O hábito faz o monge?

Arautos Granja Viana: “O hábito faz o monge?”

Em uma das recentes reuniões do “Projeto Futuro e Vida”, os jovens assistentes puderam desfrutar de um interessante e atraente tema: “O hábito faz o monge?”, palestrada pelo Diác. Lucas Gramiscelli E.P.

É comum o ditado “O hábito não faz o monge”, entretanto, será ele realmente verdadeiro?

Tendo por base pesquisas recentes, a respeito das vestimentas e de sua influência, o referido palestrante mostrou que, de fato, o hábito faz o monge…

Uma das pesquisas- estudo de 4 anos- foi elaborada por uma holandesa, Herlinde Koelbl, entitulada: “Kleider Machen Leute”, ou seja, “A roupa faz o homem”:

“Suas 70 fotografias retratam pessoas de diferentes áreas e grupos com uniformes/roupa de trabalho e em momentos casuais. Com o objetivo de mostrar que por trás de uma peça de pano, há muita coisa: as roupas podem se tornar uma moldura para o que somos. Em depoimentos, as pessoas afirmaram que ao colocarem os uniformes de trabalho, adotam uma postura totalmente distinta: muitos passam a ser mais confiantes, se sentem mais atraentes e poderosos. A linguagem do corpo muda e até a voz é imposta de forma diferente. A mudança também acontece entre as relações interpessoais: alguém fardado passa a ser olhado com mais respeito, admiração ou preconceito, dependendo do olhar da sociedade para determinadas profissões.”[1]

Outro estudo americano comprava que há significado social nas roupas que se usam e de que interferm nos processos cerebrais:

“Os pesquisadores, liderados por Adam Galinsky, realizaram três experiências usando jalecos brancos idênticos de médicos e pintores. Em todos os casos, as pessoas que vestiram as peças que seriam dos profissionais de saúde — a quem costuma ser atribuído um comportamento cuidadoso, rigoroso e atento — apresentaram melhores resultados em testes de atenção e percepção visual de erros. Houve quem apenas olhasse a roupa, mas quem a vestiu se saiu melhor.(…)

Para os cientistas, um dos pontos mais interessante do estudo é a possibilidade de compreender se o significado da roupa que vestimos afeta nossos processos psicológicos: ele altera a forma como nos aproximamos e interagimos com o mundo? Na opinião do psicólogo e autor do livro “Homens invisíveis” (Editora Globo), Fernando Braga da Costa, a resposta é sim: — Tudo o que é intelectual é guiado também pelo nosso equilíbrio emocional. Além disso, o que controla nossas vias neurológicas está relacionado com nossas emoções, cuja construção passa pelos relacionamentos e a concepção de valores sociais.[2]

Além das explicações e notícias, uma sketch teatral  com rimas pode ilustrar aos jovens um aprendizado moral sobre o assunto.


[1] Followthecolours.com.br

[2] O Globo – Juliana Câmara

Qual o meu destino?

Arautos Granja Viana: “Qual o meu destino?”

Qual é o meu destino? Pergunta comum para quanta gente. O  incomum é fazê-la em pleno feriado de carnaval… Todavia, foi justamente para responder a esse questionamento que vários jovens puderam participar de um simpósio no Centro Juvenil dos Arautos do Evangelho na grande São Paulo.

Porém, longe de se aventurarem em tentar descobrir as sendas do futuro por uma espécie de visão, os arautos apenas colocaram diante dos olhos de jovens provenientes de diversas cidades a verdade ensinada pela Igreja acerca do destino de todo homem, isto é, a eternidade. Todo homem, nesta terra, é peregrino, enquanto espera a hora de transpor os umbrais da eternidade. Para encontrar o quê? Depende de qual caminho tomou para chegar até lá…

Neste simpósio foram mostrados a esses jovens três caminhos seguros para chegar a um porto seguro na eternidade: a confissão, a comunhão, e a oração. Fazendo, assim, eco aos ensinamentos de Mons. João S. Clá Dias, Fundador dos Arautos do Evangelho:  “Aproximando-me sempre das vias dos Sacramentos, sobretudo do Sacramento da Eucaristia, do Sacramento da Confissão e com frequência, eu tenho sobre mim a promessa de Nosso Senhor: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, terá a vida eterna”. (Homilia de 11 fev. 2007).

