Dia dos pais abençoado pelos Céus…

O Centro Juvenil dos Arautos do Evangelho em São Paulo teve a alegre oportunidade de no último domingo, data memorável do Dia dos Pais, contar com a presença de inúmeros jovens de corpo e de alma… Participaram das atividades deste dia não só aqueles que gozam do frescor da juventude mas também aqueles que, embora já não tenham seus dez ou doze anos, possuem o ânimo tão próprio às primeiras épocas da vida. Pais e filhos puderam compartilhar das mesmas alegrias naquele então. Tais foram as bençãos e graças derramadas neste dia que até mesmo o Céu quis manifestar seu contentamento através de um magnífico sinal…

As atividades começaram com uma apresentação musical, na qual os filhos puderam mostrar através da música toda a sua gratidão pelos incansáveis auxílios que desde o início de suas vidas receberam de seus laboriosos pais.

Após esta abertura os pais puderam fazer algo mais pelos próprios filhos: ajudarem na vitória dos jogos! Um verdadeiro circuito de obstáculos serviu de descontração para todos quanto puderam participar das atividades esportivas daquele então. Os pais completaram a pouca experiência dos filhos, e os filhos puderam auxiliar na pouca desenvoltura dos pais! É a recapitulação do velho ditado francês: “Ai se a juventude soubesse! Ai se a velhice pudesse!”

O ponto auge do dia, sem dúvida, culminou com a celebração da Santa Missa, a qual foi celebrada, como de costume aos domingos, às 17:00hs. Neste momento mesmo os pais puderam fazer sua homenagem e agradecimento àquele que é o Pai de todos, Deus Nosso Senhor.

Terminamos por aqui? Não, certamente… Após a Santa Missa uma pitoresca história foi encenada aos pais, da qual puderam se tirar importantes princípios. Tratou-se do seguinte: um pequeno jovem nipônico ansiava por ser considerado um homem. Todavia, mal sabia ele da grande prova a que deveria submeter-se para alcançar tão almejada dignidade. Deveria ele passar uma noite completa num bosque com os olhos vendados, correndo todos os riscos inerentes a esta prova. Isto pode não parecer grande coisa à primeira vista, porém bastaria nos lembrarmos de nossa infância, na qual um simples trovão nos aterrorizava durante longas horas, nas quais não ousávamos sair da sombra de nossos pais, para compreendermos a dureza que poderia significar um exame assim…

Mal sabia o pequeno jovem que esta prova era mais psicológica do que propriamente prática, isto é, seu pai, na verdade, passaria toda a noite a seu lado protegendo-lhe de qualquer perigo que pudesse sobrevir-lhe. Tendo enfrentado com coragem a dita prova, ao raiar do dia qual não foi o espanto do jovem ao ver que seu pai havia permanecido todo o tempo ao seu lado.

É apenas um conto, mas que elucida uma verdade muito maior que acompanha a cada um de nós. Se é bem verdade que nos alegramos pela contínua presença de nossos parentes próximos a nós, mas que depois de algum tempo inevitavelmente nos deixarão nesta terra, muito maior deve ser nossa alegria e confiança ao considerarmos que ao nosso lado e, muito mais, dentro de nós está alguém que de modo algum nos deixará, nem no tempo, nem na eternidade, isto é, Deus.

Concluindo estas intensas atividades pais e filhos puderam comentar entre si as graças deste dia na refeição de confraternização, na qual todos os pais foram presenteados com uma singela lembrança gravada com a imagem do modelo dos pais: o glorioso São José!

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Não deixe de conferir as fotos deste dia na página: “Últimas atividades”

 

Saudades… no céu?

