“Tendo amado os seus, amou-os até o fim”

Arautos Granja Viana: “Tendo amado os seus, amou-os até o fim”

“Tendo amado os seus, amou-os até o fim” (Jo 13, 1). Palavras pungentes que se encontram no relato de São João sobre a Paixão de Cristo. Esta afirmação, feita pelo Redentor, à primeira vista parece indicar apenas que o amor de Nosso Senhor pelos seus é tal que nem na perspectiva da própria morte foi diminuído. De fato, é uma bela interpretação, porém, incompleta, como afirma Mons. João S. Clá Dias: Continue lendo ““Tendo amado os seus, amou-os até o fim””

Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia

Arautos Granja Viana: “Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia”

Na Quinta-Feira Santa a Igreja comemora a instituição da Sagrada Eucaristia. Com vistas a manifestar de uma forma sensível a majestade  da Ceia do Senhor, permite-se, neste dia, somente, a celebração de apenas um Sacrifício Eucarístico em cada igreja. A Missa de Quinta-Feira Santa é uma das mais solenes do ano litúrgico, onde também se comemora a instituição do ministério sacerdotal. Continue lendo “Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia”

Na aparente derrota, a vitória…

 

Arautos Granja Viana: “Na aparente derrota, a vitória…”

Eis que entramos na Semana Maior, mais conhecida como Semana Santa. Nestes dias vem-nos logo à memória a imagem do Divino Redentor chagado, flagelado, coroado de espinhos, escarnecido… Considerações que piedosamente nos conduzem a ter compaixão do Verbo encarnado. Sofrimento que padeceu por nós sem nada merecer… Continue lendo “Na aparente derrota, a vitória…”

“Ele nasceu para morrer por nós”

Quaresma! Estamos na quaresma. A Santa Igreja trocou o verde do tempo comum pelo roxo da penitência. Penitência que Deus quer que seus filhos pratiquem para apresentarem suas almas puras e limpas. Isto porque o próprio Cristo, contador da parábola do Filho pródigo, não considera tanto o começo quanto o fim de nossas obras. Se erramos, é lamentável; mas Ele nos dá a capacidade de arrependermo-nos de sincero coração, consertando nossos atos, esperando de Deus, que não despreza um coração arrependido, a salvação eterna, e, com ela, a felicidade.

Para introduzir o estado de espírito próprio a este período litúrgico, o Centro Juvenil dos Arautos em São Paulo foi objeto de uma oportunidade ímpar: uma conferência com Dom Benedito Beni dos Santos. O prelado, personagem de grande vulto no campo teológico, discorreu sabiamente sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e, de modo mais específico, sobre as palavras ditas pelo Redentor na Cruz.

Pela manhã, Dom Benedito Beni dos Santos teve diante de si um público jovem, tratando do tema acima destacado. Pela tarde, com igual lógica e clareza, tratou sobre os problemas aos quais está exposta a família em nossos dias e, por fim, celebrou solenemente a Santa Missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, localizada no Centro Juvenil.

Entre vários comentários acerca da Paixão, feitos pelo prelado nesta ocasião, colocamos alguns ao conhecimento do caro leitor:

“[Jesus Cristo] anuncia sua morte não como derrota, mas como glorificação: ‘chegou a hora em que o filho do homem será glorificado’. E, se nós pensarmos bem, a morte de Cristo foi de fato uma glorificação. Em primeiro lugar foi uma glorificação porque não foi um simples deixar de existir. Foi uma morte de martírio, testemunho supremo de sua fidelidade à missão do Pai.

A morte de Cristo foi uma glorificação porque foi uma morte redentora. Na Cruz, por amor, Ele oferece a vida a Deus Pai, mas oferece em nosso favor, para o nosso proveito, para a nossa salvação. Finalmente, sua morte na Cruz foi uma glorificação porque Ele morreu para ressuscitar.” (Dom Benedito Beni dos Santos).