Para levar a cabo tão laboriosa atividade recorreu-se, como de costume, às encenações teatrais e às palestras explicativas. Porém, entre umas e outras considerações acerca do mundo sobrenatural, também tiveram excelentes oportunidades para contemplar as belezas naturais como, por exemplo, na caminhada feita na segunda-feira rumo ao cume do monte Saboó, localizado na cidade de São Roque – SP.

Não deixe de ver as fotos desses últimos dias!

Clique aqui para ver mais fotografias

E o Verbo se fez carne…

Mais algum tempo e terá passado o Tempo do Natal, conforme nos ensina a Liturgia. Todavia, certamente não será tempo de esquecer os preciosos ensinamentos e esperanças que nos deu a Encarnação do Verbo de Deus, como lembra o Pe. Thomas de Saint-Laurent:

“O sábio constrói a casa sobre o rochedo: nem inundação, nem chuvas, nem tempestades a poderão lançar por terra. Para que o edifício da nossa confiança resista a todas as provas, preciso é que se eleve sobre bases inabaláveis.

“Quereis saber, diz São Francisco de Sales, que fundamento deve ter a nossa confiança? Deve basear‑se na infinita bondade de Deus e nos méritos da Morte e Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, com esta condição da nossa parte: a firme e total resolução de sermos inteiramente de Deus e de nos abandonarmos completamente e sem reservas à sua Providência” ([1]).

As razões de esperança são demasiado numerosas para que possamos citá‑las todas. Examinaremos aqui somente as que nos são fornecidas pela Encarnação do Verbo e pela Pessoa sagrada do Salvador. De resto, é Cristo em verdade a pedra angular ([2]) sobre a qual principalmente deve apoiar‑se a nossa vida interior.

Que confiança nos inspiraria o mistério da Encarnação, se nos esforçássemos por estudá‑lo de maneira menos superficial!…

Quem é essa criança que chora no presépio, quem é esse adolescente que trabalha na oficina de Nazaré, esse pregador que entusiasma multidões, esse taumaturgo que opera prodígios sem conta, essa vítima inocente que morre na Cruz?

É o Filho do Altíssimo, eterno e Deus como o Pai… é o Emanuel desde tanto tempo esperado; é Aquele que o Profeta chama o “Admirável, o Deus forte, o Príncipe da paz” ([3]).

Mas Jesus ‑ disto nos esquecemos frequentemente ‑ é nossa propriedade. Em todo o rigor do termo, Ele pertence‑nos; é nosso; temos sobre Ele direitos imprescritíveis, pois o Pai celeste no‑Lo deu. A Escritura assim o afirma: “O Filho de Deus nos foi dado” ([4]).

E São João, no seu Evangelho, diz também: “Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho Unigênito” ([5]).

Ora, se Cristo nos pertence, os méritos infinitos dos seus trabalhos, dos seus sofrimentos e da sua morte pertencem‑nos também. Sendo assim, como poderíamos perder a coragem? Entregando‑nos o Filho, o Pai do Céu deu‑nos a plenitude de todos os bens. Saibamos explorar largamente esse precioso tesouro.

Dirijamo‑nos, pois, aos Céus com santa audácia; e, em nome desse Redentor que é nosso, imploremos, sem hesitar, as graças que desejamos. Peçamos as bênçãos temporais e sobretudo o socorro da graça; para a nossa Pátria solicitemos paz e prosperidade; para a Igreja, calma e liberdade.

Essa oração será certamente atendida.” (O Livro da Confiança. Padre Thomas de Saint Laurent, cap. V.)

Certamente ainda é tempo de ver as comemorações natalinas que os arautos em São Paulo fizeram no decorrer deste período natalino. Veja mais fotos na página ÚLTIMAS ATIVIDADES, APRESENTAÇÕES NATALINAS…


[1] ) Les vrais entretiens spirituels. Ed. de Annecy, t. VI, p. 30.