Os visitantes do blog dos Arautos do Centro Juvenil de São Paulo sempre estiveram acostumados com posts nos quais alguns de nossos redatores abordavam alguns temas, os desenvolviam e, depois, propunham uma conclusão. Não obstante, o presente post trará uma inovação no que tange à interlocução com nossos espectadores. Trata-se, portanto, de colocar ao leitor alguns problemas pedindo-lhes soluções e opiniões. Esperando que ao final possamos chegar a bom termo…

Para começar, aqui vai uma questão: Onde estará a maior alegria: Na previsão da boa situação, no usufruir momentâneo do acontecimento, ou nas lembranças que temos pensando naqueles belos dias que passamos?

Esta interrogação encontra eco até os nossos dias. O interessante é que muitos escolheram pela última opção: as lembranças do passado nos trazem mais bem-estar.

Os espanhóis a chamam de ‘nostalgia’; os franceses de ‘nostalgie’ e os ingleses de ‘nostalgy’. Entretanto, o brasileiro a adocicou e a chamou de saudades. Palavra esta que revela toda doçura daqueles momentos em que recordamos e vivemos o passado. Quem poderia dizer que nunca recordou-se de alegrias passadas e estas recordações não trouxeram aos lábios um sorriso e ao coração uma emoção? Não é verdade, caro leitor, que ter saudades nos faz recordar e “recordar é viver”?

E nisto surge a grande dúvida que os leitores ajudarão a esclarecer. Sabemos, por meio da Doutrina Católica, que, ao passarmos desta vida para outra, e, por meio da graça de Deus, chegarmos ao Paraíso, teremos à nossa disposição todo tipo de felicidade, sem uma gota de tristeza. Porém, estando no céu, haverá saudades? Esta ideia parece contraditória. No céu, veremos a História toda no presente, pois a veremos dos olhos de Deus. Como existir lembranças do passado, se tudo no céu será presente? Mas, por outro lado, se o céu será toda felicidade, como não estar presente nesta felicidade as alegrias saudáveis da saudade? Saudades daquelas boas amizades, daquelas boas conversas, daqueles bons momentos em que estivemos com quem tanto amamos?

Ai está, caro leitor. Lendo este artigo, o que nos diz? Escreva dando sua opinião, será de grande importância para nós! Pedimos a sua ajuda: saudades… no céu

Um buquê de flores…

No dia 03 de agosto, último sábado, os alunos participantes do Projeto Futuro e Vida tiveram a oportunidade de assistir a uma interessante reunião sobre um tema pouco comum: um sonho! Mas, não um sonho comum, pois se trata de um dos vários sonhos que teve o grande São João Bosco.

Tal sonho, ocorrido no dia 06 de dezembro de 1876, foi narrado pelo santo a seus alunos do Oratório, que era a casa de formação da juventude feita por São João Bosco, no dia 22 do mesmo mês.

O fundador dos salesianos diz que, durante o sonho, foi levado a um local até então nunca visto, em que ele via jardins enormes repletos de flores das mais belas que se possam contemplar, com árvores cobertas do frutos mais saborosos. Nesse lugar havia construções tão espetaculares que segundo S. João Bosco nem toda riqueza da terra seria suficiente para construir um só desses castelos. Junto com tudo isso, também começou a ouvir uma música tocada com centenas de milhares de instrumentos e era tão bela que nenhum compositor seria capaz de compô-la.

Após esta visão extraordinária S. João Bosco vê aproximar-se em sua direção uma multidão de jovens, chefiados nada mais, nada menos, do que por São Domingos Sávio, o qual estava revestido por uma túnica alvíssima, repleta de diamantes e tecida com fios de ouro, tendo uma faixa vermelha na cintura com incrustações de esmeraldas, rubis e outras pedras preciosas.

Nosso venerável santo, beneficiado com esse sonho, pergunta a S. Domingos Sávio se ali era o Céu, o qual responde negativamente, pois ali só havia prazeres naturais. Do contrário, se alguém visse o Céu em vida morreria de felicidade. Após isto, S. João Bosco pergunta a S. Domingos o que ele tinha a dizer sobre o passado dos salesianos, e ele responde que toda aquela multidão que o seguia foi para o Céu graças à Ordem Salesiana. Porém, também diz que se S. João Bosco possuísse mais fé e confiança na Providência Divina o número dessas pessoas salvas seria cem milhões de vezes maior.

