O papel das imagens na piedade católica

Quando entramos numa igreja, geralmente nossa atitude é de primeiro se ajoelhar diante do Santíssimo Sacramento que lá se faz presente e de fazer uma reverência à imagem de Nossa Senhora ou de algum santo que a igreja possua.

Ora, Deus no Êxodo (20, 4), proíbe o povo eleito de confeccionar qualquer imagem sob o risco de cair em idolatria. Então porque, os católicos, que não adoram imagens, as confeccionam e veneram?

Esta é uma pergunta curiosa. O próprio Deus (Ex 25, 17-22) mandou Moisés colocar dois querubins de ouro sobre o Propiciatório da Arca, e era através deste Propiciatório que Deus falava com o povo. Quando Deus mandou serpentes no deserto para castigo do povo que se tinha revoltado, ao aplacar Sua cólera, mandou que Moisés construísse uma serpente de bronze que curava todo aquele que a olhasse (Nm 21, 4-9). O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, durante toda Sua vida pública, utilizava-se de parábolas, símbolos e imagens para instruir o povo ou reprender suas ações.

Nos primeiros tempos da Igreja, os cristãos, utilizavam imagens nas catacumbas como de Noé, Daniel e a imagem do peixe que simbolizava a Cristo. Mas para que servem as imagens na piedade católica? São Gregório já dizia:

“Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, a outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler” (Epíst. XI 13 PL 77, 1128c).

São Gregório de Nissa (+394) observava: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (Panegírico de S. Teodoro, PG 46, 737 d).

São João Damasceno (+749) proclamava: “O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” (De imaginibus I 17 PG 94, 1248 c).

Tanto as imagens, quanto os vitrais eram considerados como: a Bíblia dos pobres.

Mas o significado não é só isto. Quando queremos lembrarmo-nos de algum parente muito caro que faleceu, pegamos uma foto que temos de recordação e começamos a lembrar todos os tempos que passamos junto a ele, para tentar matar a saudade, o que nos dá a ideia de que ele se faz presente ao nosso lado. Assim também, quando queremos um convívio com algum santo ou com a própria Mãe de Deus buscamo-los através das imagens que simbolizam nossa devoção.

E não é em vão que se estabeleceu o culto das imagens, porque temos imagens que milagrosamente choraram, que milagrosamente foram esculpidas, enfim, que grandemente nos transmitem uma piedade sobrenatural e nos transportam ao convívio celeste.

O mundo dourado

No início deste mês de setembro, quem anda pelas ruas de São Paulo, repara em vários locais da cidade uma coloração diferente: o amarelo.

São os ipês, árvores muito curiosas, que mantém seus botões fechados até determinado momento do ano. Numa bela manhã, geralmente na primeira semana de setembro, observa-se que todos os botões estão abertos e suas flores aparecendo à luz do sol.

E os ipês se mostram eufóricos por estarem sob essa intensa ação do sol, o que os deixa particularmente atraentes.

Monsenhor João Clá Dias, EP,  sempre incentivou os Arautos a não ficarem somente na visão material da natureza, mas procurar nela a relação mais profunda com o homem.

A primeira reação de quem olha esta maravilha da natureza tem um primeiro deslumbramento no qual a análise não é possível.
Não é que não haja uma análise. Estar deslumbrado é analisar, é degustar e degustar é analisar. Mas é uma análise que não desce aos pormenores, não desce aos detalhes, se contenta com o esplendor do colorido e da linha geral. Mas depois das primeira floradas de ipê que alguém assista, a atenção se volta aos pormenores e então começa a ser analisado tudo aquilo quanto é o significado profundo daquela flor, o que é que ela significa na ordem do universo, o que é que ela significa na ordem da beleza, o que ela significa como expressão de Deus na vocação daquele país onde ela floresce, e assim, muitas outras considerações vêm ao espírito humano.