[2] ) Cf. Atos, IV, 11.

[3] ) Isaías, 9, 6.

[4] ) Filius datus est nobis. Isaías, IX, 6.

[5] ) Jo. 3, 16.

Um Menino que transformou a História

 

“Entremos numa certa Gruta e ali veremos um Menino adorado por sua Mãe Santíssima e São José, reunidos em família, oferecendo mais glória a Deus do que toda a humanidade idólatra, e até mesmo mais do que os próprios Anjos do Céu em sua totalidade. Já em seu nascimento, numa singela manjedoura, aquele Divino Infante reparava os delírios de glória egoísta sofregamente procurada pelos pecadores. Ele se encarnou para fazer a vontade do Pai e, assim, dar-nos o perfeitíssimo exemplo de vida.” (CLÁ DIAS, Mons. João Scognamiglio. O Inédito sobre os Evangelhos. Cittá del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, p. 105-106, vol. V).

Ao acompanharmos a Liturgia nesses dias contemplamos o nascimento de um Menino, o qual, dividindo a História ao meio, merece perene louvor pelos séculos, representado pela solene oitava de comemoração do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Se enganaria quem julgasse o Natal como data passada, um dia mais festivo em meio às centenas de outros tantos. Certamente assim seria, se o nascimento comemorado fosse de qualquer um de nós e não de Deus, como de fato é. Nascimento de Deus? A pergunta mostra-se absurda em sua elaboração, pois quem é Deus obviamente não tem princípio. Todavia, o que para os homens parece absurdo, para Deus foi o meio escolhido para demonstrar aos mesmos homens, dignos de todo castigo, o amor e a condescendência d’Aquele que não se horrorizou em tomar nossa carne para nos reconduzir àquela pátria impossível de alcançar, não fosse a verdade de um tão admirável Natal.

Natal glorioso, mas ao mesmo tempo silencioso, repleto de luz e, entretanto, escondido em meio às trevas da meia-noite, cantado pelos Anjos do Céu, presenciado apenas pelos pastores da terra… Paradoxo sublime! Registrado nas páginas da História, lembrado nas canções… Canções? Sim, canções; e das mais variadas partes do mundo e épocas históricas. Foi precisamente para rememorar essas canções que os jovens do Projeto Futuro & Vida prepararam diversas apresentações natalinas neste fim de ano. Uma delas, e digna de nota, foi realizada na diretoria de ensino do município de Osasco – SP, como todos poderão acompanhar nas fotos deste post, e da página “ÚLTIMAS ATIVIDADES”, deste mesmo blog.

Como faço para marcar a História? – II

É possível ser lembrado pela História? É a pergunta que o caro leitor fez, e que começou a encontrar a almejada resposta no último artigo com este nome. Era a história de Flaminio, que, às portas da morte, pediu a Deus que lhe concedesse uma póstuma memória, através dos versos de seu filho. Ao que, aliás, Deus acedeu… mas não como ele imaginava…

Passado o tempo estimado, Flaminio voltou a sua Roma. Diferente de tudo o que já tinha visto, procurou aquedutos de pedra, fortes milicianos Romanos, faustosos palácios; entretanto, Flaminio viu casas feitas de um material diferente, objetos metálicos que circulavam, e imensos templos. Perambulando pela rua, ele queria logo ouvir o verso de seu filho, que proferido pelas bocas mais jovens, devia ser as alegrias das boas mães. Entretanto, guiado por um anjo, foi posto à frente de um suntuoso edifício. Perguntando se era ali que ouviria as imortais palavras que fariam sua lembrança ser eterna, entrou com ênfase e energia. No momento que adentrava, Flaminio viu uma multidão de pessoas, todas voltadas para frente. Então, um homem, com uma roupa diferente, ostentou um cálice e um pedaço de algo que parecia pão, à toda aquela assembleia, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, e todos responderam: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.”

