O hábito faz o monge?

Arautos Granja Viana: “O hábito faz o monge?”

Em uma das recentes reuniões do “Projeto Futuro e Vida”, os jovens assistentes puderam desfrutar de um interessante e atraente tema: “O hábito faz o monge?”, palestrada pelo Diác. Lucas Gramiscelli E.P.

É comum o ditado “O hábito não faz o monge”, entretanto, será ele realmente verdadeiro?

Tendo por base pesquisas recentes, a respeito das vestimentas e de sua influência, o referido palestrante mostrou que, de fato, o hábito faz o monge…

Uma das pesquisas- estudo de 4 anos- foi elaborada por uma holandesa, Herlinde Koelbl, entitulada: “Kleider Machen Leute”, ou seja, “A roupa faz o homem”:

“Suas 70 fotografias retratam pessoas de diferentes áreas e grupos com uniformes/roupa de trabalho e em momentos casuais. Com o objetivo de mostrar que por trás de uma peça de pano, há muita coisa: as roupas podem se tornar uma moldura para o que somos. Em depoimentos, as pessoas afirmaram que ao colocarem os uniformes de trabalho, adotam uma postura totalmente distinta: muitos passam a ser mais confiantes, se sentem mais atraentes e poderosos. A linguagem do corpo muda e até a voz é imposta de forma diferente. A mudança também acontece entre as relações interpessoais: alguém fardado passa a ser olhado com mais respeito, admiração ou preconceito, dependendo do olhar da sociedade para determinadas profissões.”[1]

Outro estudo americano comprava que há significado social nas roupas que se usam e de que interferm nos processos cerebrais:

“Os pesquisadores, liderados por Adam Galinsky, realizaram três experiências usando jalecos brancos idênticos de médicos e pintores. Em todos os casos, as pessoas que vestiram as peças que seriam dos profissionais de saúde — a quem costuma ser atribuído um comportamento cuidadoso, rigoroso e atento — apresentaram melhores resultados em testes de atenção e percepção visual de erros. Houve quem apenas olhasse a roupa, mas quem a vestiu se saiu melhor.(…)

Para os cientistas, um dos pontos mais interessante do estudo é a possibilidade de compreender se o significado da roupa que vestimos afeta nossos processos psicológicos: ele altera a forma como nos aproximamos e interagimos com o mundo? Na opinião do psicólogo e autor do livro “Homens invisíveis” (Editora Globo), Fernando Braga da Costa, a resposta é sim: — Tudo o que é intelectual é guiado também pelo nosso equilíbrio emocional. Além disso, o que controla nossas vias neurológicas está relacionado com nossas emoções, cuja construção passa pelos relacionamentos e a concepção de valores sociais.[2]

Além das explicações e notícias, uma sketch teatral  com rimas pode ilustrar aos jovens um aprendizado moral sobre o assunto.


[1] Followthecolours.com.br

[2] O Globo – Juliana Câmara

Qual o meu destino?

Arautos Granja Viana: “Qual o meu destino?”

Qual é o meu destino? Pergunta comum para quanta gente. O  incomum é fazê-la em pleno feriado de carnaval… Todavia, foi justamente para responder a esse questionamento que vários jovens puderam participar de um simpósio no Centro Juvenil dos Arautos do Evangelho na grande São Paulo.

Porém, longe de se aventurarem em tentar descobrir as sendas do futuro por uma espécie de visão, os arautos apenas colocaram diante dos olhos de jovens provenientes de diversas cidades a verdade ensinada pela Igreja acerca do destino de todo homem, isto é, a eternidade. Todo homem, nesta terra, é peregrino, enquanto espera a hora de transpor os umbrais da eternidade. Para encontrar o quê? Depende de qual caminho tomou para chegar até lá…

Neste simpósio foram mostrados a esses jovens três caminhos seguros para chegar a um porto seguro na eternidade: a confissão, a comunhão, e a oração. Fazendo, assim, eco aos ensinamentos de Mons. João S. Clá Dias, Fundador dos Arautos do Evangelho:  “Aproximando-me sempre das vias dos Sacramentos, sobretudo do Sacramento da Eucaristia, do Sacramento da Confissão e com frequência, eu tenho sobre mim a promessa de Nosso Senhor: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, terá a vida eterna”. (Homilia de 11 fev. 2007).