Sem dúvida, uma das mais belas árvores que há, o ipê simboliza determinados estados de espírito do homem ou situações da vida.
Assemelha-se ele a uma árvore ornada de magnífico manto dourado, conferindo um ar de corte onde se encontra. São sóis que reluzem em meio ao verde da mata, e suas flores reunidas em cachos de ouro estão a nos transmitir uma mensagem de esperança no porvir, nas promessas de Deus ainda não realizadas, mas que se cumprirão a seu tempo.

Vem-nos naturalmente à lembrança a poesia de Casimiro de Abreu:

“Ai que saudades que tenho
da aurora da minha vida,
De minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
O mundo é um sonho dourado,
A vida, um hino de amor!”

Andando novamente pelas ruas da cidade e vendo este “mundo que é um sonho dourado” neste mês de setembro, analisemos em cada ipê amarelo, a mensagem que este nos quer transmitir.

 

A “Boca de Ouro” da Igreja

Hoje a Igreja comemora um dos luminares da hagiografia, isto é, da história dos Santos: São João Crisóstomo. Se se pode dizer que sua vida foi comparável a um luminar, com mais ênfase se pode afirmar que suas palavras tinham o valor e o coruscar do mais fino ouro, tanto mais que lhe coube ao nome o acréscimo de “boca de ouro”, ou seja, crisóstomo…

São João Crisóstomo nasceu em Antioquia por volta de 349. Sua mãe, Santa Antusa, lhe deu uma educação eximiamente cristã, fazendo de sua própria casa um verdadeiro mosteiro religioso até a sua juventude. Quando faleceu sua mãe, o nosso santo contemplado hoje pela Igreja foi viver no deserto por seis anos. Todo o povo vendo a santidade desse homem providencial, decide chamá-lo para a cidade recebendo seu consentimento. Estando lá, é ordenado diácono e depois se prepara em cinco anos para o sacerdócio e para a pregação. Tornou-se um zeloso colaborador no governo da diocese de Antioquia através do seu pastoreio e pregação demonstrando uma grande cultura e, mais que tudo, uma evidente santidade.

São João de Antioquia – o sobre nome Crisóstomo (boca de ouro), foi-lhe conferido três séculos depois pelos bizantinos – tornou-se mais tarde patriarca de Constantinopla. Na capital do Oriente, ele promoveu procissões contra os arianos  – os quais incorreram na heresia de dizer que Nosso Senhor Jesus Cristo não era Deus e sim um grande homem dotado de poderes extraordinários -, também construiu hospitais, além de fazer uma eficaz evangelização na zona rural.

Através de seus sermões de fogo, que duravam horas, ele afervorava os tíbios, colocava medo nos hereges e confirmava na fé os que eram fervorosos. Porém, como algumas vezes acontece quando se é corrigido, isto é, não se aceitar a repreensão e, pelo contrário, pagar a repreensão com ódio. Foi o que aconteceu com São João Crisóstomo. Foi deposto e exilado ilegalmente por um conjunto de bispos de Constantinopla chefiados por Teófilo.

Após pouco tempo de exílio, São João foi reconduzido novamente a Constantinopla pelo imperador Arcádio, o qual fora atingido por várias desgraças que chegaram ao seu palácio. Mas como a vida de um santo é pervadida de fatos que a primeira vista não tem uma explicação humana, após dois meses o santo “boca de ouro” foi exilado novamente, primeiramente para a fronteira com a Armênia, depois para as margens do Mar Negro.

Faleceu neste exílio a 14 de setembro de 407, teve seu corpo transladado pelo filho de Arcádio, Teodósio, para Constantinopla e sendo recebido com todo fervor que ele merecia. O acervo com suas obras constitui verdadeiro tesouro para a Igreja Católica, e seus ensinamentos se perpetuaram pelos séculos. Se o leitor quer um exemplo da beleza de sua pregação e do zelo de suas palavras, veja o exemplo de um de seus sermões:

A Santa Cruz

*Junto da Cruz de Jesus estava Sua Mãe+. Viste essa vitória admirável? Viste os magníficos prodígios da Cruz? Posso dizer-te alguma coisa ainda mais admirável? Ouve o modo como se deu a vitória, e hás-de maravilhar-te ainda mais. Cristo venceu o diabo valendo-Se dos meios com que o diabo tinha vencido, e derrotou-o tomando as próprias armas que ele tinha usado. Ouve como o fez:

A virgem, o madeiro e a morte, foram os sinais da nossa derrota. A virgem era Eva, pois ainda não conhecera varão; o madeiro era a árvore; a morte, o castigo de Adão. E eis que também a virgem, o madeiro e a morte, que foram os sinais da nossa derrota, se tornaram os sinais da nossa vitória. Com efeito, em vez de Eva está Maria; em vez da árvore do bem e do mal, está o madeiro da Cruz; em vez da morte de Adão, está a morte de Cristo.

Vês como o demônio foi vencido pelos mesmos meios por que vencera? Na árvore, o diabo fez cair Adão; na árvore, Cristo derrotou o diabo. A primeira levava à região dos mortos; mas a segunda faz voltar até os que já para ali haviam descido. Do mesmo modo, a primeira árvore ocultou o homem já vencido e nu; esta, porém, mostrou a todos o vencedor, também nu, levantado ao alto.

Todos estes magníficos efeitos nos conseguiu a Cruz: a Cruz é troféu levantado contra os demônios, e uma espada contra o pecado, espada com a qual Cristo trespassou a serpente; a Cruz é a vontade do Pai, a glória do Seu Filho Unigênito, a alegria do Espírito Santo, a honra dos Anjos, a segurança da Igreja, o regozijo de São Paulo, a fortaleza dos Santos, a luz de toda a terra.

Fonte: São João Crisóstomo (cerca 345 – 407), Bispo de Antioquia, depois de Constantinopla, Doutor da Igreja, Sermão para Sexta feira Santa sobre a Cruz, 2 ; PG 49, 396 (trad. breviário)

 

Consagração a Nossa Senhora

A consagração a Nossa Senhora consiste em o homem dar‑se a Ela. E, já que ele pode realizar em si de algum modo as virtudes que nela refulgem dar‑se à Mãe de Deus é para o homem procurar imitá‑la e também servi‑la. O conhecimento de Nossa Senhora, a admiração por Ela, a imitação e o serviço a Ela, são os elementos integrantes desta completa consagração a Maria Santíssima que nós queremos verdadeiramente realizar.

Mas daí nós passamos a uma pergunta: Como viver essa consagração em nossos dias? Nossa vida deve ser tal que os princípios de santidade que aurimos na consagração a Ela se reflitam não só nas almas, mas em tudo aquilo que nos cerca.

Por uma misteriosa afinidade entre as formas, os sons, as cores, os perfumes pode-se exprimir estados de espírito diversos. É necessário, pois, que se reflitam estados de espírito virtuosos para a formação dos ambientes nos quais o homem encontre os recursos necessários para a sua santificação, imagens de Deus que lhe falem aos sentidos, lhe dêem o atrativo da virtude e o estimulem por essa forma a conhecer, a ter apetência da beleza de Deus, que ele só verá face a face na glória dos céus.

Organizar uma ordem de coisas assim seria pois o Reinado de Jesus Cristo, o Reinado de Maria na terra. É isso que almejam os Arautos do Evangelho. Mediante o quê? Mediante a difusão da devoção Àquela que prenunciou a era de seu próprio reinado, ao dizer: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!” Para tal intento um ótimo sinal pôde ser visto na Consagração a Nossa Senhora realizada neste último fim de semana…

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O aniversário de Maria Santíssima

“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens. Eis que anuncio uma grande alegria!” Esta frase angelical que foi dita pela primeira vez na história, a qual ouvimos na liturgia de 25 de dezembro, nascimento do Menino Jesus, bem poderia ser antecipada ao mais augusto nascimento que já houve, para ser aplicada aquela Criatura que daria a luz ao Criador.