Então, o anjo lhe disse que já era hora de voltar. Queixando-se, Flaminio comentou que ainda não ouvira o tal verso. Porém, o anjo, olhando-o com santa ternura, lhe replicou:

– “Flaminio, acaso não percebestes que estas são as palavras de teu filho Cornélio?”

– “Meu filho que fez-se soldado?”

– “Este mesmo. Não foram as palavras soberbas de Tito, o poeta, que a ti trariam eterna memória, caro Flaminio; mas sim as palavras sinceras e cheias de fé de teu filho centurião, que ditas diante do homem Deus com humildade e respeito, serão lembradas até o fim do mundo…”

Acho que isto responde a tua cara indagação, amigo leitor. O único modo de marcarmos a História é seguirmos a estória: Não serão palavras e gestos de vaidade, mas unicamente uma vida resoluta de fé, esperança e caridade.

O mundo dourado

No início deste mês de setembro, quem anda pelas ruas de São Paulo, repara em vários locais da cidade uma coloração diferente: o amarelo.

São os ipês, árvores muito curiosas, que mantém seus botões fechados até determinado momento do ano. Numa bela manhã, geralmente na primeira semana de setembro, observa-se que todos os botões estão abertos e suas flores aparecendo à luz do sol.

E os ipês se mostram eufóricos por estarem sob essa intensa ação do sol, o que os deixa particularmente atraentes.

Monsenhor João Clá Dias, EP,  sempre incentivou os Arautos a não ficarem somente na visão material da natureza, mas procurar nela a relação mais profunda com o homem.

A primeira reação de quem olha esta maravilha da natureza tem um primeiro deslumbramento no qual a análise não é possível.
Não é que não haja uma análise. Estar deslumbrado é analisar, é degustar e degustar é analisar. Mas é uma análise que não desce aos pormenores, não desce aos detalhes, se contenta com o esplendor do colorido e da linha geral. Mas depois das primeira floradas de ipê que alguém assista, a atenção se volta aos pormenores e então começa a ser analisado tudo aquilo quanto é o significado profundo daquela flor, o que é que ela significa na ordem do universo, o que é que ela significa na ordem da beleza, o que ela significa como expressão de Deus na vocação daquele país onde ela floresce, e assim, muitas outras considerações vêm ao espírito humano.

Sem dúvida, uma das mais belas árvores que há, o ipê simboliza determinados estados de espírito do homem ou situações da vida.
Assemelha-se ele a uma árvore ornada de magnífico manto dourado, conferindo um ar de corte onde se encontra. São sóis que reluzem em meio ao verde da mata, e suas flores reunidas em cachos de ouro estão a nos transmitir uma mensagem de esperança no porvir, nas promessas de Deus ainda não realizadas, mas que se cumprirão a seu tempo.

Vem-nos naturalmente à lembrança a poesia de Casimiro de Abreu:

“Ai que saudades que tenho
da aurora da minha vida,
De minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
O mundo é um sonho dourado,
A vida, um hino de amor!”

Andando novamente pelas ruas da cidade e vendo este “mundo que é um sonho dourado” neste mês de setembro, analisemos em cada ipê amarelo, a mensagem que este nos quer transmitir.

 

A “Boca de Ouro” da Igreja

Hoje a Igreja comemora um dos luminares da hagiografia, isto é, da história dos Santos: São João Crisóstomo. Se se pode dizer que sua vida foi comparável a um luminar, com mais ênfase se pode afirmar que suas palavras tinham o valor e o coruscar do mais fino ouro, tanto mais que lhe coube ao nome o acréscimo de “boca de ouro”, ou seja, crisóstomo…

São João Crisóstomo nasceu em Antioquia por volta de 349. Sua mãe, Santa Antusa, lhe deu uma educação eximiamente cristã, fazendo de sua própria casa um verdadeiro mosteiro religioso até a sua juventude. Quando faleceu sua mãe, o nosso santo contemplado hoje pela Igreja foi viver no deserto por seis anos. Todo o povo vendo a santidade desse homem providencial, decide chamá-lo para a cidade recebendo seu consentimento. Estando lá, é ordenado diácono e depois se prepara em cinco anos para o sacerdócio e para a pregação. Tornou-se um zeloso colaborador no governo da diocese de Antioquia através do seu pastoreio e pregação demonstrando uma grande cultura e, mais que tudo, uma evidente santidade.