Para levar a cabo tão laboriosa atividade recorreu-se, como de costume, às encenações teatrais e às palestras explicativas. Porém, entre umas e outras considerações acerca do mundo sobrenatural, também tiveram excelentes oportunidades para contemplar as belezas naturais como, por exemplo, na caminhada feita na segunda-feira rumo ao cume do monte Saboó, localizado na cidade de São Roque – SP.

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A nobre arte de adestrar falcões – I

Arautos Granja Viana: “A nobre arte de adestrar falcões”

O falcoeiro Bernardt Wetzel liberta seu cão caçador. O perdigueiro dispara em direção a uns arbustos, e, segundos depois, levanta vôo uma perdiz. Voando em círculos a 100 m de altitude, um falcão peregrino escocês, com 1 m de envergadura de asas, paira majestosamente na claridade do céu. Ao avistar a perdiz, mergulha, com as asas esticadas e rígidas, atingindo uma velocidade que pode ultrapassar a 250 km/h. Ataca a perdiz e pousa com ela no campo.

Wetzel, homem alto, louro, ligeiramente bronzeado de sol pela vida ao ar livre, caminha em direção de seu falcão, orgulhosamente em pé, segurando a sua presa.

Exibe-lhe então um pedaço de carne para que voe de volta a sua luva de couro. Após um momento de hesitação o animal obedece. Depois, Wetzel apanha a perdiz e a deposita em seu saco de caça, sempre sob o olhar penetrante, vivo, cintilante do falcão peregrino.

O costume de capturar aves de rapina e treiná-las para a caça remonta a 2000 a. C. aproximadamente na Ásia Central. A falcoaria tornar-se-ia popular na Europa durante a Idade Média, e os falcoeiros holandeses gozavam de grande reputação. No século XVII, Valkenswaard, no Sul da Holanda, em particular, tornar-se-ia um importante centro desta arte.

A caça com aves de rapina esteve durante muito tempo reservada à nobreza, havendo normas rígidas a respeito de quem podia caçar e com que tipo desses predadores. Por volta do ano de 1500, por exemplo, o emprego de falcões peregrinos estava reservado apenas aos duques e príncipes. Os imperadores eram os únicos a poder caçar com águias de grande porte. Os falcões nórdicos eram apanágio dos reis. Quem ocupava as classes inferiores a estas caçavam com açores e gaviões.

Com o passar do tempo, essas leis desapareceram, mas a falcoaria continua a ter sua nobreza, pois não é qualquer um que possui os dotes necessários para o adestramente e a caça com falcões.

Wetzel diz que o instrutor não pode manifestar medo e receio quando o falcão volta perigosamente o seu afiado bico para a sua face. Ainda há uma série de leis que regularizam o direito a caçar com aves de rapina. Wetzel, por exemplo, teve de esperar 10 anos pela sua, mesmo depois de ter provado a um instrutor que sabia lidar com aves de rapina e conseguiria controlar responsavelmente as populações de caça.

Na Holanda, existem cerca de 120 falcoeiros, o que não é muito, se compararmos a cifra às de países árabes como o Qtar, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos, onde a antiga tradição ainda prospera.

O interesse de Wetzel pela falcoaria foi despertado quando o atual treinador ainda se encontrava na escola primária e pela janela assistia ao vôo dos gaviões, açores e falcões.

Concluído os estudos, um encontro casual com o diretor da Escola Britânica de Falcoaria resultaria num curso que o jovem faria na Inglaterra.


Como se adestra um falcão

No “escritório” de Wetzel, onde ele adestra as suas aves, estão empoleirados numa barra, dois falcões vindos da Índia que ainda não completaram um ano, enquanto no jardim estão dois falcões e um açor. Todos foram criados para a caça.