Os únicos nascimentos que a Igreja comemora na liturgia são o de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Nossa Senhora e de São João Batista, do qual foi dito pelo Divino Mestre que de todos os homens nascidos de mulher, ninguém foi tão grande como ele.

Nossa Senhora, nascida de São Joaquim e Santa Ana, foi a casa perfeita e completa construida pelas mãos de Deus para que Ele viesse habitar. Os mariólogos comentam que onde os grandes santos chegaram ao auge da santidade, a Virgem Santíssima começou a prática da virtude um pouco além do cume dos bem-aventurados. Concebida sem pecado original desde a sua concepção, ela nos deu a Virtude e a Vida por excelência, isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo, reparando assim todo o mal provocado pela primeira mulher da criação, Eva, que trouxe o pecado e a morte para a terra.

É costume entre as pessoas dar presentes para aqueles que fazem aniversário. Hoje é o aniversário de Nossa Senhora! Então, o que dar para aquela que nos fez abrir as portas do Céu, trazendo-nos o Redentor da Humanidade? Não temos nada de material a sua altura para oferecer a ela e por mais que tivéssemos, é bem certo que o que mais lhe agradaríamos nesse seu aniversário é fazermos um propósito sério de abraçar a santidade profundamente com todas as nossas forças. Com isso poderemos ter a certeza que Nossa Senhora do Céu esboçará um sorriso de tal modo maternal, cândido e capaz de operar tantas maravilhas que, se nós a víssemos, nos tornaríamos realmente santos instantaneamente!

Como faço para marcar a História? – I

Caro leitor, devo dizer que vossa pergunta me intriga. Como fazer para desvendar semelhante questão? Pensei muito sobre o assunto, e, passeando pelos memorandos de meu compartimento intelectivo, achei uma história que lhe dá uma inusitada solução.

Há muito tempo, na época em que homens viviam de camelos e iluminavam as noites com velas, estava um velho homem a mendigar pequenas porções alimentícias, ao lado de um grande mercado árabe. Ele era romano de nascimento, porém havia se mudado com sua família para as terras quentes da África, onde estabelecera sólida casa ao leste da terras que hoje seria o leste de Marrocos. Nos primeiros anos de vida naquele deserto continente, tudo corria bem para o abastado Flaminio, como era o nome de nosso ancião personagem. Ele tinha toda sua atenção voltada ao primeiro filho, Tito, que era um verdadeiro poeta. Pessoas de toda parte vinham vê-lo declamar suas poesias, e cumprimentavam Flaminio pelo ótimo filho que tinha; era o jovem escritor que começava sua fama nas terras do pai. Entretanto, Tito, inchado de glória, decidiu partir com seus amigos para as longínquas regiões da Grécia. Deixando seu pai no abandono, partiu para nunca mais voltar. Contavam-se das proezas linguísticas de Tito na ilha dos filósofos, no entanto Flaminio nunca mais recebeu uma carta sua. Para sua maior tristeza, sua esposa morreu de rara doença um ano após a partida de seu primogênito. Flaminio tinha um segundo filho, mas, àquelas alturas, já tinha se alistado como soldado romano, e partira de casa ainda jovem. Assim, nosso velho personagem ficou pobre e solitário. Estabeleceu um ponto de descanso, e passava dias inteiros pedindo aos transeuntes do mercado árabe um resto de comida.

Passados anos, Flaminio, já muito magro e as portas da morte, presenciou uma disputa de dois beduínos em frente ao local que escolhera para mendigar. Tentando ajudar, recebeu uma punhalada de um dos contendores. Expirou deste modo Flaminio, o romano.

Diante de Deus, ele pediu um favor ao Criador. Pediu uma glória para sua família, e que um dos seus filhos continuasse a estirpe dos antigos flaminios, com honra e valor. Deus, vendo que seu pedido era sincero, declarou: “Flaminio, daqui a dezoito séculos voltarás a esta Terra, e verás que os versos de teu filho continuam e continuarão a se fazer ouvir por toda face.”