São João de Antioquia – o sobre nome Crisóstomo (boca de ouro), foi-lhe conferido três séculos depois pelos bizantinos – tornou-se mais tarde patriarca de Constantinopla. Na capital do Oriente, ele promoveu procissões contra os arianos  – os quais incorreram na heresia de dizer que Nosso Senhor Jesus Cristo não era Deus e sim um grande homem dotado de poderes extraordinários -, também construiu hospitais, além de fazer uma eficaz evangelização na zona rural.

Através de seus sermões de fogo, que duravam horas, ele afervorava os tíbios, colocava medo nos hereges e confirmava na fé os que eram fervorosos. Porém, como algumas vezes acontece quando se é corrigido, isto é, não se aceitar a repreensão e, pelo contrário, pagar a repreensão com ódio. Foi o que aconteceu com São João Crisóstomo. Foi deposto e exilado ilegalmente por um conjunto de bispos de Constantinopla chefiados por Teófilo.

Após pouco tempo de exílio, São João foi reconduzido novamente a Constantinopla pelo imperador Arcádio, o qual fora atingido por várias desgraças que chegaram ao seu palácio. Mas como a vida de um santo é pervadida de fatos que a primeira vista não tem uma explicação humana, após dois meses o santo “boca de ouro” foi exilado novamente, primeiramente para a fronteira com a Armênia, depois para as margens do Mar Negro.

Faleceu neste exílio a 14 de setembro de 407, teve seu corpo transladado pelo filho de Arcádio, Teodósio, para Constantinopla e sendo recebido com todo fervor que ele merecia. O acervo com suas obras constitui verdadeiro tesouro para a Igreja Católica, e seus ensinamentos se perpetuaram pelos séculos. Se o leitor quer um exemplo da beleza de sua pregação e do zelo de suas palavras, veja o exemplo de um de seus sermões:

A Santa Cruz

*Junto da Cruz de Jesus estava Sua Mãe+. Viste essa vitória admirável? Viste os magníficos prodígios da Cruz? Posso dizer-te alguma coisa ainda mais admirável? Ouve o modo como se deu a vitória, e hás-de maravilhar-te ainda mais. Cristo venceu o diabo valendo-Se dos meios com que o diabo tinha vencido, e derrotou-o tomando as próprias armas que ele tinha usado. Ouve como o fez:

A virgem, o madeiro e a morte, foram os sinais da nossa derrota. A virgem era Eva, pois ainda não conhecera varão; o madeiro era a árvore; a morte, o castigo de Adão. E eis que também a virgem, o madeiro e a morte, que foram os sinais da nossa derrota, se tornaram os sinais da nossa vitória. Com efeito, em vez de Eva está Maria; em vez da árvore do bem e do mal, está o madeiro da Cruz; em vez da morte de Adão, está a morte de Cristo.

Vês como o demônio foi vencido pelos mesmos meios por que vencera? Na árvore, o diabo fez cair Adão; na árvore, Cristo derrotou o diabo. A primeira levava à região dos mortos; mas a segunda faz voltar até os que já para ali haviam descido. Do mesmo modo, a primeira árvore ocultou o homem já vencido e nu; esta, porém, mostrou a todos o vencedor, também nu, levantado ao alto.

Todos estes magníficos efeitos nos conseguiu a Cruz: a Cruz é troféu levantado contra os demônios, e uma espada contra o pecado, espada com a qual Cristo trespassou a serpente; a Cruz é a vontade do Pai, a glória do Seu Filho Unigênito, a alegria do Espírito Santo, a honra dos Anjos, a segurança da Igreja, o regozijo de São Paulo, a fortaleza dos Santos, a luz de toda a terra.