Apanha Rani, um dos falcões indianos, e o leva no punho para um passeio de treino. Seu punho, que desempenha um papel determinante na falcoaria, está protegido das garras cortantes das aves de rapina por uma espessa luva de couro. Por vezes, Bernardt caminha durante cinco ou seis horas por dia, treinando um animal, para habituá-lo ao ambiente, ao punho e ao falcoeiro. A ave deverá acostumar-se a ver o punho como um local seguro para se alimentar. O passo seguinte  é convencê-la a voar de certa distância até ele. Primeiro, alguns centímetros, que irão aumentando gradualmente até chegar a 100 m. As recompensas sistemáticas de comida a “ensinam” a voltar para o punho do falcoeiro.

O momento mais assustador é aquele que o pássaro é libertado pela primeira vez. “No ano passado, eu estava pondo um deles para voar. A ave estava perfeita, melhor que nunca, subiu a mais de 150 m, virou para a esquerda e nunca mais a vi. O que terá acontecido ainda hoje é um mistério para mim.”

Após algumas semanas de habituação, inicia-se outra fase de treinamento. Uma presa artificial feita com duas asas de pato ou de outro pássaro são fixadas uma à outra, às quais se prende um pedaço de carne, que depois é pendurado a um fio. O tempo de treinamento total dura de seis a oito semanas, até o dia em que a primeira presa verdadeira é perseguida.

Um pequeno capuz de couro é uma das principais peças para o adestramento. “Se houver muita gente por perto ou muito trânsito, pode-se encapuzá-los”, explica. “Isso faz maravilhas.” Com destreza, faz deslizar o capucho pela cabeça de Rani. A venda, inofensiva, é utilizada para manter os pássaros sossegados durante o treino ou quando são transportados. A reação natural de um pássaro que não consiga ver é manter-se quieto. (In: SABE)

quieto.

Mais alguma coisa?

Arautos Granja Viana: “Mais alguma coisa?”

Certa vez, um famosíssimo biliardário decidiu comprar um fabuloso presente para sua filhinha, que fazia seu primeiro aniversário. Indo a uma loja de grandes preços, escolheu uma magnífica pérola, a qual achou muito adequada para ornar o pescoço de sua menina. Indo até o caixa, puxa a grande carteira, e, começa a selecionar o valor para pagar o belo presente. Enquanto isto, o balconista lhe pergunta:

– “Mais alguma coisa senhor?”

Não acreditando na pergunta do moço, o rico empresário fica desconcertado. “Como? Paguei tão  caro nesta pedra e ele me perguntava se quero mais algo?” Com a voz calma, o ricaço pergunta ao rapaz se havia algo mais caro naquela loja. O vendedor disse que havia um carro, leiloado em penhor por alguma madame de anos atrás. O empresário diz que vai comprá-lo, e deixa o jovem assustado, pois não sabe o que uma criança de um ano irá fazer com um automóvel de luxo; entretanto, prepara o recibo e pergunta:

– “Mais alguma coisa senhor?”

Furioso, escorrendo gotículas de suor, o milionário bate na mesa e diz:

– “Quero a coisa mais cara que existe nesta loja! Aí você verá como eu sou rico!!!”

O funcionário procura e procura nos documentos de aquisição dos materiais da loja, e descobre que existe a apólice de uma ilha que estava a venda, mas tão  cara que nenhum magnata até aquele dia tinha conseguido comprar. O rico senhor então exclama:

– “Eu compro! Aqui está o cheque!

O moço repete seu anterior procedimento:

– “Uma pérola, um automóvel, uma ilha. Mais alguma coisa?

Nauseabundo, irritado, o milionário grita:

– “Procure na internet a coisa mais cara que o mundo oferta!”

O balconista vai para trás de um monitor de computador e sai de lá com uma solução:

– “Senhor, a NASA fabricou um foguete de última geração e o pôs a venda, por uma fábula trilionária…”

– “Não tem problema! Esta nave espacial vai um presente para minha filha! Quero ver se você vai perguntar novamente: ‘Mais alguma coisa?’!”

– “Não diga uma coisa dessas”, replicou o jovem. “Meu patrão é exigente, e pede que eu sempre pergunte: ‘Mais alguma coisa.”

– “Então é por isso?!” interrompeu o empresário. “Saiba que vou comprar esta loja amanhã e vou demitir seu patrão! Como é possível ter algo a mais para eu dar a minha filha?!”

