Advento? O que é isto?

Arautos em São Paulo: “Advento? O que é isto?”

Uma atmosfera de ternura e carinho começa a penetrar em nossas almas! Mas qual é a origem de tal sentimento?

-Ora!!! Não está sentindo o aroma de natal que se aproxima?

-Ah… sim meu amigo, mas vamos com calma, pois a vinda do menino Jesus já começa se fazer sentir: é verdade. Mas antes, devemos preparar com ardente desejo por meio do recolhimento e das orações que a Santa Igreja nos oferece para nos prepararmos para a chegada daquele que é o esperado das nações e que foi anunciado pelos profetas….Este é o tempo litúrgico do advento! Falemos um pouco dele.

Os paramentos deste tempo litúrgico (casulaestoladalmática etc.) são de cor roxa para atestar sobriedade e uma discreta alegria que chegará ao seu pináculo apenas no dia de Natal. Os sacerdotes revestem-se com paramentos de cor roxa usado desde as I Vésperas do I Domingo do Advento até a última missa que antecede a da Noite de Natal, e indica a espera do Messias, através da  equilíbrio e sobriedade, uma vez que a Igreja neste período do advento exorta os fiéis a prepararem suas  almas com clamores e  súplicas elevadas ao céu,  como nos ensina o Livro do Eclesiástico: a prece do justo atravessa as nuvens (Cf. Eclesiástico). De maneira que a Providência Divina faça chover o Justo do mais alto dos céus, como faz menção o cântico gregoriano Rorate Caeli: “et nubes pluant justum,” (que as nuvens façam chover O Justo).

A palavra Advento  tem sua origem latina, do Adventus, que quer dizer: chegada. Esse tempo litúrgico tem seu início nas vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e se prolonga até as primeiras vésperas do Santo Natal, contando com quatro domingos.

Se canta o Glória somente no dia da festa do Natal, para que toda a cristandade una-se aos Anjos entoando este hino como um  cântico novo, como nos diz São Pedro.

O advento é um período de conversão. É, portanto tempo de penitência, ou seja, de “metanoia,” que significa “mudança de espírito”. Algumas normas estabelecidas pela CNBB orientam-nos neste tempo: a ornamentação das flores e  o uso dos instrumentos musicais sejam usados nas renovação do Santo sacrifício com moderação, para que não seja antecipada a  magna alegria da Natividade do Salvador.

No terceiro domingo do Advento, há o chamado domingo Gaudete ou da Alegria. Os sacerdotes são revestidos com paramentos litúrgicos de cores róseas que são a junção das cores roxas e brancos para indicar a alegria da vinda do Salvador que está se aproximando.

Portanto, por intercessão de Maria Santíssima, Virgem das virgens, unamo-nos a Ela em preces e súplicas ao Pai celeste, para que ao nascer o Menino Jesus junto ao presépio, estejamos genuflexos aos pés da manjedoura, para adorarmos com todo vigor de nossas almas àquele que nos trouxe a salvação e abriu-nos as portas do céu.

_____________________________________________  Nathan Ruach

Os caminhos da vida…

A vida do homem sobre a terra é uma luta, já dizia a Escritura no livro de Jó. É ao mesmo um campo de batalha e uma encruzilhada, pois, quantos caminhos diferentes pode-se tomar na vida? Certamente muitos… e que conduzem cada qual a um determinado fim; alguns felizes, outros nem tanto…

Uma pequena lenda muitas vezes pode elucidar grandes verdades. Vejamos…

“Encaminhavam‑se três viajantes para um país longínquo, em busca de honras e fortunas. Por algum tempo, andaram juntos, consultando o mesmo roteiro, comendo do mesmo pão e dormindo sob a mesma tenda.

Apesar de ser o rumo determinado com relativa facilidade pelas constelações, começaram eles a preocupar‑se com os acidentes do terreno e bem cedo suas opiniões se dividiram. Por esse tempo, atravessavam uma vasta zona deserta e sentiram‑se aflitos ao ver quase terminada a provisão de água. Temendo as torturas da sede, depois de acalorada discussão, resolveram separar‑se dois deles, tomando caminhos que lhes pareciam mais razoáveis.