 

Em plena vida… a morte

 Arautos Granja Viana: “Em plena vida… a morte”

Às vezes, grandes fatos perdem certas minúcias em meio às brumas do legendário e do mítico que os perpetuam ao longo da história. Os únicos dados que temos sobre o episódio a seguir é que se deu na Europa, durante a Idade Média, nem sequer conhecemos os personagens, pois nessa época as pessoas, sobretudo os religiosos, não se preocupavam em gravar seus nomes nas mentes alheias. Para comprovarmos esta opinião, basta sabermos que em uma Cartuxa da França foram encontrados vários corpos incorruptos, dos quais nunca se descobriram os nomes. A razão do anonimato é simples: Na regra de São Bruno, consta dentro do voto de obediência a obrigação de ser santo, portanto, não fizeram senão cumprir com o dever.

E foi nessas circunstâncias que se deu nosso fato: Um monge rezava caminhando com um outro frade, enquanto densas e escuras nuvens se formavam ao redor do local onde se situava o mosteiro. Como essas nuvens não cumprissem com sua ameaça de caudalosas chuvas, os irmãos contemplavam a impetuosidade divina, simbolizada pelos raios, que ao contrário da chuva, caíam torrencialmente.

Entretanto, não esperavam que a morte colhesse um deles em um relâmpago, no sentido literal da palavra. Após um intenso clarão acompanhado de estrondoso ruído, ambos foram por terra. Pouco tempo depois, ao recuperar a consciência, um dos frades notou que seu companheiro jazia no solo… carbonizado.

Como a Providência não permite que nada aconteça, sem que haja algum benefício para os justos, utilizou desse pretexto para inspirar o sobrevivente a compor um dos mais belos cânticos gregorianos que a Santa Igreja, no seu precioso e inefável tesouro, adotou para o tempo da Quaresma: o “Media Vita”.

Eis a letra do cântico:

Media vita in mórte súmus: quem quaérimus adjutórem, nísi te Dómine? qui pro peccátis nóstris júste irásceris:

Sáncte Déus, Sáncte fórtis, Sáncte miséricors Salvátor, amárae mórti ne trádas nos.

 In te speravérunt pátres nóstri; speravérunt, et liberásti éos. Ad te clamavérunt pátres nóstri; clamavérunt, et non sunt confúsi.

Tradução:

Em plena vida, deparamo-nos com a morte: em quem buscaremos auxílio senão em Vós, Senhor? Vós que com tanta razão Vos irais por nossos crimes. Santo Deus, Santo Forte, Santo Salvador misericordioso, não nos entregueis à amarga morte. Em Vós esperaram nossos pais; esperaram e foram libertados. A Vós clamaram nossos pais; clamaram e não foram confundidos.

(Extraído do jornal estudantil “Chez Nous”)

____________________________________________Rodrigo Portela

A Santa Mãe de Deus e seus títulos

Arautos Granja Viana: “A Santa Mãe de Deus e seus títulos”

Uma das maneiras de medirmos a grandeza de um nobre é conhecermos os seus títulos. Por exemplo, o Grand Condé, Luís II de Bourbon, contemporâneo de Luís XIV, possuía os seguintes títulos: Príncipe de Condé, Primeiro Príncipe de sangue real, Primeiro Par de França, Duque d’Enghien, Duque de Bourbonnais, Duque de Châteauroux, Duque de Montmorency, Cavaleiro das Ordens do Rei, Governador da Borgonha e Governador de Bresse.

Vemos que não é qualquer um esse Grand Condé. De fato, ele foi uma das glórias do reino de França.

O mesmo se passa com um rei ou com uma rainha. Seria um disparate dizer que cada título faz com que um Rei, uma Rainha ou um nobre seja outra pessoa. No caso do Grand Condé ele se multiplicaria em 10 pessoas, pois este é o número de seus títulos nobiliárquicos. Bem sabemos que isso não é assim, pois ele possui todos esses títulos.

Isso não se passa somente no campo nobiliárquico. Por exemplo, um Embaixador pode ser formado em Medicina, Catedrático de História, professor de diversos idiomas, etc. Então, vemos  que um só homem pode ter vários títulos.

Pode-se dar um exemplo mais fácil de se entender ainda: nossa mãe, a mesma que cuida de nós, vai ao supermercado, à feira, talvez tenha algum trabalho fora. Em nenhum momento ela deixa de ser a nossa mãe para ser a senhora que vai fazer compras. Ela será sempre a nossa mãe!