O rapaz, corajoso, o interpela:

– “Na verdade há assim, caro senhor. Apenas pergunto: você já deu o Criador a sua filhinha?”

– “Não brinque comigo, jovem!” diz sério o magnata. “Como posso dar Deus a alguém?”

– “O senhor não pode”, responde o balconista, “mas o próprio Deus quis dar-se a nós em uma Cruz. Sua filha já foi batizada?”

– “Ehh… Ehh.. realmente, preciso preparar uma grande festa de batizado: convidar presidentes, chamar autoridades, vai ser uma comemoração de muita importância…”

– “Não, senhor. Não é disso que falo. Se o senhor me pergunta qual o maior presente que pode dar à sua filhinha, eu lhe respondo sem hesitação: é o próprio Deus, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, cujo Reino não terá fim. Quando uma pessoa é batizada, o próprio Deus vem habitar nela e a transforma num templo, onde reside a Santíssima Trindade”.

“No momento em que a pessoa é batizada”, continuou o vendedor, “Deus a adota como Sua própria filha, e lhe dá o direito de receber por herança eterna tudo o que pertence a Ele mesmo. E adotando-a, a faz participar da Sua própria natureza divina, comunicando-lhe Sua própria vida eterna e sobrenatural”.

“Dar Deus a alguém é um presente tão grande, tão insuperável, que apesar de ser onipotente, nem Ele poderia dar um presente maior”, concluiu o jovem.

O bilionário calou-se. Ficou pensativo um momento, levantou-se, deu um abraço no rapaz e lhe disse: “Muito obrigado, meu filho. Você tem toda razão. Reze por mim para que não só eu possa dar esse tesouro incalculável para minha filha o quanto antes, como possa recuperá-lo para minha própria alma”.

Xadrez, um jogo curioso…

Arautos Granja Viana: “Xadrez, um jogo curioso…”

Chess, xadrez, ajedrez, шахи, Schach, satranç, ludus latruncularius, şahmat, cờ vua,
棋, шахматы… seja como for, este jogo já há muitos séculos vem trazendo atrás de si
gerações de aficcionados, desde simples camponeses até renomados estadistas.

Até mesmo alguns santos puderam honrá-lo algumas vezes…

Não queremos entrar em discussão acerca de seu nascedouro, mas uma forte
corrente afirma datar os antecessores diretos do xadrez em torno de 600 d.C., tendo
provavelmente sua origem na Índia. Já o xadrez “moderno” que conhecemos, com a
Rainha e o Bispo, pode-se afirmar com segurança existirem no final do séc. XV, ou seja
na era dos descobrimentos.

Muitas são as finalidades dos praticantes dessa modalidade: alguns jogam por profissão,
outros por lazer, e outros ainda, para ficarem mais inteligentes, pois o jogo envolve
o uso de vários compartimentos avançados do cérebro… Em alguns países levam tão
a sério a aprendizagem da criança com o xadrez, que chega a ser disciplina escolar
obrigatória, como é o exemplo da Romênia, na qual as notas em Matemática dependem
em 33% do desempenho no xadrez.

Dentre tantas as curiosidades que o xadrez suscita, consta a infinidade de jogadas na
qual podem ocorrer dentro de uma partida: Existem precisamente 169.518.829.100.544
quatrilhões (15 zeros) de maneiras de jogar apenas os dez primeiros lances. Para os 40
lances seguintes de um jogo, o número é estimado em 25 x 10 elevado a 115ª potência.

O número inteiro de átomos em todo o universo é apenas uma pequena fração desse
resultado…

Se em um “simples” jogo pode-se obter a cada partida um jogo diferente, o que não
será de Deus na visão beatífica quando os homens que se salvarem poderão gozar
eternamente de novos reflexos de seu Criador que é infinitamente maior? São coisas que
valem a pena pensar…

A Santa Mãe de Deus e seus títulos

Arautos Granja Viana: “A Santa Mãe de Deus e seus títulos”

Uma das maneiras de medirmos a grandeza de um nobre é conhecermos os seus títulos. Por exemplo, o Grand Condé, Luís II de Bourbon, contemporâneo de Luís XIV, possuía os seguintes títulos: Príncipe de Condé, Primeiro Príncipe de sangue real, Primeiro Par de França, Duque d’Enghien, Duque de Bourbonnais, Duque de Châteauroux, Duque de Montmorency, Cavaleiro das Ordens do Rei, Governador da Borgonha e Governador de Bresse.