O primeiro, desprezando o mapa, que levavam, saiu sozinho pelo areal ardente, ansioso por achar uma fonte e depois o país remoto. Andou dias e dias, até se esgotarem todos os recursos para a longa viagem. Em meio de sua angústia, entreviu, ao longe, um córrego de águas cristalinas. Correu para ele, fazendo os derradeiros esforços para chegar à margem. Mas tombou moribundo e sem esperanças, quando verificou que a corrente era apenas uma enganadora miragem.

O segundo viajante também desprezou o roteiro e seguiu o rumo aconselhado por outros, antes da partida, homens que jamais quiseram arriscar‑se a empreender a perigosa jornada. Após alguns dias de inauditas canseiras, viu, à distância, o que lhe pareceu um lago. Estugou o passo até chegar à margem e exultou de alegria ao ver que tinha água fresca à disposição. Mas sofreu, em seguida, decepção amarga, ao provar da água e verificar que era salgada. Tinha diante de si apenas um braço de mar, avançando por solitárias regiões. Ali mesmo expirou exânime o louco aventureiro.

Mas o terceiro caminhante agiu doutro modo. Assentado na areia, poupando as forças, examinou detidamente o roteiro, orientou‑se pelas estrelas e foi‑lhe fácil, afinal, acertar com uma quase apagada vereda. Alcançou breve um delicioso oásis, onde descansou, comeu frutos e bebeu água fresca e límpida. Uma caravana que passava, levou‑o seguramente à terra desejada e aí encontrou muito mais do que havia sonhado em honras e riqueza!

Um velho contou esta história à um grupo de jovens, que o escutava atentamente e acrescentou:

‑ Meus filhos: o roteiro, que nos ensina o caminho para o país longínquo, é a Palavra de Deus, Nosso Senhor.

O primeiro viajante é o homem que, desprezando os ensinamentos sagrados, deixando de olhar para o alto e preocupando‑se apenas com os interesses mundanos, se dirige tão somente com a fraca luz de sua inteligência. No final da vida, verifica que perseguiu miragens enganadoras e já não tem mais forças nem tempo para retroceder.

O segundo viajante é o que espera achar o rumo através da filosofia e da opinião dos homens. Segue conselhos, faz esforços bem intencionados, porém tudo em vão, porque seus conselheiros são homens que apenas dizem: “Fazei assim”, e eles mesmos nunca empreenderam a heróica jornada.

Mas o terceiro viajante é o que lê atentamente a Sagrada Escritura, medita nos seus profundos ensinamentos, olha para o alto e obedece com fidelidade aos divinos preceitos. A despeito de toda a aridez da vida, não tarda a encontra‑se no consolador oásis da fé e são as virtudes evangélicas que o levam, pela graça divina, à presença de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quereis um conselho? Não desprezes, filhos meus, esse roteiro, enquanto fazeis vossa jornada pelo caminho da vida!”

Athalicio Pithan

Santa Teresinha: Padroeira da Comunhão diária

Quem nunca ouviu falar de Santa Teresinha do Menino Jesus? A singela freira que viveu nas solidões do convento de Lisieux, e que mais tarde foi coroada com o título de Padroeira das Missões, sem sequer sair das paredes de sua reclusão religiosa… Por quê? Porque sua ardente caridade, identificando-se no coração da Igreja, propugnou as missões mais longínquas.

Seu exemplo não se limitou ao ardor missionário, mas também brilhou seu fervor eucarístico. Com efeito, naquele então ainda não havia o privilégio de uma dupla Comunhão no dia, nem mesmo o costume de comungar a cada dia. A influência do jansenismo se alastrou poderosamente em todos os ambientes religiosos. Somente se comungava com o consentimento do confessor. Ora, Teresinha, apesar de ser autorizada a comungar 4 a 5 vezes por semana, tinha o desejo de fazê-lo todos os dias, muito embora não se atrevesse a pedir-lhe[1]. Porém o que estava impedida de fazer na terra, certamente poderia modificar-se na eternidade. Prometeu que, estando no Céu, haveria de trabalhar para que fosse mudada a regulamentação acerca da recepção da comunhão[2]. De fato, foi o que ocorreu algum tempo depois: «quando o Papa Pio X tomou conhecimento do ensinamento dessa carta teresiana, disse: “Oportuníssimo! Oportuníssimo!”»[3]

São Pio X, associando aos escritos de Santa Teresinha outros acontecimentos na história da Igreja, mandou publicar o decreto Quam Singulari[4], o qual, além de favorecer a Comunhão aos infantes, incentivou a recepção frequente e diária do Corpo de Jesus Sacramentado.