Depois dessas palavras o santo fundador pede a Deus perdão e faz o propósito de ter mais fé e confiança na Divina Providência. Também aproveita para perguntar acerca do que Deus tem a dizer sobre o momento em que passava a obra salesiana. S. Domingos, entretanto, dá um buquê de flores ao santo com sete tipos diferentes das mesmas. Tais flores traziam um significado: a rosa, que era a primeira das flores, simbolizava a caridade, tão necessária e querida por Deus, descrita no primeiro mandamento, que nos faz amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

A segunda flor era a violeta, flor pequena e discreta, que representava a humildade. Os participantes do Projeto Futuro & Vida, nesta parte da reunião, puderam assistir a um teatro ilustrando essa virtude e seu vício oposto,isto é, o orgulho.

 

A terceira flor, seguindo a narração, era o girassol, símbolo da obediência por causa de sua busca pelo Sol, no movimento do heliotropismo. A genciana era a quarta flor, a qual se usa para fazer chá, o qual tem um gosto amargo, mas faz abaixar a febre. Sendo assim, representa a penitência. A vida, se não tem períodos em que a pessoa tem de se esforçar para conseguir algo, não tem valor e beleza. É necessário passarmos por sofrimentos, o amargo do chá, para conseguimos o que queremos, abaixar a febre.

A quinta flor era o lírio, a pureza, virtude tão querida por Deus. S. Domingos disse a S. João Bosco que essa virtude deixa o homem semelhante aos Anjos. A comunhão frequente também estava representada no buquê de flores por uma espiga de trigo. Este sacramento é que nos dá força e alimenta a alma para suportarmos as tentações da vida.

A última flor é a mais importante, pois sem ela as outras não valem nada. É a “sempre-viva”, flor branca e pequena que após cortada não precisa de água nem sol para se manter, ela sempre fica constante e não seca. Podemos fazer a seguinte analogia: de que vale comungar uma vez a cada três meses ou obedecer os nossos superiores de vez em quando? É necessário praticar todas as virtudes de modo constante. E assim conseguiremos conquistar o paraíso visto em parte por São João Bosco neste sonho tão belo e tão real.

De onde nasce a glória da Igreja?

Quem não se encanta ao visitar ou conhecer as maravilhosas riquezas da Santa Igreja? A alguns, tocará de maneira toda especial a imponência de suas construções que, refletindo a alma dos que as idealizaram, parecem convidar aos que as contemplam a elevarem-se com suas torres, que por vezes parecem tocar o céu. Outros se enlevarão com os interiores das catedrais com suas paredes pintadas pelos raios de sol que, atravessando os vitrais, formam uma harmonia encantadora de luzes e cores. A outros, ainda, estará impressa na alma a recordação de alguma grande e solene celebração, numa ideia de conjunto formada pela beleza do templo, a solenidade da liturgia, o perfume do incenso e os acordes do órgão que lhes fizeram viver alguns instantes que mais pareceram celestes do que terrenos.

Alguém poderia levantar o seguinte problema: “É indiscutível que tudo isso é muito bonito; porém, por que tanta grandeza e de onde vem toda esta majestade, toda esta glória manifestada pela Igreja?” Em sua infinita sabedoria, Deus colocou na criação certas coisas que pareceriam muito contraditórias à primeira vista, mas na verdade constituem uma perfeita harmonia e muitas vezes se completam; por exemplo, quando Nosso Senhor nos convida a sermos simples como as pombas, entretanto, astutos como as serpentes (Cf. Mt 10, 16) Assim, Deus dá à sua Igreja dias de uma glória admirável, contudo, essa glória nasce de outra face muitas vezes oculta aos olhos de muitos, que é a dor.    Pensemos nos primeiros séculos de fundação da Igreja, em que só pelo fato de serem cristãos, milhares de homens, mulheres e crianças suportavam terríveis e atrozes torturas que culminavam com a morte, por amor ao Santíssimo nome de Jesus e de sua Santa Igreja. Pensemos nos sofrimentos dos Papas ao longo da história que, recebendo a missão de dirigir o rebanho de Cristo em meio a perseguições, divisões, e tantas formas de perigos pelas quais passou a Santa Igreja, fizeram de seu dever, um altar em que eles próprios imolaram suas próprias vidas a serviço de Deus e do próximo. Pensemos nos religiosos e religiosas de todas as épocas, cada um tendo que enfrentar as mais duras provações interiores características a este gênero de vida, e que sofrendo tudo no silêncio de seu recolhimento, sobre eles se debruçavam os próprios anjos e atraiam as bênçãos de Deus.