Se assim é com um nobre, com um embaixador, com uma mãe, muito mais será com Aquela que foi escolhida para ser Mãe de Deus, a Santíssima Virgem Maria! Nosso Senhor Jesus Cristo é o “Rei dos reis e Senhor dos senhores”, segundo está afirmado nas Sagradas Escrituras. Ora, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Rei, Nossa Senhora é Rainha, pois Ela é a Mãe do Rei.

Para se ter uma ideia só em um livro há 378 invocações de Nossa Senhora![1] Outro trata sobre os “mil nomes de Nossa Senhora”[2]!

São Bernardo disse que “de Maria nunquam satis – de Maria, nunca basta”, o que se pode dizer sobre Ela é inesgotável. A tal ponto isso é assim, que na Europa saem em média mil livros sobre Nossa Senhora, por ano!

Sobre esta frase de São Bernardo, comenta São Luis Maria Grignon de Montfort[3]: “Ainda não se louvou, exaltou, honrou, amou e serviu suficientemente a Maria, pois muito mais louvor, respeito, amor e serviço Ela merece. (…) Os Santos disseram coisas admiráveis desta Cidade Santa de Deus. (…) E, depois, proclamaram que é impossível perceber a altura de seus méritos, que Ela elevou até o trono da Divindade; que a largura de sua caridade mais extensa que a Terra, não se pode medir.”

Só para ilustrar melhor a afirmação que faz São Luís, é interessante conhecermos que a superfície da Terra é estimada em 510.065.500 Km2! Pois bem, São Luís diz que a caridade, o amor de Nossa Senhora a Deus é mais extenso que a Terra!

São Luís continua: “A profundeza de sua humildade e de todas as suas virtudes e graças são um abismo impossível de sondar!”

O maior Monte da Terra é o Everest, com 8.848 m! Onde há grandes montanhas, há grandes abismos, imaginem os que ali se podem encontrar! Isso não é nada em comparação com os “abismos” de virtude de Nossa Senhora!

Terminemos o que diz São Luís: “Os olhos não viram, o ouvido não ouviu, nem o coração do homem compreendeu as belezas, as grandezas e excelências de Maria, o milagre dos milagres da graça, da natureza e da glória.”

Em artigos futuros conheceremos alguns títulos de Nossa Senhora, não de todos, porque isso é impossível, dado a imensa quantidade de seus títulos e invocações.

(Retirado de artigo publicado pelo boletim: Triunfo do Imaculado coração de Maria).

 


[1] Cfr. Miryam, de Mário Fonseca.

[2] Cfr. Os Cinco Minutos de Maria, de Alfonso Milagro.

[3] São Luís Maria Grignon de Montfort, Tratato da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Vozes, Petrópolis, 1961, pp. 20-23.

Deus provê às nossas necessidades temporais…

Arautos Granja Viana: “Deus provê às nossas necessidades temporais”[1]

“A confiança, já o dissemos, é uma esperança heróica; não difere da esperança comum a todos os fiéis senão pelo seu grau de perfeição. Ela é, pois, exercida sobre os mesmos objetos que aquela virtude, mas por meio de atos mais intensos e vibrantes.

Como a esperança ordinária, a confiança espera do Pai Celeste todos os socorros que são necessários para se viver santamente aqui na terra e merecer a bem‑aventurança do Paraíso.

Ela espera, primeiramente, os bens temporais na medida em que estes nos podem conduzir ao fim último.

Nada mais lógico: não podemos ir à conquista do Céu à maneira dos puros espíritos; somos compostos de corpo e de alma. Este corpo que o Criador formou pelas suas mãos adoráveis é o companheiro inseparável da nossa existência terrestre; e sê‑lo‑á ainda da nossa sorte eterna depois da ressurreição geral. Não podemos prescindir da sua assistência na luta pela conquista da vida bem‑aventurada.

Ora, para sustentar‑se, para cumprir plenamente a sua tarefa, o corpo tem múltiplas exigências. Essas exigências, é preciso que a Providência as satisfaça; e ela fá‑lo magnificamente.

