito alvos, cintilando à luz do fogo. Súbito, como movidos por uma única mola, os três cães arremessaram se furiosamente contra ele, abocanhando lhe um, a perna; outro a mão; enquanto o terceiro se atirava à sua garganta.

Porém, nem goelas, nem dentes obedeceram aos ferozes instintos; o homem não sofreu o menor dano. Por isto, pensou em se aproximar mais, a fim de obter o que tanto necessitava. Mas os carneiros, deitados lado a lado, estavam de tal modo juntos que era de todo impossível passar entre eles. Então o homem passou sobre eles, caminhou sobre seus dorsos, em direção à fogueira, e nem um animal acordou ou se moveu!

Até este ponto, vovó tinha feito a sua narrativa sem a mínima interrupção. Mas neste ponto não pude conter a curiosidade que me dominava.

–  Por que é que os animais fizeram isto, vovó? perguntei.

– Você saberá daqui a pouco –  respondeu minha avó.

Quando o homem estava quase alcançando a fogueira, o pastor o olhou. Era o pastor velho rude, áspero e cruel para com os seres humanos. Ao ver o estrangeiro, que serenamente se adiantava, tomou o longo e aguçado cajado que trazia sempre consigo, quando vigiava o rebanho, e o atirou contra ele. O cajado partiu célere, mas, antes de alcançar o seu objetivo, voltou sobre si mesmo e, sibilando, foi cair longe, entre o feno.

Aqui, interrompi vovó novamente.

–  Vovó! Por que é que o cajado não quis ferir o homem?

Mas vovó não perdeu tempo em responder e a história continuou.

–  Então o desconhecido chegou se ao pastor e disse lhe:

–  Bom homem, ajuda me, empresta me algumas brasas. Minha Esposa acaba de dar à luz um Menino e eu preciso fazer fogo para aquecê-La e ao Pequenino.

Pareceu ao rude pastor que um pedido tão estranho nunca lhe houvera sido feito, e preparou se para recusar quando, em tempo, se lembrou de que àquele homem os cães não tinham podido morder; que aos seus pés os carneiros se tinham imobilizado e que o cajado, para o não ferir, se tinha atirado no meio do feno e, então, um supersticioso terror o dominou. Não ousando negar, respondeu:

–  Leva quanto necessitares.

Porém, a fogueira estava acesa ao relento; não havia ali nem uma acha, nem galho abandonado; somente uma enorme pilha de rubros carvões, e o desconhecido não trazia consigo nem pá, nem enxada, com que pudesse transportar uma só daquelas ardentes pedras.

Percebendo isso, o pastor repetiu:

–  Leva quanto necessitares.

E estava alegre o velho, pois o homem não tinha possibilidade de levar sequer uma brasa. O desconhecido, porém, abaixou se e, dentre as cinzas, com as próprias mãos nuas, retirou um punhado de brasas e as colocou dentro do manto. E suas mãos não foram queimadas! E seu manto nem chamuscado ficou! E as pedras de fogo foram transportadas como se maças ou nozes fossem!

Aqui a narradora foi interrompida pela terceira vez:

– Vovó, por que é que o fogo não queimou o homem?   perguntei, cheia de admiração.

– Isto você saberá depois –  e vovó continuou: quando o pastor viu tudo isto, maravilhou- se.

–  Que espécie de noite é esta? –  pensou ele –  na qual os cães não mordem, o rebanho não foge, o cajado não fere e o fogo não queima?

E, chamando o desconhecido, já de regresso, disse lhe:

–  Que espécie de noite é esta? Que aconteceu, para que todas as coisas manifestem compaixão?

Ao que o homem respondeu:

–  Nada te posso dizer, vem e vê!

E tratou de seguir seu caminho, a fim de bem depressa chegar e fazer fogo para aquecer a sua Esposa e a Criança. Mas o pastor não queria perder o homem de vista, sem encontrar uma razão para aqueles presságios. Levantou se, pois, e o seguiu até o lugar em que vivia. Com surpresa, constatou que o homem nem cabana tinha para morar e que tanto sua Esposa como a Criança estavam no chão de uma gruta na montanha, onde nada havia, a não serem as frias e nuas paredes de pedra.

E, olhando a pobre e inocente Criança, o velho pastor pensou que ela talvez fosse morrer de frio ali dentro; apesar de rude, sentiu se tocado por um doce sentimento de compaixão e resolveu salvá-Lo. Desprendeu dos ombros a mochila, tirou de si a macia e branca pele de ovelha e deu a ao desconhecido, dizendo lhe que o Menino dormiria melhor agasalhado nela.

Logo após esta demonstração de misericórdia, os seus olhos foram abertos e ele viu o que antes não pudera ver e ouviu o que antes não pudera ouvir. E percebeu que se achava cercado de inúmeros Anjos de prateadas asas que, de pé, cantavam, em gloriosos tons, que havia nascido o Salvador. Aquele que redimiria o mundo dos seus pecados. E o velho pastor compreendeu que a terra era tão feliz naquela noite bendita, que tinha, por momento, esquecido o mal.

Mas os Anjos não estavam apenas à volta do pastor, ele os via por toda a parte. Havia- os dentro da gruta, havia os pela montanha e sob os Céus revoando. Vinham em profusão e, passando, lançavam sobre a Criança um doce e rápido olhar. Quanto júbilo! Quanto deslumbramento! Que de cânticos e melodias! Tudo o pastor viu na noite escura, ele que, antes, nada pudera ver!

E, então, transbordante de felicidade, o velho e rude homem caiu de joelhos e rendeu graças ao Senhor! Aqui, vovó suspirou e disse:

–  E o que aquele pastor viu nós podíamos também ver, se nos fosse permitido, pois em toda véspera do Natal os Anjos descem voando dos Céus. Passando, depois, a mão sobre a minha cabeça, disse:

–  Você não deve jamais esquecer isto, pois que é verdade que eu vejo você e você me vê. Isto não será revelado à luz de lâmpadas ou candeias; não depende do sol, nem da lua; o que é necessário é que tenhamos olhos capazes de ver a Glória de Deus.”