Vemos que não é qualquer um esse Grand Condé. De fato, ele foi uma das glórias do reino de França.

O mesmo se passa com um rei ou com uma rainha. Seria um disparate dizer que cada título faz com que um Rei, uma Rainha ou um nobre seja outra pessoa. No caso do Grand Condé ele se multiplicaria em 10 pessoas, pois este é o número de seus títulos nobiliárquicos. Bem sabemos que isso não é assim, pois ele possui todos esses títulos.

Isso não se passa somente no campo nobiliárquico. Por exemplo, um Embaixador pode ser formado em Medicina, Catedrático de História, professor de diversos idiomas, etc. Então, vemos  que um só homem pode ter vários títulos.

Pode-se dar um exemplo mais fácil de se entender ainda: nossa mãe, a mesma que cuida de nós, vai ao supermercado, à feira, talvez tenha algum trabalho fora. Em nenhum momento ela deixa de ser a nossa mãe para ser a senhora que vai fazer compras. Ela será sempre a nossa mãe!

Se assim é com um nobre, com um embaixador, com uma mãe, muito mais será com Aquela que foi escolhida para ser Mãe de Deus, a Santíssima Virgem Maria! Nosso Senhor Jesus Cristo é o “Rei dos reis e Senhor dos senhores”, segundo está afirmado nas Sagradas Escrituras. Ora, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Rei, Nossa Senhora é Rainha, pois Ela é a Mãe do Rei.

Para se ter uma ideia só em um livro há 378 invocações de Nossa Senhora![1] Outro trata sobre os “mil nomes de Nossa Senhora”[2]!

São Bernardo disse que “de Maria nunquam satis – de Maria, nunca basta”, o que se pode dizer sobre Ela é inesgotável. A tal ponto isso é assim, que na Europa saem em média mil livros sobre Nossa Senhora, por ano!

Sobre esta frase de São Bernardo, comenta São Luis Maria Grignon de Montfort[3]: “Ainda não se louvou, exaltou, honrou, amou e serviu suficientemente a Maria, pois muito mais louvor, respeito, amor e serviço Ela merece. (…) Os Santos disseram coisas admiráveis desta Cidade Santa de Deus. (…) E, depois, proclamaram que é impossível perceber a altura de seus méritos, que Ela elevou até o trono da Divindade; que a largura de sua caridade mais extensa que a Terra, não se pode medir.”

Só para ilustrar melhor a afirmação que faz São Luís, é interessante conhecermos que a superfície da Terra é estimada em 510.065.500 Km2! Pois bem, São Luís diz que a caridade, o amor de Nossa Senhora a Deus é mais extenso que a Terra!

São Luís continua: “A profundeza de sua humildade e de todas as suas virtudes e graças são um abismo impossível de sondar!”

O maior Monte da Terra é o Everest, com 8.848 m! Onde há grandes montanhas, há grandes abismos, imaginem os que ali se podem encontrar! Isso não é nada em comparação com os “abismos” de virtude de Nossa Senhora!

Terminemos o que diz São Luís: “Os olhos não viram, o ouvido não ouviu, nem o coração do homem compreendeu as belezas, as grandezas e excelências de Maria, o milagre dos milagres da graça, da natureza e da glória.”

Em artigos futuros conheceremos alguns títulos de Nossa Senhora, não de todos, porque isso é impossível, dado a imensa quantidade de seus títulos e invocações.

(Retirado de artigo publicado pelo boletim: Triunfo do Imaculado coração de Maria).

 


[1] Cfr. Miryam, de Mário Fonseca.

[2] Cfr. Os Cinco Minutos de Maria, de Alfonso Milagro.

[3] São Luís Maria Grignon de Montfort, Tratato da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Vozes, Petrópolis, 1961, pp. 20-23.