A Santa de Lisieux, em maio de 1889, assim escreve à Irmã Maria Guérin, a qual sofria de grandes escrúpulos:

“Irmãzinha querida, comunga muitas vezes, muitas vezes… Eis aí o único remédio, se queres te curar. Não foi sem razão que Jesus pôs esta atração em tua alma. (Creio que ele ficaria contente se puderes recuperar as tuas duas Comunhões perdidas. Então, a vitória do demônio seria menor, pois não teria conseguido afastar Jesus de teu coração.) Não tenhas medo de amar demasiadamente Nossa Senhora. Nunca a amarás suficientemente, e Jesus estará bem feliz, pois a Santíssima Virgem é sua Mãe.”

Desta forma, bem se poderia considerar Santa Teresinha como padroeira não somente das missões, mas também da Comunhão frequente, quiçá, diária.

Seu amor por Nosso Senhor a acompanhou em toda a sua vida, de tal sorte que até mesmo a morte não lhe causava medo, mas antes alegria. Mons. João S. Clá Dias, EP, numa de suas homilias assim comenta os últimos momentos desta alma abrasada:

“Santa Terezinha do Menino Jesus, jovem, juveníssima, quando no meio da sua tuberculose teve uma hemoptise à noite, aguentou até de manhã para não olhar, pois fez a penitência de não olhar o que tinha saído de seus lábios. Porque se fosse sangue ela teria uma alegria tão grande que seria intemperante. Então, ela aguentou até o amanhecer. Quando amanheceu e ela viu que era sangue mesmo e que, portanto, a morte se aproximava uma alegria invadiu sua alma.

E quantos santos ao saírem desta vida estão cheios de alegria e gratidão. Por quê? Porque chegou a hora de nascer para o Céu. O santo não considera a morte como uma tragédia. Ele considera como uma passagem maravilhosa desta vida para a outra. E não considera uma morte, mas considera um nascimento.”[5]

Peçamos a intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus para sermos almas eucarísticas e para, no término desta vida, podermos compartilhar da mesma alegria nos Céus.


[1] Consta na Positio de Santa Teresinha, nas p. 289-290. Cf. Também CAVALCANTE, 1997, pp. 215-216.

[2] Cfr. P. T. Cavalcante, Dicionário de Santa Teresinha, Paulus, São Paulo, 1997, p. 118.

[3] P. T. Cavalcante, Dicionário de Santa Teresinha, p. 118.

[4] Cfr. S. CONGREGATIO DE SACRAMENTIS, Decretum: Quam singulari, (8 Augusti 1910) in AAS II  (1910), pp. 577-583.

[5] CLÁ DIAS, Mons. João S.. Homilia de 29 jun. 2008.

Como faço para marcar a História? – II

É possível ser lembrado pela História? É a pergunta que o caro leitor fez, e que começou a encontrar a almejada resposta no último artigo com este nome. Era a história de Flaminio, que, às portas da morte, pediu a Deus que lhe concedesse uma póstuma memória, através dos versos de seu filho. Ao que, aliás, Deus acedeu… mas não como ele imaginava…

Passado o tempo estimado, Flaminio voltou a sua Roma. Diferente de tudo o que já tinha visto, procurou aquedutos de pedra, fortes milicianos Romanos, faustosos palácios; entretanto, Flaminio viu casas feitas de um material diferente, objetos metálicos que circulavam, e imensos templos. Perambulando pela rua, ele queria logo ouvir o verso de seu filho, que proferido pelas bocas mais jovens, devia ser as alegrias das boas mães. Entretanto, guiado por um anjo, foi posto à frente de um suntuoso edifício. Perguntando se era ali que ouviria as imortais palavras que fariam sua lembrança ser eterna, entrou com ênfase e energia. No momento que adentrava, Flaminio viu uma multidão de pessoas, todas voltadas para frente. Então, um homem, com uma roupa diferente, ostentou um cálice e um pedaço de algo que parecia pão, à toda aquela assembleia, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, e todos responderam: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.”

