Qual o meu destino?

Arautos Granja Viana: “Qual o meu destino?”

Qual é o meu destino? Pergunta comum para quanta gente. O  incomum é fazê-la em pleno feriado de carnaval… Todavia, foi justamente para responder a esse questionamento que vários jovens puderam participar de um simpósio no Centro Juvenil dos Arautos do Evangelho na grande São Paulo.

Porém, longe de se aventurarem em tentar descobrir as sendas do futuro por uma espécie de visão, os arautos apenas colocaram diante dos olhos de jovens provenientes de diversas cidades a verdade ensinada pela Igreja acerca do destino de todo homem, isto é, a eternidade. Todo homem, nesta terra, é peregrino, enquanto espera a hora de transpor os umbrais da eternidade. Para encontrar o quê? Depende de qual caminho tomou para chegar até lá…

Neste simpósio foram mostrados a esses jovens três caminhos seguros para chegar a um porto seguro na eternidade: a confissão, a comunhão, e a oração. Fazendo, assim, eco aos ensinamentos de Mons. João S. Clá Dias, Fundador dos Arautos do Evangelho:  “Aproximando-me sempre das vias dos Sacramentos, sobretudo do Sacramento da Eucaristia, do Sacramento da Confissão e com frequência, eu tenho sobre mim a promessa de Nosso Senhor: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, terá a vida eterna”. (Homilia de 11 fev. 2007).

Para levar a cabo tão laboriosa atividade recorreu-se, como de costume, às encenações teatrais e às palestras explicativas. Porém, entre umas e outras considerações acerca do mundo sobrenatural, também tiveram excelentes oportunidades para contemplar as belezas naturais como, por exemplo, na caminhada feita na segunda-feira rumo ao cume do monte Saboó, localizado na cidade de São Roque – SP.

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Santa Teresinha: Padroeira da Comunhão diária

Quem nunca ouviu falar de Santa Teresinha do Menino Jesus? A singela freira que viveu nas solidões do convento de Lisieux, e que mais tarde foi coroada com o título de Padroeira das Missões, sem sequer sair das paredes de sua reclusão religiosa… Por quê? Porque sua ardente caridade, identificando-se no coração da Igreja, propugnou as missões mais longínquas.

Seu exemplo não se limitou ao ardor missionário, mas também brilhou seu fervor eucarístico. Com efeito, naquele então ainda não havia o privilégio de uma dupla Comunhão no dia, nem mesmo o costume de comungar a cada dia. A influência do jansenismo se alastrou poderosamente em todos os ambientes religiosos. Somente se comungava com o consentimento do confessor. Ora, Teresinha, apesar de ser autorizada a comungar 4 a 5 vezes por semana, tinha o desejo de fazê-lo todos os dias, muito embora não se atrevesse a pedir-lhe[1]. Porém o que estava impedida de fazer na terra, certamente poderia modificar-se na eternidade. Prometeu que, estando no Céu, haveria de trabalhar para que fosse mudada a regulamentação acerca da recepção da comunhão[2]. De fato, foi o que ocorreu algum tempo depois: «quando o Papa Pio X tomou conhecimento do ensinamento dessa carta teresiana, disse: “Oportuníssimo! Oportuníssimo!”»[3]

São Pio X, associando aos escritos de Santa Teresinha outros acontecimentos na história da Igreja, mandou publicar o decreto Quam Singulari[4], o qual, além de favorecer a Comunhão aos infantes, incentivou a recepção frequente e diária do Corpo de Jesus Sacramentado.

A Santa de Lisieux, em maio de 1889, assim escreve à Irmã Maria Guérin, a qual sofria de grandes escrúpulos:

“Irmãzinha querida, comunga muitas vezes, muitas vezes… Eis aí o único remédio, se queres te curar. Não foi sem razão que Jesus pôs esta atração em tua alma. (Creio que ele ficaria contente se puderes recuperar as tuas duas Comunhões perdidas. Então, a vitória do demônio seria menor, pois não teria conseguido afastar Jesus de teu coração.) Não tenhas medo de amar demasiadamente Nossa Senhora. Nunca a amarás suficientemente, e Jesus estará bem feliz, pois a Santíssima Virgem é sua Mãe.”