E assim, se percorrêssemos toda a história da Santa Igreja, desde o seu nascedouro até os dias de hoje, nos encantaríamos com páginas de glórias imortais vividas por ela, entretanto, quantas páginas de dor e de sofrimento… Caro leitor, esta não parece também um pouco a sua história? É bem verdade que temos em nossas vidas momentos de grandes alegrias, mas, quantas aflições, dúvidas e dificuldades. Diante de cada sofrimento que nos depararmos ao longo de nossa vida, saibamos ver no fim, a glória que nos está reservada por Deus no Céu, se soubermos com serenidade, paciência e confiança, levar a cruz de todos os dias; e ao contemplarmos as grandezas e esplendores da Santa Igreja, aprendamos a olhar a fundo a raiz desta glória que nasceu principalmente do Sangue Preciosíssimo de Nosso Senhor Jesus Cristo, das lágrimas de Maria Santíssima, e também da dor e do sofrimento de um número incontável de almas generosas que souberam atender ao convite de Nosso Senhor: “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mc 8, 34).

Quase mítico…

Com muita leveza, e sempre com criatividade, as nuvens compõem a beleza de qualquer
panorama. Quando são densas e estáticas parecem figuras legendárias, quando são leves
e ágeis cobrem como um manto fino e gracioso a imensidão da Terra. Quem pelo menos uma
vez na vida não sonhou habitar no mundo das nuvens? Quem ao menos uma vez na vida não brincou de dar nome aos formatos que as nuvens tomam no firmamento?

As nuvens não nos dão somente lições de generosidade e serviço. Elas também exprimem a justiça operante. São capazes de ameaçar com granizos e trovões, neves e tempestades, mas
ao mais suave fragor da brisa logo se estendem despretensiosas pelo horizonte como se nada houvessem feito. E quanto fazem! Que seria da Terra sem as nuvens que nutrem com suas águas todos os viventes?

São Luís Maria Grignion de Montfort, santo que é objeto de uma entranhada devoção da parte de Monsenhor João Clá Dias, numa oração que bem mereceu o título de “Abrasada”,
usou a eloquente imagem das nuvens. Nesta prece o santo mariano pedia que Deus enviasse sacerdotes de fogo, “nuvens elevadas da terra e cheias de celeste orvalho, que voem sem empecilhos, de todos os lados, conforme o sopro do Espírito Santo” (Cf. Ez 1,12).

Nas casas dos Arautos, há alguns dias, chamou a atenção a visita destas nuvens, ou melhor, da névoa matutina. Deu a todos a impressão que algo do céu desceu até a terra e envolveu a todos numa espécie de antevisão celeste.

E é justamente de manhã, bem cedinho que revestidas de cores de esperança, as nuvens descem em forma de névoa e parecem querer brincar com o homem, mas, ao longo do dia, se elevam solenemente, pois seu lugar é nas alturas dos céus. O dia inteiro elas nos protegem dos causticantes raios do Sol e até no ocaso alegram aos homens quando se revestem de cores triunfantes, como bem merecem estas valorosas heroínas.