Então, o anjo lhe disse que já era hora de voltar. Queixando-se, Flaminio comentou que ainda não ouvira o tal verso. Porém, o anjo, olhando-o com santa ternura, lhe replicou:

– “Flaminio, acaso não percebestes que estas são as palavras de teu filho Cornélio?”

– “Meu filho que fez-se soldado?”

– “Este mesmo. Não foram as palavras soberbas de Tito, o poeta, que a ti trariam eterna memória, caro Flaminio; mas sim as palavras sinceras e cheias de fé de teu filho centurião, que ditas diante do homem Deus com humildade e respeito, serão lembradas até o fim do mundo…”

Acho que isto responde a tua cara indagação, amigo leitor. O único modo de marcarmos a História é seguirmos a estória: Não serão palavras e gestos de vaidade, mas unicamente uma vida resoluta de fé, esperança e caridade.

O papel das imagens na piedade católica

Quando entramos numa igreja, geralmente nossa atitude é de primeiro se ajoelhar diante do Santíssimo Sacramento que lá se faz presente e de fazer uma reverência à imagem de Nossa Senhora ou de algum santo que a igreja possua.

Ora, Deus no Êxodo (20, 4), proíbe o povo eleito de confeccionar qualquer imagem sob o risco de cair em idolatria. Então porque, os católicos, que não adoram imagens, as confeccionam e veneram?

Esta é uma pergunta curiosa. O próprio Deus (Ex 25, 17-22) mandou Moisés colocar dois querubins de ouro sobre o Propiciatório da Arca, e era através deste Propiciatório que Deus falava com o povo. Quando Deus mandou serpentes no deserto para castigo do povo que se tinha revoltado, ao aplacar Sua cólera, mandou que Moisés construísse uma serpente de bronze que curava todo aquele que a olhasse (Nm 21, 4-9). O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, durante toda Sua vida pública, utilizava-se de parábolas, símbolos e imagens para instruir o povo ou reprender suas ações.

Nos primeiros tempos da Igreja, os cristãos, utilizavam imagens nas catacumbas como de Noé, Daniel e a imagem do peixe que simbolizava a Cristo. Mas para que servem as imagens na piedade católica? São Gregório já dizia:

“Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, a outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler” (Epíst. XI 13 PL 77, 1128c).

São Gregório de Nissa (+394) observava: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (Panegírico de S. Teodoro, PG 46, 737 d).

São João Damasceno (+749) proclamava: “O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” (De imaginibus I 17 PG 94, 1248 c).

Tanto as imagens, quanto os vitrais eram considerados como: a Bíblia dos pobres.

Mas o significado não é só isto. Quando queremos lembrarmo-nos de algum parente muito caro que faleceu, pegamos uma foto que temos de recordação e começamos a lembrar todos os tempos que passamos junto a ele, para tentar matar a saudade, o que nos dá a ideia de que ele se faz presente ao nosso lado. Assim também, quando queremos um convívio com algum santo ou com a própria Mãe de Deus buscamo-los através das imagens que simbolizam nossa devoção.

E não é em vão que se estabeleceu o culto das imagens, porque temos imagens que milagrosamente choraram, que milagrosamente foram esculpidas, enfim, que grandemente nos transmitem uma piedade sobrenatural e nos transportam ao convívio celeste.

O mundo dourado

No início deste mês de setembro, quem anda pelas ruas de São Paulo, repara em vários locais da cidade uma coloração diferente: o amarelo.

São os ipês, árvores muito curiosas, que mantém seus botões fechados até determinado momento do ano. Numa bela manhã, geralmente na primeira semana de setembro, observa-se que todos os botões estão abertos e suas flores aparecendo à luz do sol.

E os ipês se mostram eufóricos por estarem sob essa intensa ação do sol, o que os deixa particularmente atraentes.

