Dedicação da igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

Arautos Granja Viana: “Dedicação da igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima”

A imensidade de Deus excede tanto a tudo quanto podemos cogitar que o Salmista Davi não encontrou melhores dizeres para dar a entender a grandeza do Criador senão as seguintes palavras: “É Moab minha bacia de banho, sobre Edom eu porei meu calçado” (Sl 107). Afirmação grandiosa, mas ainda assim as palavras do autor inspirado carecem profundamente de precisão. Qual habitação conseguiria conter o Autor do universo? Não obstante de exceder em infinito as vastidões da Criação, o Deus infinito quis habitar no finito.

“Aquele a quem os Céus no podiam conter, tu carregastes em vosso seio”, reza uma antiga melodia do ofício dedicado à Santíssima Virgem. Aquele que não poderia ser contido nem por todo o universo, por grande que seja, quis habitar num corpo humano, tomado das entranhas virginais de Maria.

Todavia, o mesmo Deus desejou para si outras moradas, além de Nossa Senhora, embora de maneira distinta. Quais? Todas as igrejas a Ele consagradas e que ocupam as vastidões da terra. Um destes templos consagrados ao culto divino é a igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, localizada no Centro Juvenil dos Arautos do Evangelho em São Paulo, e que foi solenimente dedicada no último domingo por Sua Excelência Reverendíssima Dom Luís Antônio Guedes, Bispo de Campo Limpo. Sendo que nesta mesma celebração estiveram presentes outros dois prelados: Dom Emilio Pignoli e Dom Benedito Beni dos Santos; além de centenas de fiéis provenientes das mais variadas regiões de São Paulo e do Brasil.

Confira as fotos desta solenidade na página Últimas Atividades.

“Tendo amado os seus, amou-os até o fim”

Arautos Granja Viana: “Tendo amado os seus, amou-os até o fim”

“Tendo amado os seus, amou-os até o fim” (Jo 13, 1). Palavras pungentes que se encontram no relato de São João sobre a Paixão de Cristo. Esta afirmação, feita pelo Redentor, à primeira vista parece indicar apenas que o amor de Nosso Senhor pelos seus é tal que nem na perspectiva da própria morte foi diminuído. De fato, é uma bela interpretação, porém, incompleta, como afirma Mons. João S. Clá Dias: Continue lendo ““Tendo amado os seus, amou-os até o fim””

Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia

Arautos Granja Viana: “Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia”

Na Quinta-Feira Santa a Igreja comemora a instituição da Sagrada Eucaristia. Com vistas a manifestar de uma forma sensível a majestade  da Ceia do Senhor, permite-se, neste dia, somente, a celebração de apenas um Sacrifício Eucarístico em cada igreja. A Missa de Quinta-Feira Santa é uma das mais solenes do ano litúrgico, onde também se comemora a instituição do ministério sacerdotal. Continue lendo “Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia”

Na aparente derrota, a vitória…

 

Arautos Granja Viana: “Na aparente derrota, a vitória…”

Eis que entramos na Semana Maior, mais conhecida como Semana Santa. Nestes dias vem-nos logo à memória a imagem do Divino Redentor chagado, flagelado, coroado de espinhos, escarnecido… Considerações que piedosamente nos conduzem a ter compaixão do Verbo encarnado. Sofrimento que padeceu por nós sem nada merecer… Continue lendo “Na aparente derrota, a vitória…”

“Ele nasceu para morrer por nós”

Quaresma! Estamos na quaresma. A Santa Igreja trocou o verde do tempo comum pelo roxo da penitência. Penitência que Deus quer que seus filhos pratiquem para apresentarem suas almas puras e limpas. Isto porque o próprio Cristo, contador da parábola do Filho pródigo, não considera tanto o começo quanto o fim de nossas obras. Se erramos, é lamentável; mas Ele nos dá a capacidade de arrependermo-nos de sincero coração, consertando nossos atos, esperando de Deus, que não despreza um coração arrependido, a salvação eterna, e, com ela, a felicidade.

Para introduzir o estado de espírito próprio a este período litúrgico, o Centro Juvenil dos Arautos em São Paulo foi objeto de uma oportunidade ímpar: uma conferência com Dom Benedito Beni dos Santos. O prelado, personagem de grande vulto no campo teológico, discorreu sabiamente sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e, de modo mais específico, sobre as palavras ditas pelo Redentor na Cruz.

Pela manhã, Dom Benedito Beni dos Santos teve diante de si um público jovem, tratando do tema acima destacado. Pela tarde, com igual lógica e clareza, tratou sobre os problemas aos quais está exposta a família em nossos dias e, por fim, celebrou solenemente a Santa Missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, localizada no Centro Juvenil.