Desta forma, bem se poderia considerar Santa Teresinha como padroeira não somente das missões, mas também da Comunhão frequente, quiçá, diária.

Seu amor por Nosso Senhor a acompanhou em toda a sua vida, de tal sorte que até mesmo a morte não lhe causava medo, mas antes alegria. Mons. João S. Clá Dias, EP, numa de suas homilias assim comenta os últimos momentos desta alma abrasada:

“Santa Terezinha do Menino Jesus, jovem, juveníssima, quando no meio da sua tuberculose teve uma hemoptise à noite, aguentou até de manhã para não olhar, pois fez a penitência de não olhar o que tinha saído de seus lábios. Porque se fosse sangue ela teria uma alegria tão grande que seria intemperante. Então, ela aguentou até o amanhecer. Quando amanheceu e ela viu que era sangue mesmo e que, portanto, a morte se aproximava uma alegria invadiu sua alma.

E quantos santos ao saírem desta vida estão cheios de alegria e gratidão. Por quê? Porque chegou a hora de nascer para o Céu. O santo não considera a morte como uma tragédia. Ele considera como uma passagem maravilhosa desta vida para a outra. E não considera uma morte, mas considera um nascimento.”[5]

Peçamos a intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus para sermos almas eucarísticas e para, no término desta vida, podermos compartilhar da mesma alegria nos Céus.


[1] Consta na Positio de Santa Teresinha, nas p. 289-290. Cf. Também CAVALCANTE, 1997, pp. 215-216.

[2] Cfr. P. T. Cavalcante, Dicionário de Santa Teresinha, Paulus, São Paulo, 1997, p. 118.

[3] P. T. Cavalcante, Dicionário de Santa Teresinha, p. 118.

[4] Cfr. S. CONGREGATIO DE SACRAMENTIS, Decretum: Quam singulari, (8 Augusti 1910) in AAS II  (1910), pp. 577-583.

[5] CLÁ DIAS, Mons. João S.. Homilia de 29 jun. 2008.

Na Eucaristia recebemos Nosso Senhor Jesus Cristo mais do que Santa Marta…

Hoje a Igreja celebra a festa de Santa Marta. E é justamente hoje que nós podemos compreender bem qual benefício temos em receber também a Nosso Senhor. Como? Sim, na Sagrada Comunhão! Se paramos para analisar o tamanho desta graça percebemos que Santa Marta teve uma alegria muito grande em receber a Nosso Senhor Jesus Cristo em sua casa em Betânia, porém, nós possuímos alegria incomparavelmente maior em receber a Jesus Sacramentado.

Para termos primeiro em mente qual o regozijo de Santa Marta consideremos o seguinte comentário de Mons. João S. Clá Dias, na comemoração de Santa Marta:

“Marta recebia Nosso Senhor amiúde, muitas vezes. Muitas e muitas vezes Nosso Senhor ía à casa de Marta que ficava em Betânia. Marta tinha herdado essa parte da herança e ela, muito cuidadosa, mulher empreendedora, mulher organizada, mulher bem eficiente, ela tinha deixado a casa na maior ordem possível.

E quando ouviu falar em Nosso Senhor e Lázaro vinha contando o que tinha ouvido de Nosso Senhor, ela mesmo encontrando-se com Nosso Senhor, ela sonhou coma a hipótese de Nosso Senhor ir à casa dela. Mas ela não podia imaginar que ela iria receber Nosso Senhor tantas e tantas vezes.