Monsenhor João Clá Dias, EP,  sempre incentivou os Arautos a não ficarem somente na visão material da natureza, mas procurar nela a relação mais profunda com o homem.

A primeira reação de quem olha esta maravilha da natureza tem um primeiro deslumbramento no qual a análise não é possível.
Não é que não haja uma análise. Estar deslumbrado é analisar, é degustar e degustar é analisar. Mas é uma análise que não desce aos pormenores, não desce aos detalhes, se contenta com o esplendor do colorido e da linha geral. Mas depois das primeira floradas de ipê que alguém assista, a atenção se volta aos pormenores e então começa a ser analisado tudo aquilo quanto é o significado profundo daquela flor, o que é que ela significa na ordem do universo, o que é que ela significa na ordem da beleza, o que ela significa como expressão de Deus na vocação daquele país onde ela floresce, e assim, muitas outras considerações vêm ao espírito humano.

Sem dúvida, uma das mais belas árvores que há, o ipê simboliza determinados estados de espírito do homem ou situações da vida.
Assemelha-se ele a uma árvore ornada de magnífico manto dourado, conferindo um ar de corte onde se encontra. São sóis que reluzem em meio ao verde da mata, e suas flores reunidas em cachos de ouro estão a nos transmitir uma mensagem de esperança no porvir, nas promessas de Deus ainda não realizadas, mas que se cumprirão a seu tempo.

Vem-nos naturalmente à lembrança a poesia de Casimiro de Abreu:

“Ai que saudades que tenho
da aurora da minha vida,
De minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
O mundo é um sonho dourado,
A vida, um hino de amor!”

Andando novamente pelas ruas da cidade e vendo este “mundo que é um sonho dourado” neste mês de setembro, analisemos em cada ipê amarelo, a mensagem que este nos quer transmitir.

 

Como faço para marcar a História? – I

Caro leitor, devo dizer que vossa pergunta me intriga. Como fazer para desvendar semelhante questão? Pensei muito sobre o assunto, e, passeando pelos memorandos de meu compartimento intelectivo, achei uma história que lhe dá uma inusitada solução.

Há muito tempo, na época em que homens viviam de camelos e iluminavam as noites com velas, estava um velho homem a mendigar pequenas porções alimentícias, ao lado de um grande mercado árabe. Ele era romano de nascimento, porém havia se mudado com sua família para as terras quentes da África, onde estabelecera sólida casa ao leste da terras que hoje seria o leste de Marrocos. Nos primeiros anos de vida naquele deserto continente, tudo corria bem para o abastado Flaminio, como era o nome de nosso ancião personagem. Ele tinha toda sua atenção voltada ao primeiro filho, Tito, que era um verdadeiro poeta. Pessoas de toda parte vinham vê-lo declamar suas poesias, e cumprimentavam Flaminio pelo ótimo filho que tinha; era o jovem escritor que começava sua fama nas terras do pai. Entretanto, Tito, inchado de glória, decidiu partir com seus amigos para as longínquas regiões da Grécia. Deixando seu pai no abandono, partiu para nunca mais voltar. Contavam-se das proezas linguísticas de Tito na ilha dos filósofos, no entanto Flaminio nunca mais recebeu uma carta sua. Para sua maior tristeza, sua esposa morreu de rara doença um ano após a partida de seu primogênito. Flaminio tinha um segundo filho, mas, àquelas alturas, já tinha se alistado como soldado romano, e partira de casa ainda jovem. Assim, nosso velho personagem ficou pobre e solitário. Estabeleceu um ponto de descanso, e passava dias inteiros pedindo aos transeuntes do mercado árabe um resto de comida.

Passados anos, Flaminio, já muito magro e as portas da morte, presenciou uma disputa de dois beduínos em frente ao local que escolhera para mendigar. Tentando ajudar, recebeu uma punhalada de um dos contendores. Expirou deste modo Flaminio, o romano.

Diante de Deus, ele pediu um favor ao Criador. Pediu uma glória para sua família, e que um dos seus filhos continuasse a estirpe dos antigos flaminios, com honra e valor. Deus, vendo que seu pedido era sincero, declarou: “Flaminio, daqui a dezoito séculos voltarás a esta Terra, e verás que os versos de teu filho continuam e continuarão a se fazer ouvir por toda face.”