História ou realidade? A catedral “engloutie”

“Era uma vez…” Quantas histórias ouvimos contar em nossa infância que começam desta maneira… Maravilhamo-nos com tantas delas, mas guardamo-las empoeiradas no fundo de nossas recordações mais ou menos como um brinquedo antigo que nos causava grande atração quando crianças, mas que agora jaz no canto de algum armário, o qual será lembrado apenas nalguma circunstância fortuita em que lhe passarmos os olhos de modo inopinado…

Serão todos os contos um mero passatempo sujeito ao esquecimento como acabamos de descrever? Diríamos que, por certo, não. Há determinadas histórias que por mais que não tenham sido reais no rigor da palavra “real”, são reais ao menos no que diz respeito à vida de muitos de nós, ou seja, a seu modo acontecem na vida de algumas, ou de muitas pessoas. Para embasar nossa afirmação tomemos apenas um exemplo de histórias, aliás, a “quintessência” em matéria de histórias, que são as parábolas criadas por Nosso Senhor Jesus Cristo nas pregações que fazia.

Há quem diga que a história do filho pródigo não foi real, e que foi apenas para exemplificar um pouco, etc. Mas, quantos “filhos pródigos” já não passaram pela História? Não terei sido eu mesmo um filho pródigo com relação a Deus em minha vida? Olhando algumas histórias sob esse prisma percebemos que muitas delas simbolizam muitas realidades que elas mesmas não contam…

Isto posto, passemos à história que encabeçou o presente artigo. A história da catedral engloutie, ou submersa, assim é narrada:

“Era uma vez uma catedral bonita plantada há muitos anos na beira do mar. Era a jóia da aldeia. O povo gostava dela. E em dia de festa mais bonita ficava, cheia de gente, e os sinos dobrando.

Mas, um dia; foi o vento? Foi a maré, muito forte? Foram os pecados da gente que irritaram Deus? O certo é que o mar subiu e devorou a catedral. Depois, durante muitos séculos não se ouviu falar mais da catedral engloutie.

Mas, quando era calma a noite, quando não silvava o vento, gemendo no arvoredo, nem uivavam os cães na redondeza, se o barqueiro que singrasse aquelas ondas apurava o ouvido, escutava lá longe, vindo do fundo das águas, o claro som argênteo de sinos tocando. Eram os sinos da catedral que dobravam para as suas festas…”[1]

Ora, o que se deu com a catedral engloutie também ocorre a seu modo com cada alma humana. Quantas vezes esbarramos na vida com pessoas que, ao nosso ver, são um “mar de defeitos”. Pensamos não existir nada de aproveitável em tais pessoas, mas, bastaria aguçar um pouco o ouvido para escutar, muito distantes talvez, mas sonoros e cristalinos, cantarem os sinos desta catedral engloutie, que nos falam de qualidades que foram submersas com o tempo.

O que é preciso é nunca desesperar acerca de ninguém. É saber descobrir em cada coração o reflexo de Deus que aí existe, ainda que esteja escondido num lamaçal de defecções. É saber fazer com que bimbalhem os sinos da catedral. Desanimar jamais! Desanimar é o pior que pode haver. É perder a batalha da vida. Como, aliás, nos ensina Mons. João Clá:

“De maneira que o desânimo é pecado. É pior que o pecado até, porque os tratadistas de vida espiritual dizem que com a perda da esperança, o demônio atinge todas as virtudes. Todas as virtudes que nós possamos ter são atingidas quando se perde a virtude da esperança. Enquanto que quando se perde uma qualquer outra virtude, se perde aquela somente, mas quando se perde a esperança, todas as outras ficam atingidas. Então, é dos piores pecados que existem, é o desânimo.”[2]

Porém, qual a solução para não desanimar? Certamente é rezar, e rezar confiante e perseverantemente. “Portanto, ao rezarmos, nós devemos rezar com toda confiança, porque uma das notas essenciais para que nós sejamos atendidos por ele é esta confiança plena. E não podemos pedir com incerteza, devemos pedir com toda a segurança, nosso tom deve ser inteiramente categórico, na convicção plena de que vamos ser atendidos. E essa é a força da nossa pertencença à Igreja, essa é a força da nossa prática da virtude, essa é a força de tudo aquilo que nós necessitamos e obtemos, porque a força está nessa convicção. Ele [Nosso Senhor Jesus Cristo] não pode negar a palavra que usou.”[3] E qual palavra usou? “Eu vou para o Pai, e o que pedirdes em meu nome eu o realizarei a fim de que o Pai seja glorificado no       Filho.”