E sempre que Nosso Senhor queria descansar das fainas apostólicas d’Ele, de todos os cansaços da multidão, das noites em claro em vigília e oração, Ele ia para Betânia para descansar. Dormir em Betânia, que sonho para Santa Marta!”[1]

Certamente nossa atenção, neste dia, se voltará aos episódios clássicos, ou seja, conhecidos acerca da vida de Santa Marta. Todavia, embora os acontecimentos narrados nas Sagradas Escrituras sejam os mais importantes e, sobretudo, que foram inspirados pelo Divino Espírito Santo para que permanecem escritos por todo o sempre, nada impede que imaginemos outras circunstâncias extraordinárias no convívio de Santa Marta com o Divino Hóspede…

Para não fugir muito daquilo que estamos acostumados em nossas vidas, bem poderíamos imaginar a seguinte circunstância: Santa Marta acorda, em determinado dia, aturdida por uma enorme dor de cabeça – o que, aliás, não é difícil ocorrer conosco – ,e vê entrar Santa Maria Madalena, sua irmã, às pressas pela porta, dizendo:

“— Marta! Marta! Depressa, porque Jesus vem vindo para cá! Veio um meninote aqui correndo dizendo: ‘Olha, eu vi Jesus dizendo que vinha para Betânia’. Vamos, depressa, vamos pôr aquela cadeira no lugar, tal coisa assim, assim, estica aquela cortina, porque não sei…

Marta diz:

— Ai, eu estou hoje mal, acho que eu não vou conseguir recebê-Lo com todo o carinho como o de sempre. Ai, bom, enfim vamos…

Ela vai se arrastando, põe aqui, põe lá, acolá. Quando ela ouve:

— Pode-se entrar?

Ah! Some a dor de cabeça, ela fica com uma disposição extraordinária, ela está bem disposta, ela esquece até que tinha sua enxaqueca. Por quê? Porque recebeu no seu ouvido o timbre de voz de Nosso Senhor e ela fica tão fora de si que as lágrimas lhe correm de emoção.”[2]

Será que episódios assim ocorreram na vida de Santa Marta? Só no Céu poderemos comprovar… Gostaríamos de ter semelhante graça? Claro que sim! Porém, para pasmo de todos, recebemos graça ainda maior com a Eucaristia, a qual podemos receber não só em alguns momentos, como Santa Marta, mas todos os dias se quisermos…

“Na Eucaristia o que nós encontramos? É Aquele mesmo Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade Encarnado que não vem em Betânia, não é recebido em nossa casa, nós é que vamos à casa d’Ele. Estamos na casa d’Ele, esta aqui é casa de Nosso Senhor Jesus Cristo [a igreja]. (…) Essa é a casa de Deus.

Ao invés de nós termos uma Betânia para receber Nosso Senhor, Nosso Senhor tem uma Betânia para receber-nos. Então, imaginem que Santa Marta vivesse aqui, lá e acolá, com dificuldades, etc., e Nosso Senhor com um palácio em Betânia e dissesse para ela: “Marta, venha, eu te recebo em meu palácio”. Não é uma situação muito melhor para ela? Sentar-se à mesa com Nosso Senhor Jesus Cristo e Nosso Senhor servir a ela, muito melhor essa situação.

Mais, mais, Marta servia iguarias a Nosso Senhor, compreensível; mas Ele é quem serve para nós iguarias. Que iguarias? O Corpo, Sangue, Alma e Divindade d’Ele. Portanto, nossa situação é superior à de Marta, só que nós não temos os horizontes que tinha Marta, e às vezes, julgamos que era melhor ter vivido na época de Marta e ter sido uma Marta para receber Nosso Senhor. Melhor é ser recebido por Ele e recebê-Lo no nosso interior.”[3]

Reconheçamos a grandiosidade deste benefício, dado por Deus, que é a Comunhão. E tomemos como meta de amor a este Sacramento a medida indicada por São Pedro Julião Eymard, Doutor da piedade eucarística: “A medida de amar a Deus é amá-Lo sem medidas!”

 


[1] Mons. João Scognamiglio Clá Dias, Homilia de 29/07/2008.

[2] Idem

[3] Idem.