Flaminio exultou. Sabia que seu filho Tito haveria de levar seu nome por todos os tempos! Enfim achara ele um meio de marcar a História!

Entretanto, passado este período de anos, Flaminio voltou a sua terra natal, a grandiosa Roma. Esperava ansioso para ver as frases de seu filho. O que ele haveria de achar?

CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO…

_______________________________________________________________

                                                                                                                                       Guilherme Cueva

“E o nome da Virgem era Maria”

Maria de Fátima, Maria Aparecida, Maria da Graças são nomes que antigamente eram atribuídos às meninas por mães católicas em memória da Santíssima Virgem Maria.

Entretanto alguém já parou para pensar o que significam estes nomes? Certamente não. Por isso vamos expor diversos significados e mostrar que o nome da Virgem corresponde ao Seu chamado.

No idioma aramaico este nome significa “senhora” ou “princesa”. Ora Nossa Senhora era da estirpe real de Davi, portanto era uma princesa. Mas Sua realeza aumentou, estendendo-se à todas as criatura inclusive aos Anjos, porque Ela se tornou Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Criador e Regente do Universo, e foi coroada pela Santíssima Trindade ao subir aos Céus.

No idioma popular significa “A iluminadora”. Foi por Maria que Nosso Senhor Jesus Cristo entrou nesse mundo. Ela foi o caminho pelo qual a Luz do mundo veio iluminar as treva do pecado em que o mundo estava imerso. Ela ilumina as almas com Suas virtudes e Seus dons, com Sua obediência à Voz do Senhor : “Faça-se em Mim, segundo a Sua Palavra” (Lc. 1, 38).

No significado científico para o hebraico significa: “Formosa”. Diz o Cântico dos cânticos “Como és formosa, amiga minha! Como és bela!”(Ct. 1, 15), “És toda bela, ó minha amiga, e não há mancha em ti.” (Ct. 4, 15), nisso contemplamos a Imaculada Conceição da Santa Virgem Maria.

No idioma egípcio Maria significa “preferida de Deus”, pois Myr em egípcio significava a filha mais preferida e ya significava o Deus verdadeiro, Yahweh. Mostrando que Nossa Senhora é a Filha preferida por Deus, no dizer de Santa Isabel e que rezamos na Ave-Maria “bendita sois Vós entre as mulheres” (Lc. 1, 28).

E não podíamos deixar de mencionar a bela oração de São Bernardo louvando o Santíssimo Nome de Maria:

“E o nome da Virgem era Maria. Falemos um pouco desse nome que significa segundo se diz “estrela do mar”. E que convém maravilhosamente a Virgem Mãe. Ela é verdadeira mente esta estrela que deveria elevar-se sobre a imensidade do mar, toda brilhante de próprios méritos, radiante com os próprio exemplos.

Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta estrela.

Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria.

Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha estrela, invoca Maria.

Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação de tua alma, levanta os olhos para Maria.

Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despenhar no abismo do desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.

Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dEla, não negligencies os exemplos de sua vida.

Seguindo-A, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nEla, evitarás todo erro.

Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim.

E assim verificarás, por tua própria experiência, com quanta razão foi dito: “E o nome da Virgem era Maria”.

Saudades… No céu? Parte II

Aqui estamos nós de novo, caro leitor. Tanto tempo nos separou, que presumo que minha resposta foi mais que bem respondida. Afinal, saudades… no céu? Se veremos tudo com os olhos de Deus, e Deus vê tudo presente, como rememorarmos fatos de um passado não existente? Mas, se o céu é todo felicidade, como não existir as alegrias das saudades?

Antes de dar a solução, é necessário que esclareça um pontinho acerca do tema, para cairmos de sobeja na verdade.

Se tivermos a graça de, partindo desta vida, irmos para o céu, seremos beneficiados com a maior das graças: o convívio eterno com Deus. E, com mais alegria, sabemos que Deus nos emprestará sua visão, para olharmos os fatos da História com Sua Divina perspectiva.