Deus provê às nossas necessidades temporais…

Arautos Granja Viana: “Deus provê às nossas necessidades temporais”[1]

“A confiança, já o dissemos, é uma esperança heróica; não difere da esperança comum a todos os fiéis senão pelo seu grau de perfeição. Ela é, pois, exercida sobre os mesmos objetos que aquela virtude, mas por meio de atos mais intensos e vibrantes.

Como a esperança ordinária, a confiança espera do Pai Celeste todos os socorros que são necessários para se viver santamente aqui na terra e merecer a bem‑aventurança do Paraíso.

Ela espera, primeiramente, os bens temporais na medida em que estes nos podem conduzir ao fim último.

Nada mais lógico: não podemos ir à conquista do Céu à maneira dos puros espíritos; somos compostos de corpo e de alma. Este corpo que o Criador formou pelas suas mãos adoráveis é o companheiro inseparável da nossa existência terrestre; e sê‑lo‑á ainda da nossa sorte eterna depois da ressurreição geral. Não podemos prescindir da sua assistência na luta pela conquista da vida bem‑aventurada.

Ora, para sustentar‑se, para cumprir plenamente a sua tarefa, o corpo tem múltiplas exigências. Essas exigências, é preciso que a Providência as satisfaça; e ela fá‑lo magnificamente.

Deus encarrega‑se de prover às nossas necessidades temporais; cuida delas generosamente. Segue‑nos com olhar vigilante e não nos deixa na indigência. Perante as dificuldades materiais mais angustiantes, não nos devemos perturbar. Com uma certeza serena esperemos das mãos divinas o que é preciso para o sustento da nossa vida.

“Eu vos digo, declara o Salvador, não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem quanto ao vosso corpo com o que haveis de vestir. Porventura não é o corpo mais do que o vestido e a vida mais do que o alimento? Olhai para as aves do céu: Não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai Celeste alimenta‑as. Não valeis vós mais do que elas?…

“Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé?

“Não vos preocupeis, dizendo: Que comeremos nós, que beberemos, ou que vestiremos? Os pagãos, esses sim, afadigam‑se com tais coisas; porém, o vosso Pai Celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso.

“Procurai pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo” ([2]).

Não basta passar os olhos de relance sobre este discurso de Nosso Senhor. Importa que nele fixemos longamente a atenção, para procurarmos o seu significado profundo e nos deixarmos embeber pela sua doutrina.”

 


[1] THOMAS DE SAINT-LAURENT. O Livro da Confiança. Cap. III.

[2] ) Mt. 6, 25‑26 e 28‑33.

“Esse Terço é meu!”

Arautos Granja Viana: “Esse Terço é meu!”

Opinião alheia… quantas vezes a opinião geral que nos circunda nos impõe ações que não faríamos se estivéssemos a sós. O medo de ir contra a “correnteza” em muitas épocas já sepultou a vários na mais vergonhosa covardia. Talvez seja por isso que os fatos de intrasigência que ocorreram na História brilham de maneira especial como, por exemplo, um Santo Inácio de Antioquia que, além das feras do Coliseu, enfrentou ao imperador e à milhares de pessoas que se reuniram apenas para vê-lo destroçado pela voragem dos leões.

Para que as pessoas não julguem que o heroísmo da fé se limita aos Santos, ou a alguns poucos, vejamos um fato ocorrido num ambiente em que a opinião alheia muitas pesa sobre a conduta de cada um…

“Um jovem alferes (soldado) conta um interessante sucedido na tropa em que servia.

‘Estávamos alinhados no batalhão para os exercícios do dia. O sargento instrutor era conhecido por todos por seu ateísmo e por escarnecer de tudo o que era religioso. Naquele dia tinha nas mãos um trunfo especial, pensava ele. Balanceava entre os dedos um Terço e perguntou ironicamente aos submissos soldados, com um malicioso sorriso nos lábios:

—Quem é que perdeu esta coisa? Quem se apresenta?

O batalhão, católico na maior parte, de súbito tornou-se um magote de covardes, pois todos riram para estar bem com o escarnecedor, mesmo aqueles aos quais a própria mãe dera um Terço para levar consigo na tropa. Só um cadete a meu lado rangia os dentes, ofendido.