Entre vários comentários acerca da Paixão, feitos pelo prelado nesta ocasião, colocamos alguns ao conhecimento do caro leitor:

“[Jesus Cristo] anuncia sua morte não como derrota, mas como glorificação: ‘chegou a hora em que o filho do homem será glorificado’. E, se nós pensarmos bem, a morte de Cristo foi de fato uma glorificação. Em primeiro lugar foi uma glorificação porque não foi um simples deixar de existir. Foi uma morte de martírio, testemunho supremo de sua fidelidade à missão do Pai.

A morte de Cristo foi uma glorificação porque foi uma morte redentora. Na Cruz, por amor, Ele oferece a vida a Deus Pai, mas oferece em nosso favor, para o nosso proveito, para a nossa salvação. Finalmente, sua morte na Cruz foi uma glorificação porque Ele morreu para ressuscitar.” (Dom Benedito Beni dos Santos).

 

Em plena vida… a morte

 Arautos Granja Viana: “Em plena vida… a morte”

Às vezes, grandes fatos perdem certas minúcias em meio às brumas do legendário e do mítico que os perpetuam ao longo da história. Os únicos dados que temos sobre o episódio a seguir é que se deu na Europa, durante a Idade Média, nem sequer conhecemos os personagens, pois nessa época as pessoas, sobretudo os religiosos, não se preocupavam em gravar seus nomes nas mentes alheias. Para comprovarmos esta opinião, basta sabermos que em uma Cartuxa da França foram encontrados vários corpos incorruptos, dos quais nunca se descobriram os nomes. A razão do anonimato é simples: Na regra de São Bruno, consta dentro do voto de obediência a obrigação de ser santo, portanto, não fizeram senão cumprir com o dever.

E foi nessas circunstâncias que se deu nosso fato: Um monge rezava caminhando com um outro frade, enquanto densas e escuras nuvens se formavam ao redor do local onde se situava o mosteiro. Como essas nuvens não cumprissem com sua ameaça de caudalosas chuvas, os irmãos contemplavam a impetuosidade divina, simbolizada pelos raios, que ao contrário da chuva, caíam torrencialmente.

Entretanto, não esperavam que a morte colhesse um deles em um relâmpago, no sentido literal da palavra. Após um intenso clarão acompanhado de estrondoso ruído, ambos foram por terra. Pouco tempo depois, ao recuperar a consciência, um dos frades notou que seu companheiro jazia no solo… carbonizado.

Como a Providência não permite que nada aconteça, sem que haja algum benefício para os justos, utilizou desse pretexto para inspirar o sobrevivente a compor um dos mais belos cânticos gregorianos que a Santa Igreja, no seu precioso e inefável tesouro, adotou para o tempo da Quaresma: o “Media Vita”.

Eis a letra do cântico:

Media vita in mórte súmus: quem quaérimus adjutórem, nísi te Dómine? qui pro peccátis nóstris júste irásceris:

Sáncte Déus, Sáncte fórtis, Sáncte miséricors Salvátor, amárae mórti ne trádas nos.

 In te speravérunt pátres nóstri; speravérunt, et liberásti éos. Ad te clamavérunt pátres nóstri; clamavérunt, et non sunt confúsi.

Tradução:

Em plena vida, deparamo-nos com a morte: em quem buscaremos auxílio senão em Vós, Senhor? Vós que com tanta razão Vos irais por nossos crimes. Santo Deus, Santo Forte, Santo Salvador misericordioso, não nos entregueis à amarga morte. Em Vós esperaram nossos pais; esperaram e foram libertados. A Vós clamaram nossos pais; clamaram e não foram confundidos.

(Extraído do jornal estudantil “Chez Nous”)

____________________________________________Rodrigo Portela

A nobre arte de adestrar falcões – II

Arautos Granja Viana: “A nobre arte de adestrar falcões”

O falcão peregrino

“Em princípio, qualquer ave de rapina é suscetível de ser adestrada”, diz Wetzel, “mas na Holanda só temos autorização para fazer isso com açores e falcões peregrinos.” Cada uma dessas espécies tem sua forma de caçar característica. O açor observa a presa a partir de um local que lhe dê vantagem, acima do chão (uma árvore, por exemplo).

O falcão peregrino voa em círculos, mergulhando sobre a presa. Se esta estiver voando, apanha-a em vôo horizontal com as garras. O peso da ave de rapina determina o poder de seu ataque. Um falcão peregrino macho pesa cerca  de 0,5 kg e uma fêmea quase 1 kg. Com esse peso, eles conseguem capturar corvos, gaivotas e gansos do Egito de 1,5 kg em pleno vôo.