Deus encarrega‑se de prover às nossas necessidades temporais; cuida delas generosamente. Segue‑nos com olhar vigilante e não nos deixa na indigência. Perante as dificuldades materiais mais angustiantes, não nos devemos perturbar. Com uma certeza serena esperemos das mãos divinas o que é preciso para o sustento da nossa vida.

“Eu vos digo, declara o Salvador, não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem quanto ao vosso corpo com o que haveis de vestir. Porventura não é o corpo mais do que o vestido e a vida mais do que o alimento? Olhai para as aves do céu: Não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai Celeste alimenta‑as. Não valeis vós mais do que elas?…

“Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé?

“Não vos preocupeis, dizendo: Que comeremos nós, que beberemos, ou que vestiremos? Os pagãos, esses sim, afadigam‑se com tais coisas; porém, o vosso Pai Celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso.

“Procurai pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo” ([2]).

Não basta passar os olhos de relance sobre este discurso de Nosso Senhor. Importa que nele fixemos longamente a atenção, para procurarmos o seu significado profundo e nos deixarmos embeber pela sua doutrina.”

 


[1] THOMAS DE SAINT-LAURENT. O Livro da Confiança. Cap. III.

[2] ) Mt. 6, 25‑26 e 28‑33.

E o Verbo se fez carne…

Mais algum tempo e terá passado o Tempo do Natal, conforme nos ensina a Liturgia. Todavia, certamente não será tempo de esquecer os preciosos ensinamentos e esperanças que nos deu a Encarnação do Verbo de Deus, como lembra o Pe. Thomas de Saint-Laurent:

“O sábio constrói a casa sobre o rochedo: nem inundação, nem chuvas, nem tempestades a poderão lançar por terra. Para que o edifício da nossa confiança resista a todas as provas, preciso é que se eleve sobre bases inabaláveis.

“Quereis saber, diz São Francisco de Sales, que fundamento deve ter a nossa confiança? Deve basear‑se na infinita bondade de Deus e nos méritos da Morte e Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, com esta condição da nossa parte: a firme e total resolução de sermos inteiramente de Deus e de nos abandonarmos completamente e sem reservas à sua Providência” ([1]).

As razões de esperança são demasiado numerosas para que possamos citá‑las todas. Examinaremos aqui somente as que nos são fornecidas pela Encarnação do Verbo e pela Pessoa sagrada do Salvador. De resto, é Cristo em verdade a pedra angular ([2]) sobre a qual principalmente deve apoiar‑se a nossa vida interior.

Que confiança nos inspiraria o mistério da Encarnação, se nos esforçássemos por estudá‑lo de maneira menos superficial!…

Quem é essa criança que chora no presépio, quem é esse adolescente que trabalha na oficina de Nazaré, esse pregador que entusiasma multidões, esse taumaturgo que opera prodígios sem conta, essa vítima inocente que morre na Cruz?

É o Filho do Altíssimo, eterno e Deus como o Pai… é o Emanuel desde tanto tempo esperado; é Aquele que o Profeta chama o “Admirável, o Deus forte, o Príncipe da paz” ([3]).

Mas Jesus ‑ disto nos esquecemos frequentemente ‑ é nossa propriedade. Em todo o rigor do termo, Ele pertence‑nos; é nosso; temos sobre Ele direitos imprescritíveis, pois o Pai celeste no‑Lo deu. A Escritura assim o afirma: “O Filho de Deus nos foi dado” ([4]).

E São João, no seu Evangelho, diz também: “Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho Unigênito” ([5]).

Ora, se Cristo nos pertence, os méritos infinitos dos seus trabalhos, dos seus sofrimentos e da sua morte pertencem‑nos também. Sendo assim, como poderíamos perder a coragem? Entregando‑nos o Filho, o Pai do Céu deu‑nos a plenitude de todos os bens. Saibamos explorar largamente esse precioso tesouro.

Dirijamo‑nos, pois, aos Céus com santa audácia; e, em nome desse Redentor que é nosso, imploremos, sem hesitar, as graças que desejamos. Peçamos as bênçãos temporais e sobretudo o socorro da graça; para a nossa Pátria solicitemos paz e prosperidade; para a Igreja, calma e liberdade.