[1] D.Lucas Moreira Neves, A Semente é a palavra, págs. 13-16, 2ª edição, 1969, Edições Paulinas, São Paulo, SP.

[2] Mons. João S. Clá Dias, EP. Homilia de 01/12/2009.

[3] Mons. João S. Clá Dias, EP. Homilia de 29/05/2009.

 


Na Eucaristia recebemos Nosso Senhor Jesus Cristo mais do que Santa Marta…

Hoje a Igreja celebra a festa de Santa Marta. E é justamente hoje que nós podemos compreender bem qual benefício temos em receber também a Nosso Senhor. Como? Sim, na Sagrada Comunhão! Se paramos para analisar o tamanho desta graça percebemos que Santa Marta teve uma alegria muito grande em receber a Nosso Senhor Jesus Cristo em sua casa em Betânia, porém, nós possuímos alegria incomparavelmente maior em receber a Jesus Sacramentado.

Para termos primeiro em mente qual o regozijo de Santa Marta consideremos o seguinte comentário de Mons. João S. Clá Dias, na comemoração de Santa Marta:

“Marta recebia Nosso Senhor amiúde, muitas vezes. Muitas e muitas vezes Nosso Senhor ía à casa de Marta que ficava em Betânia. Marta tinha herdado essa parte da herança e ela, muito cuidadosa, mulher empreendedora, mulher organizada, mulher bem eficiente, ela tinha deixado a casa na maior ordem possível.

E quando ouviu falar em Nosso Senhor e Lázaro vinha contando o que tinha ouvido de Nosso Senhor, ela mesmo encontrando-se com Nosso Senhor, ela sonhou coma a hipótese de Nosso Senhor ir à casa dela. Mas ela não podia imaginar que ela iria receber Nosso Senhor tantas e tantas vezes.

E sempre que Nosso Senhor queria descansar das fainas apostólicas d’Ele, de todos os cansaços da multidão, das noites em claro em vigília e oração, Ele ia para Betânia para descansar. Dormir em Betânia, que sonho para Santa Marta!”[1]

Certamente nossa atenção, neste dia, se voltará aos episódios clássicos, ou seja, conhecidos acerca da vida de Santa Marta. Todavia, embora os acontecimentos narrados nas Sagradas Escrituras sejam os mais importantes e, sobretudo, que foram inspirados pelo Divino Espírito Santo para que permanecem escritos por todo o sempre, nada impede que imaginemos outras circunstâncias extraordinárias no convívio de Santa Marta com o Divino Hóspede…

Para não fugir muito daquilo que estamos acostumados em nossas vidas, bem poderíamos imaginar a seguinte circunstância: Santa Marta acorda, em determinado dia, aturdida por uma enorme dor de cabeça – o que, aliás, não é difícil ocorrer conosco – ,e vê entrar Santa Maria Madalena, sua irmã, às pressas pela porta, dizendo:

“— Marta! Marta! Depressa, porque Jesus vem vindo para cá! Veio um meninote aqui correndo dizendo: ‘Olha, eu vi Jesus dizendo que vinha para Betânia’. Vamos, depressa, vamos pôr aquela cadeira no lugar, tal coisa assim, assim, estica aquela cortina, porque não sei…

Marta diz:

— Ai, eu estou hoje mal, acho que eu não vou conseguir recebê-Lo com todo o carinho como o de sempre. Ai, bom, enfim vamos…

Ela vai se arrastando, põe aqui, põe lá, acolá. Quando ela ouve:

— Pode-se entrar?