E aí que está, caro leitor. Deus vê toda a história com um lance de olhar, ou seja, tudo no presente. Nós, porém, ao contemplar tudo com os olhos de Deus, não escaparemos do presente, do passado, ou do futuro. Nós poderemos mirar qualquer ponto da História que quisermos, em qualquer época, só que em momentos diferentes. Será, mais ou menos, como um binóculo que nós colocaremos: com ele vemos melhor, mas cada olhar corresponde a um período que queiramos ver de novo.

Assim, as saudades, tão saudáveis aqui na terra, não acabarão no céu. Pois, da eternidade, pode ser que fiquemos com vontade de ver as antigas eras de nossa vida, e, por benefício de Deus, ainda poderemos retornar ao que desejamos. Por exemplo: podemos sentir saudades do tempo em que passamos com nosso pai, que tanto amamos. Aqui na terra, limitam-se somente as lembranças; no céu, porém, não haverá limites.

Respondida a pergunta, caro leitor? Ficou satisfeito com a resposta? Agora sim, podemos dizer: Saudades? No céu!

A perfeita obra do anônimo

No dia em que se comemora o grande São Luis IX, rei de França, recordemos um fato ocorrido em seu tempo:

Voltemos um pouquinho na História e nos situemos no ambiente da França em meados do séc. XVIII. O grande rei São Luís estava muito desejoso de construir uma capela para seu palácio, mas não uma capela qualquer, teria de ser digna de acolher honrosamente a adorável relíquia que lhe fora dada: um espinho da coroa posta na cabeça de Nosso Senhor Jesus Cristo, durante Sua Paixão.

Então todo o reino ficou sabendo e muitos arquitetos se colocaram a trabalhar para ver quem conseguia desenhar um fabuloso edifício que fosse do agrado do rei.

Havia um jovem que também elaborou seus desenhos com a esperança de ser ele o famoso construtor de tal capela. Indo a Paris, encontrou-se com um seu amigo que também era arquiteto. Ao ver seus desenhos tomou-se de tamanha inveja e o matou, pois não podia suportar alguém que tivesse feito um desenho tão melhor que o seu.

Chegou ao palácio real. Exorbitante por achar-se sem concorrentes tentou entrar no palácio, mas uma força misteriosa e invisível o impediu. Tentou mais uma vez, e sem chance. Percebeu que isso era um castigo de Deus para ele, então pôs-se em desespero e a embriagar-se.

Um certo dia, um monge dominicano estava passando pela rua e encontrou nosso pobre arquiteto deitado na sarjeta e desesperançado. Cumprindo seu ofício foi consolá-lo e incutir-lhe confiança na bondade e misericórdia divina, ao que nosso jovem se reanimou e decidiu viver somente para a prática da religião.

Algum tempo depois, conheceu o filho de um pasteleiro chamado Pedro, que sonhava em ser um construtor de casas e não de saborosas guloseimas como seu pai. Compadecido do menino foi até o monge que lhe consolara e pediu-lhe permissão para dar seus desenhos ao menino para que esse fosse ao rei que ainda não encontrara o projeto ideal para sua capela. Mas colocou como condição de que se tal obra fosse escolhida ela iria se apresentar como a de um autor anônimo, ao que o monge consentiu.

Chegando ao palácio, Pedro apresentou os desenhos à sua majestade que se encantou com a obra e escolheu-a como o modelo perfeito, mas vendo que era tão bonita e duvidando de que aquele jovem a tinha desenhado, perguntou-lhe sobre seu autor. Pedro respondeu-lhe ter sido um arquiteto anônimo, mas que ele com o auxílio de Deus conseguiria levar a cabo a construção.

Pouco tempo depois estava construída a Saint-Chapelle uma magnífica igreja feita de pedras e vitrais coloridos que faz lembrar uma verdadeira caixinha de pedras preciosas que de muitas cores iluminam e impregnam o ambiente de recolhimento e benção.

Quanto àquele que a concebeu ninguém sabe seu nome, quanto ao monge que o acolheu era o grande São Tomás de Aquino que apesar com todos seus escritos não se comparariam com esta grande obra que beneficiou toda a Igreja e o retorno daquele filho pródigo à casa paterna.