Essa oração será certamente atendida.” (O Livro da Confiança. Padre Thomas de Saint Laurent, cap. V.)

Certamente ainda é tempo de ver as comemorações natalinas que os arautos em São Paulo fizeram no decorrer deste período natalino. Veja mais fotos na página ÚLTIMAS ATIVIDADES, APRESENTAÇÕES NATALINAS…


[1] ) Les vrais entretiens spirituels. Ed. de Annecy, t. VI, p. 30.

[2] ) Cf. Atos, IV, 11.

[3] ) Isaías, 9, 6.

[4] ) Filius datus est nobis. Isaías, IX, 6.

[5] ) Jo. 3, 16.

A Igreja é a Estrela que nos leva a Belém!

Arautos em São Paulo: “A Igreja é a Estrela que nos lev

Tivemos ontem a comemoração litúrgica da Epifania do Senhor. A este propósito Mons. João S. Clá Dias, Fundador dos Arautos, tece o seguinte comentário acerca deste acontecimento:

“Chama-se festa dos Reis Magos, mas em realidade é a festa da Epifania. Essa festa vem desde o século terceiro, foi estabelecida primeiro no Oriente e, depois, assumida também pela Igreja Latina, pela Igreja do Ocidente. E ela representa a festa dos gentios. Porque é neste momento em que Nosso Senhor se manifesta especialmente para os que não são judeus.

Manifestou-se já, e tivemos isso por ocasião do Natal, aos pastores que são os mais próximos d’Ele que representam o povo judeu. E, agora, Ele chama do oriente esses reis para simbolizar todos os povos e a universalidade da Redenção. Ele veio para salvar a todos, de todas as classes, de todas as raças, de todos os cantos.

E hoje é a comemoração que a Igreja promove para exaltar e adorar a Nosso Senhor enquanto Deus. Ele no presépio e para os judeus Ele se manifesta enquanto Deus, Ele se manifesta enquanto Homem. Hoje Ele, homem, se manifesta enquanto Deus. Se não houvesse uma festa de Reis, como foi estabelecida por Pio XII, se não tivesse essa festa, hoje nós poderíamos considerar bem de perto e com toda a propriedade a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque são reis que vem prestar homenagem ao Rei dos reis.

E é, portanto, uma festa para nós do ocidente mais importante ainda do que o próprio Natal. Porque no Natal Ele se manifesta mais especialmente para os judeus e nesta de hoje Ele se manifesta a nós.

[…] nasce Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas Ele nasce numa terra judaica, em Belém, de uma mãe judia. Nasce para os judeus, porque chama os pastores. Dir-se-ia que Ele vem, portanto, com uma vocação estritamente feita para o povo judeu, para o povo eleito. […] Ele antecipa nesta festa dos Reis Magos o chamado das nações pagãs, das nações longínquas.

E vai mover esses reis que estão lá longe. Eles se põem a caminhar, pura e simplesmente, porque vêem a estrela e estavam estudando as profecias e sabiam que ia aparecer um rei, um salvador, que era um salvador das nações, mas especialmente para Israel, que era um rei dos judeus. E por isso eles se põem a caminho. Põe-se a caminho porque o Espírito Santo toca a alma deles como tocou as almas dos pastores, como tocou a alma de Simeão, como tocou a alma de tanta gente. É o Espírito Santo que promove esses movimentos.

E nós vemos que eles seguem, no meio dessas dificuldades todas, mas nós veremos depois, mais tarde, na história que se estabelece dentro do cristianismo quantos e quantos povos, quantas e quantas nações, quantas e quantas famílias, quantas e quantas pessoas vão também seguir a estrela. Que estrela? A estrela da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Porque a Igreja faz o papel do Espírito Santo. A Igreja distribui os sacramentos, a Igreja promove a santificação das almas, a Igreja distribui as graças, portanto. É a Igreja que faz o papel dessa estrela que cintila diante dos nossos olhos e que faz com que nós nos movimentemos e sigamos a voz interior. Porque ao mesmo tempo que a Igreja nos santifica com os seus sacramentos, com a sua palavra, ao mesmo tempo, também, o Espírito Santo fala no nosso interior.”[1]


[1] Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP. Homila na Epifania do Senhor, 06 jan. 2008.