Flaminio exultou. Sabia que seu filho Tito haveria de levar seu nome por todos os tempos! Enfim achara ele um meio de marcar a História!

Entretanto, passado este período de anos, Flaminio voltou a sua terra natal, a grandiosa Roma. Esperava ansioso para ver as frases de seu filho. O que ele haveria de achar?

CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO…

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                                                                                                                                       Guilherme Cueva

Santo do Dia: Santa Beatriz da Silva e Menezes

Se com grande alegria comemoramos os aniversários daqueles que nos são mais próximos nesta terra, quanto mais não deve ser nossa alegria em festejar o nascimento, não para esta vida mas para a eternidade, daqueles que podem agora contemplar a Deus na Bem-Aventurança Eterna. Neste dia, 1 de setembro, podemos especialmente pedir a intercessão de Santa Beatriz da Silva e Menezes para, também nós, podermos chegar à pátria celeste.

Nasceu no ano de 1426 em Creta, cidade do Norte da África, do casal Dom Rui Gomes da Silva, governador desta mesma cidade e alcaide-mor (quer dizer, Presidente da Câmara) de Campo maior e D. Isabel de Meneses, próxima parente do Arcebispo de Évora, Dom Garcia de Meneses.

Quando ainda menina, costumava dizer: “ A caridade apoderou-se de tal maneira do meu coração, que me faz sempre esquecer de mim mesma. E é como me sinto feliz.”

Com esse espírito, ela procurava favorecer ao máximo todos os pobres que vinham à porta do castelo, unindo às esmolas que lhes oferecia aquilo que era muitas vezes o que mais precisavam, uma palavra animadora e um bom conselho.

Aos vinte e um anos de idade, foi chamada a servir de aia à infanta D. Isabel, que em 1447, casou-se com o rei Dom João II.

Beatriz era tão senhorial, sensata e de grande formosura física e espiritual, que o rei e fidalgos cercavam-na de atenções. A rainha D. Isabel, despeitada e a referver de ciúmes, persegue-a e maltrata-a. Isso a tal ponto que um dia à noite, vai aos aposentos de Beatriz e manda que a seguisse. Dirige-se então a um cômodo escondido do palácio, onde havia um cofre. Diz a Beatriz que ali entrasse, e ficasse presa pelos “desvarios que estava praticando”.  Tinha a rainha o perverso intuito de matar a jovem santa.

Esta, porém, trancada no escuro cofre, pede a Nossa Senhora que não lhe permitisse morrer sem a Sagrada Comunhão, e desde aquele momento consagrava a sua pureza a Nosso Senhor Jesus Cristo, fazendo o voto de castidade.

A escuridão é rompida pela luz emitida pela Virgem com o Menino Deus nos braços, que prometeu-lhe que sairia daquela prisão pois Deus tinha-a destinado a grandes coisas. Fundaria ela um instituto religioso com o título de <<Ordem da Imaculada Conceição>>.

Dias depois ao abrir o armário, a Rainha, que esperava encontrar um cadáver, deu com Beatriz cheia de vida e ainda mais formosa. Torturada pelo remorso e também pelo medo, ouviu estas palavras:

-Senhora, não temais. Servi-vos durante anos e estava disposta a continuar a servir-vos. Mas Deus chama-me e não posso deixar de seguir hoje mesmo, se possível for, para o Convento de São Domingos el Real de Toledo.”

– Pois bem Beatriz, se o Senhor te chama, vai sem demora e podes contar com o meu auxílio.

Depois de trinta anos passados na oração e penitência no Convento de S. Domingos, dali saiu em 1484, com mais doze religiosas, para dar começo à nova Ordem de Nossa Senhora da Conceição, que foi aprovada pelo Papa Inocêncio VIII, um ano antes da morte da fundadora.

O corpo de Santa Beatriz jaz em Toledo, onde a Fundadora faleceu a 9 de Agosto de 1490, com 66 anos de idade.

(Fonte: Santos de cada dia. Vol. III. José Leite, SJ.)