O sargento continuava a escarnecer, convencido de que ninguém teria coragem de se apresentar para levar o Terço. Porém, o cadete meu vizinho adiantou-se, fez continência e disse com voz clara e forte: “Esse Terço é meu!” O batalhão silenciou e não se riu mais. O Terço lhe foi entregue sem mais cerimônias pelo instrutor, que também parou com o escárnio.

Após a instrução, no intervalo, perguntei curioso ao moço: “Porque você deixou passar um tempo e não teve logo a coragem de se apresentar, e depois respondeu com tanta convicção?” — “Porque o Terço não era nada meu! Eu avancei porque queria acabar de vez com o deboche dele! Não agüentava mais! Fui inspirado pelo meu Anjo da Guarda’.

Este fato espalhou-se pelo quartel. E veio a descobrir-se quem era o verdadeiro dono do Terço. Desde então tornou-se impossível para ele permanecer no batalhão. Porém o destemido cadete passou a ser respeitado por todos como ‘o jovem de fé’.” [1]


[1] “Cavaleiro da Imaculada” nº842, maio de 2004.

E o Verbo se fez carne…

Mais algum tempo e terá passado o Tempo do Natal, conforme nos ensina a Liturgia. Todavia, certamente não será tempo de esquecer os preciosos ensinamentos e esperanças que nos deu a Encarnação do Verbo de Deus, como lembra o Pe. Thomas de Saint-Laurent:

“O sábio constrói a casa sobre o rochedo: nem inundação, nem chuvas, nem tempestades a poderão lançar por terra. Para que o edifício da nossa confiança resista a todas as provas, preciso é que se eleve sobre bases inabaláveis.

“Quereis saber, diz São Francisco de Sales, que fundamento deve ter a nossa confiança? Deve basear‑se na infinita bondade de Deus e nos méritos da Morte e Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, com esta condição da nossa parte: a firme e total resolução de sermos inteiramente de Deus e de nos abandonarmos completamente e sem reservas à sua Providência” ([1]).

As razões de esperança são demasiado numerosas para que possamos citá‑las todas. Examinaremos aqui somente as que nos são fornecidas pela Encarnação do Verbo e pela Pessoa sagrada do Salvador. De resto, é Cristo em verdade a pedra angular ([2]) sobre a qual principalmente deve apoiar‑se a nossa vida interior.

Que confiança nos inspiraria o mistério da Encarnação, se nos esforçássemos por estudá‑lo de maneira menos superficial!…

Quem é essa criança que chora no presépio, quem é esse adolescente que trabalha na oficina de Nazaré, esse pregador que entusiasma multidões, esse taumaturgo que opera prodígios sem conta, essa vítima inocente que morre na Cruz?

É o Filho do Altíssimo, eterno e Deus como o Pai… é o Emanuel desde tanto tempo esperado; é Aquele que o Profeta chama o “Admirável, o Deus forte, o Príncipe da paz” ([3]).

Mas Jesus ‑ disto nos esquecemos frequentemente ‑ é nossa propriedade. Em todo o rigor do termo, Ele pertence‑nos; é nosso; temos sobre Ele direitos imprescritíveis, pois o Pai celeste no‑Lo deu. A Escritura assim o afirma: “O Filho de Deus nos foi dado” ([4]).

E São João, no seu Evangelho, diz também: “Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho Unigênito” ([5]).

Ora, se Cristo nos pertence, os méritos infinitos dos seus trabalhos, dos seus sofrimentos e da sua morte pertencem‑nos também. Sendo assim, como poderíamos perder a coragem? Entregando‑nos o Filho, o Pai do Céu deu‑nos a plenitude de todos os bens. Saibamos explorar largamente esse precioso tesouro.

Dirijamo‑nos, pois, aos Céus com santa audácia; e, em nome desse Redentor que é nosso, imploremos, sem hesitar, as graças que desejamos. Peçamos as bênçãos temporais e sobretudo o socorro da graça; para a nossa Pátria solicitemos paz e prosperidade; para a Igreja, calma e liberdade.

Essa oração será certamente atendida.” (O Livro da Confiança. Padre Thomas de Saint Laurent, cap. V.)