Fonte: São João Crisóstomo (cerca 345 – 407), Bispo de Antioquia, depois de Constantinopla, Doutor da Igreja, Sermão para Sexta feira Santa sobre a Cruz, 2 ; PG 49, 396 (trad. breviário)

 

O aniversário de Maria Santíssima

“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens. Eis que anuncio uma grande alegria!” Esta frase angelical que foi dita pela primeira vez na história, a qual ouvimos na liturgia de 25 de dezembro, nascimento do Menino Jesus, bem poderia ser antecipada ao mais augusto nascimento que já houve, para ser aplicada aquela Criatura que daria a luz ao Criador.

Os únicos nascimentos que a Igreja comemora na liturgia são o de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Nossa Senhora e de São João Batista, do qual foi dito pelo Divino Mestre que de todos os homens nascidos de mulher, ninguém foi tão grande como ele.

Nossa Senhora, nascida de São Joaquim e Santa Ana, foi a casa perfeita e completa construida pelas mãos de Deus para que Ele viesse habitar. Os mariólogos comentam que onde os grandes santos chegaram ao auge da santidade, a Virgem Santíssima começou a prática da virtude um pouco além do cume dos bem-aventurados. Concebida sem pecado original desde a sua concepção, ela nos deu a Virtude e a Vida por excelência, isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo, reparando assim todo o mal provocado pela primeira mulher da criação, Eva, que trouxe o pecado e a morte para a terra.

É costume entre as pessoas dar presentes para aqueles que fazem aniversário. Hoje é o aniversário de Nossa Senhora! Então, o que dar para aquela que nos fez abrir as portas do Céu, trazendo-nos o Redentor da Humanidade? Não temos nada de material a sua altura para oferecer a ela e por mais que tivéssemos, é bem certo que o que mais lhe agradaríamos nesse seu aniversário é fazermos um propósito sério de abraçar a santidade profundamente com todas as nossas forças. Com isso poderemos ter a certeza que Nossa Senhora do Céu esboçará um sorriso de tal modo maternal, cândido e capaz de operar tantas maravilhas que, se nós a víssemos, nos tornaríamos realmente santos instantaneamente!

Como faço para marcar a História? – I

Caro leitor, devo dizer que vossa pergunta me intriga. Como fazer para desvendar semelhante questão? Pensei muito sobre o assunto, e, passeando pelos memorandos de meu compartimento intelectivo, achei uma história que lhe dá uma inusitada solução.

Há muito tempo, na época em que homens viviam de camelos e iluminavam as noites com velas, estava um velho homem a mendigar pequenas porções alimentícias, ao lado de um grande mercado árabe. Ele era romano de nascimento, porém havia se mudado com sua família para as terras quentes da África, onde estabelecera sólida casa ao leste da terras que hoje seria o leste de Marrocos. Nos primeiros anos de vida naquele deserto continente, tudo corria bem para o abastado Flaminio, como era o nome de nosso ancião personagem. Ele tinha toda sua atenção voltada ao primeiro filho, Tito, que era um verdadeiro poeta. Pessoas de toda parte vinham vê-lo declamar suas poesias, e cumprimentavam Flaminio pelo ótimo filho que tinha; era o jovem escritor que começava sua fama nas terras do pai. Entretanto, Tito, inchado de glória, decidiu partir com seus amigos para as longínquas regiões da Grécia. Deixando seu pai no abandono, partiu para nunca mais voltar. Contavam-se das proezas linguísticas de Tito na ilha dos filósofos, no entanto Flaminio nunca mais recebeu uma carta sua. Para sua maior tristeza, sua esposa morreu de rara doença um ano após a partida de seu primogênito. Flaminio tinha um segundo filho, mas, àquelas alturas, já tinha se alistado como soldado romano, e partira de casa ainda jovem. Assim, nosso velho personagem ficou pobre e solitário. Estabeleceu um ponto de descanso, e passava dias inteiros pedindo aos transeuntes do mercado árabe um resto de comida.

Passados anos, Flaminio, já muito magro e as portas da morte, presenciou uma disputa de dois beduínos em frente ao local que escolhera para mendigar. Tentando ajudar, recebeu uma punhalada de um dos contendores. Expirou deste modo Flaminio, o romano.