Ah! Some a dor de cabeça, ela fica com uma disposição extraordinária, ela está bem disposta, ela esquece até que tinha sua enxaqueca. Por quê? Porque recebeu no seu ouvido o timbre de voz de Nosso Senhor e ela fica tão fora de si que as lágrimas lhe correm de emoção.”[2]

Será que episódios assim ocorreram na vida de Santa Marta? Só no Céu poderemos comprovar… Gostaríamos de ter semelhante graça? Claro que sim! Porém, para pasmo de todos, recebemos graça ainda maior com a Eucaristia, a qual podemos receber não só em alguns momentos, como Santa Marta, mas todos os dias se quisermos…

“Na Eucaristia o que nós encontramos? É Aquele mesmo Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade Encarnado que não vem em Betânia, não é recebido em nossa casa, nós é que vamos à casa d’Ele. Estamos na casa d’Ele, esta aqui é casa de Nosso Senhor Jesus Cristo [a igreja]. (…) Essa é a casa de Deus.

Ao invés de nós termos uma Betânia para receber Nosso Senhor, Nosso Senhor tem uma Betânia para receber-nos. Então, imaginem que Santa Marta vivesse aqui, lá e acolá, com dificuldades, etc., e Nosso Senhor com um palácio em Betânia e dissesse para ela: “Marta, venha, eu te recebo em meu palácio”. Não é uma situação muito melhor para ela? Sentar-se à mesa com Nosso Senhor Jesus Cristo e Nosso Senhor servir a ela, muito melhor essa situação.

Mais, mais, Marta servia iguarias a Nosso Senhor, compreensível; mas Ele é quem serve para nós iguarias. Que iguarias? O Corpo, Sangue, Alma e Divindade d’Ele. Portanto, nossa situação é superior à de Marta, só que nós não temos os horizontes que tinha Marta, e às vezes, julgamos que era melhor ter vivido na época de Marta e ter sido uma Marta para receber Nosso Senhor. Melhor é ser recebido por Ele e recebê-Lo no nosso interior.”[3]

Reconheçamos a grandiosidade deste benefício, dado por Deus, que é a Comunhão. E tomemos como meta de amor a este Sacramento a medida indicada por São Pedro Julião Eymard, Doutor da piedade eucarística: “A medida de amar a Deus é amá-Lo sem medidas!”

 


[1] Mons. João Scognamiglio Clá Dias, Homilia de 29/07/2008.

[2] Idem

[3] Idem.

Fímbrias do Paraíso

Em confronto com a realidade deste nosso chão de exílio, a superioridade do Paraíso é incomparável. Disso não temos a menor dúvida… Mas, se formos conhecer, ou melhor, admirar certas maravilhas desta Terra, poderíamos nos perguntar: será que não existe, cá em baixo, belezas que sejam reflexos do Paraíso Celeste? Para obter a resposta basta olhar para os panoramas naturais – como estes lindos céus coloridos – que dão ao homem uma das mais belas oportunidades de contemplar a magnificência infinita do Criador. Quando vemos as variadas cores de uma esplêndida aurora boreal, por exemplo, temos a impressão de que há um Autor colossal dando umas pinceladas por cima de nossas cabeças, com tintas “quintessênciadas” oriundas daquele lugar de sonhos.

Mas, parece que Deus não quis embelezar esta Terra sozinho, por isso, deu aos homens a capacidade de, por assim dizer, ajudá-lo a pintar a face da Terra. Catedrais onde percebemos que o espírito humano subiu tão alto que foi capaz de imaginar como seria o Céu; vitrais através dos quais nossas almas podem conhecer algo das rutilantes excelências de Deus; pinturas, como as de Fra Angélico, cujo dom  era “pintar o sobrenatural”, ou ainda, as esculturas altamente expressivas de Aleijadinho, lapidadas para o ar livre, tendo a abóboda celeste como templo; são apenas fragmentos deste imenso “quadro” que não passam de meros esboços da beleza infinitamente rica do Paraíso.