Certamente ainda é tempo de ver as comemorações natalinas que os arautos em São Paulo fizeram no decorrer deste período natalino. Veja mais fotos na página ÚLTIMAS ATIVIDADES, APRESENTAÇÕES NATALINAS…


[1] ) Les vrais entretiens spirituels. Ed. de Annecy, t. VI, p. 30.

[2] ) Cf. Atos, IV, 11.

[3] ) Isaías, 9, 6.

[4] ) Filius datus est nobis. Isaías, IX, 6.

[5] ) Jo. 3, 16.

A Igreja é a Estrela que nos leva a Belém!

Arautos em São Paulo: “A Igreja é a Estrela que nos lev

Tivemos ontem a comemoração litúrgica da Epifania do Senhor. A este propósito Mons. João S. Clá Dias, Fundador dos Arautos, tece o seguinte comentário acerca deste acontecimento:

“Chama-se festa dos Reis Magos, mas em realidade é a festa da Epifania. Essa festa vem desde o século terceiro, foi estabelecida primeiro no Oriente e, depois, assumida também pela Igreja Latina, pela Igreja do Ocidente. E ela representa a festa dos gentios. Porque é neste momento em que Nosso Senhor se manifesta especialmente para os que não são judeus.

Manifestou-se já, e tivemos isso por ocasião do Natal, aos pastores que são os mais próximos d’Ele que representam o povo judeu. E, agora, Ele chama do oriente esses reis para simbolizar todos os povos e a universalidade da Redenção. Ele veio para salvar a todos, de todas as classes, de todas as raças, de todos os cantos.

E hoje é a comemoração que a Igreja promove para exaltar e adorar a Nosso Senhor enquanto Deus. Ele no presépio e para os judeus Ele se manifesta enquanto Deus, Ele se manifesta enquanto Homem. Hoje Ele, homem, se manifesta enquanto Deus. Se não houvesse uma festa de Reis, como foi estabelecida por Pio XII, se não tivesse essa festa, hoje nós poderíamos considerar bem de perto e com toda a propriedade a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque são reis que vem prestar homenagem ao Rei dos reis.

E é, portanto, uma festa para nós do ocidente mais importante ainda do que o próprio Natal. Porque no Natal Ele se manifesta mais especialmente para os judeus e nesta de hoje Ele se manifesta a nós.

[…] nasce Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas Ele nasce numa terra judaica, em Belém, de uma mãe judia. Nasce para os judeus, porque chama os pastores. Dir-se-ia que Ele vem, portanto, com uma vocação estritamente feita para o povo judeu, para o povo eleito. […] Ele antecipa nesta festa dos Reis Magos o chamado das nações pagãs, das nações longínquas.

E vai mover esses reis que estão lá longe. Eles se põem a caminhar, pura e simplesmente, porque vêem a estrela e estavam estudando as profecias e sabiam que ia aparecer um rei, um salvador, que era um salvador das nações, mas especialmente para Israel, que era um rei dos judeus. E por isso eles se põem a caminho. Põe-se a caminho porque o Espírito Santo toca a alma deles como tocou as almas dos pastores, como tocou a alma de Simeão, como tocou a alma de tanta gente. É o Espírito Santo que promove esses movimentos.

E nós vemos que eles seguem, no meio dessas dificuldades todas, mas nós veremos depois, mais tarde, na história que se estabelece dentro do cristianismo quantos e quantos povos, quantas e quantas nações, quantas e quantas famílias, quantas e quantas pessoas vão também seguir a estrela. Que estrela? A estrela da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Porque a Igreja faz o papel do Espírito Santo. A Igreja distribui os sacramentos, a Igreja promove a santificação das almas, a Igreja distribui as graças, portanto. É a Igreja que faz o papel dessa estrela que cintila diante dos nossos olhos e que faz com que nós nos movimentemos e sigamos a voz interior. Porque ao mesmo tempo que a Igreja nos santifica com os seus sacramentos, com a sua palavra, ao mesmo tempo, também, o Espírito Santo fala no nosso interior.”[1]


[1] Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP. Homila na Epifania do Senhor, 06 jan. 2008.