Diante de Deus, ele pediu um favor ao Criador. Pediu uma glória para sua família, e que um dos seus filhos continuasse a estirpe dos antigos flaminios, com honra e valor. Deus, vendo que seu pedido era sincero, declarou: “Flaminio, daqui a dezoito séculos voltarás a esta Terra, e verás que os versos de teu filho continuam e continuarão a se fazer ouvir por toda face.”

Flaminio exultou. Sabia que seu filho Tito haveria de levar seu nome por todos os tempos! Enfim achara ele um meio de marcar a História!

Entretanto, passado este período de anos, Flaminio voltou a sua terra natal, a grandiosa Roma. Esperava ansioso para ver as frases de seu filho. O que ele haveria de achar?

CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO…

_______________________________________________________________

                                                                                                                                       Guilherme Cueva

A solução para todos os problemas

Haveria alguém que não tem problemas na vida? Bem difícil seria. Porém, uma vez que os problemas existem para todos, resta outra pergunta: haverá remédio para todos os problemas da vida? Existe, mas nem todos o utilizam…

A própria Santíssima Virgem foi quem nos deu a solução para nossos problemas. Mais seguro do que qualquer garantia humana, é precisamente na oração, e na oração feita a Ela, que haveremos de encontrar um porto seguro em meio aos vagalhões das preocupações de todos os dias.

Foi a São Domingos e ao Beato Alano de la Roche a quem foram dirigidas as seguintes promessas para aqueles que recitarem o Santo Rosário:

1)      Quem Me servir constantemente rezando o Meu Rosário, receberá qualquer graça especial.

2)      A todos aqueles que devotamente rezarem o Meu Saltério, prometo a Minha especialíssima proteção e grandes graças.

3)      O Rosário será uma arma potentíssima contra o inferno, destruirá os vícios e o pecado e abaterá as heresias.

4)      O Rosário fará florescer as virtudes e as obras santas, fará conseguir às almas as copiosas misericórdias de Deus, desapegará os corações dos homens do amor vão do mundo e os levantará ao desejo das coisas eternas. Oh, quantas almas se santificarão por este meio!

5)      A alma que se recomendar a Mim, com o Rosário, não perecerá.

6)      Todo aquele que rezar devotamente o Rosário com a contemplação dos seus sagrados mistérios, não será oprimido pelas desgraças, não será castigado pela justiça de Deus, e não morrerá de morte repentina, mas se converterá se for pecador, se conservará em graça, se for justo, e se fará digno da vida eterna.

7)      Os verdadeiros devotos do Meu Rosário não morrerão sem os Santíssimos Sacramentos.

8)      Os que rezarem o Meu Rosário terão em vida e na morte a luz e a plenitude da graça e em vida e na morte serão admitidos a participar dos méritos dos bem-aventurados do Céu.

9)      Os devotos do Meu Rosário que forem para o Purgatório Eu os libertarei no mesmo dia.

10)  Os verdadeiros filhos do Meu Rosário gozarão grande glória no Céu.

11)  Tudo o que for pedido pelo Rosário será concedido.

12)  Os que propagarem o Meu Rosário serão por Mim socorridos em todas as suas necessidades.

13)  Eu consegui do Meu divino Filho que todos os da Confraternidade do Rosário tenham, por seus confrades, todos os da corte celeste em vida e na morte.

14)  Os que rezarem o Meu Rosário são Meus filhos e irmãos de Jesus Cristo, Meu Unigênito.

15)  A devoção ao Meu Rosário é um grande sinal de predestinação.

 

Depois de tais promessas, e ainda feitas pela própria Santíssima Virgem, Ela que é a Salus Infirmorum, isto é, a Saúde dos enfermos, não há doença que fique sem cura, não há problema insolúvel, não há preocupação que nos tire a tranquilidade. O Rosário é, com efeito, um grande meio de nos unirmos a Deus e a Maria, obtermos a paz para nossa vida, e a solução para todos os nossos problemas…