Entretanto, o que há de tão diferente que ao Paraíso nada se compara? “Olhos jamais viram, ouvidos jamais ouviram e coração humano jamais pressentiu o que está reservado para aqueles que o Amam”, (1Cor. 2,9)  é a resposta do Apóstolo. Quando do “lado de cá” vemos algo que seja belo, bom, grandioso, etc., do “lado de lá” nos encontramos com Aquele que é a Beleza, a Bondade, e a Grandeza… Além disso, no Paraíso o homem se encontrará na presença d’Aquele que é sua finalidade, tendo a companhia absoluta para a qual foi criado. Por isso, até a maior das felicidades que tivemos aqui neste vale de lágrimas é um nada em comparação com a alegria Celeste, onde cada um sentirá a felicidade completa. Ademais, o Paraíso Celeste é de uma elevação, de uma altitude – não física mas moral – incomparável. Junto a Deus, o justo está como que embriagado da alegria de ter contato com seu Criador, de vê-lo face-a-face e de conversar com Ele. E mais, o homem se vê inserido em toda a Corte Celeste, na qual ele passa a ser príncipe, ao lado dos Anjos e Santos que povoam a bem-aventurança eterna. Ele se acha no mais alto dos cumes, cercado de um convívio realmente afetuoso, respeitoso, amável, com a mais perfeita das multidões, que é o imenso povo por aqueles que se salva.

Porém, como faremos para chegarmos lá? Chegar?! No Céu não se chega, se conquista! E, como o conquistamos? Só a caridade é capaz de nos fazer alcançar essa grande vitória. Apenas ela nos deixa aptos e preparados para recebermos aquilo que desejamos, portanto, para gozarmos eternamente das alegrias do Céu é preciso amar ardentemente a Deus, uma vez que “no entardecer desta vida seremos julgados segundo o amor.” (São João da Cruz)

Lucas Alves Gramiscelli

Como nos contos de fada?

Quantas e quantas vezes a nossa imaginação de criança ( e não apenas de criança! ) facilmente transportou-se aos belos, cativantes e imponderáveis panoramas descritos nos livros que lemos, nas histórias que ouvimos, onde tudo dava-se num cenário harmonioso, emoldurado e engalanado pela neve.

Nesta semana, os habitantes da região sul do nosso querido Brasil, puderam viver de perto esta realidade, nas cidades onde os delicados flocos de neve pintaram o panorama com uma cor tão especial: o branco.

Os noticiários eram unânimes em trazer a mesma manchete: “Neve em Santa Catarina” e inclusive “Neve em Curitiba”, fenômeno que não ocorria há 38 anos.

A neve fala da inocência sem mancha, da beleza virginal e pura que tem o condão de encantar os olhos e os corações. Não sem razão, o Salmista arrependido e penitente, comparou a regeneração da alma com a alvura dessa fascinante criatura: “Tu me aspergirás com o hissope e serei purificado; lavar-me-ás e me tornarei mais branco que a neve.” (Sl 50, 9)

Agora que o exemplo bíblico tão patente se mostra aos olhos do brasileiro, contemplemos esta beleza natural, pedindo que nossas almas sejam ainda mais alvas que os próprios flocos de neve que nossos sentidos verificam…

 

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Nossa Senhora: A Luz da Fé

Neste Ano da Fé, no qual todos nós somos convidados a crescermos nesta virtude e manifestá-la pelas obras mediante a perseverança, encontramos em Maria Santíssima o augusto exemplo para imitarmos. Ela que, enquanto todos  duvidavam da Ressurreição do Senhor, foi a única “labareda” de fé que brilhou na escuridão dos dias em que o Salvador descera à mansão dos mortos. Acompanhemos, então, algumas considerações acerca desta Fé de Maria, qual Luz que ilumina em meio às trevas… Continue lendo “Nossa Senhora: A Luz da Fé”