O falcão peregrino é a ave que alcança a maior velocidade, 250 km/h, voando para baixo. Utiliza-se deste tipo de vôo para matar as suas presas, as quais golpeia com as unhas posteriores e podem até matar a presa com a simples força do choque.

Depois de agarrarem a presa a grande velocidade, pousam com ela e partem-lhe o pescoço com o bico. De modo geral, os falcoeiros não permitem que suas aves fiquem com as presas, uma vez que estas poderão estar contagiadas por germes ou doenças. Alimentam-nas com carne que conservam em geladeira – por exemplo, de pombo ou de coelho.

As utilidades do adestramento de falcões

Wetzel considera a caça o aspecto menos importante da falcoaria, embora existam várias ocasiões em que acaba por fazer-se útil. Os produtores de mexilhões da província de Zeeland, no Sul da Holanda, solicitam regularmente os serviços dos falcoeiros, pois a região vive infestada de gaivotas. O mesmo acontece com agricultores cujas plantações são atacadas pelos corvos. Quando Wetzel é chamado para um trabalho desse tipo, vai até a zona afetada em seu jipe, levando um falcão encapuzado no braço. Quando tira o capuz, o pássaro voa pela janela aberta, encontrando sem dificuldade a sua presa.

Muitos aeroportos, entre os quais o de Rotterdam, lançam mão de aves de rapina treinadas para afastar os bandos de pássaros que, de outra forma, correriam o risco de ser tragados dentro do motor dos aviões, provocando grandes estragos.

“Assim que os pássaros percebem que o falcão vai atacar mortalmente, fogem de imediato”, conta Wetzel.

Que existe de tão belo na arte da falcoaria? Para Wetzel, é da delicada combinação entre o selvagem e a submissão. Pode-se conseguir criar uma relação de trabalho entre o homem e a ave, que no entanto nunca se domestica inteiramente. “Que animal daria mais gosto de adestrar que uma ave de rapina, que tanto pode ir-se embora como ficar, segundo seu instinto?”, pergunta Bernardt. “É uma experiência única quando uma dessas aves escolhe regressar ao falcoeiro, chegando a ponto de lhe entregar sua presa.”

Outras informações sobre a falcoaria

A arte de educar falcões para caça teve origem na Ásia, de onde passou para a África e posteriormente para a Europa, no tempo das Cruzadas.

O Falcão é uma ave de rapina diurna pertencente à família dos falconídeos. Comparados com outras aves de rapina, seu porte é reduzido: algumas espécies ultrapassam cinqüenta centímetros de comprimento, enquanto outras mal chegam a trinta. Seu bico é curto e forte, adunco e pontiagudo. Os dedos são longos e munidos de poderosas garras. O falcão comum, o falco peregrinus e o falco columbarius são as espécies mais conhecidas pela importância que tiveram na caça de altanaria3, um dos esportes prediletos da nobreza medieval. Todas as espécies de falcão caçam suas presas na terra, na água ou em pleno vôo. Lançam-se sobre elas em vôo livre, que pode superar a velocidade de 250km/h.

Uma de suas características é o vôo rápido, frequentemente planado, a fim de localizar a presa; quando a encontra, toma direção ascendente para lançar-se sobre ela.

Algumas subespécies da Groenlândia possuem plumagem totalmente branca. Distribuem-se pelas regiões mais setentrionais do hemisfério norte.

Aves de Rapina

Quer tenham um vôo altaneiro, como os condores, ou um canhestro farfalhar de asas, como as corujas, as aves de rapina têm em comum o fato de serem úteis ao homem, pois caçam insetos, cobras e roedores que danificam plantações.

Os falconiformes, são, em geral, aves de constituição robusta, sólidas e corpulentas. Algumas delas são bastante grandes, como os condores, os abutres e certas águias. Além disso, são dotadas de eficientes instrumentos para a caça: bicos recurvados e fortes, poderosas patas, dedos vigorosos terminados em garras pontiagudas, com as quais agarram suas presas, e notável agudeza visual.

Exímias voadoras, as aves da ordem dos falconiformes são capazes de aproveitar as correntes térmicas ascendentes e se manter planando por longos períodos e de alcançar grande altura e cair quase que verticalmente sobre suas presas.

Outra característica notável é a situação frontal dos olhos, o que lhes dá um aguçado e amplo campo de visão e, por isso, uma grande precisão no cálculo das distâncias que as separam de suas presas, sendo na maioria das vezes certeiro e fulminante o seu ataque.

(In: SABE)