Dedicação da igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

Arautos Granja Viana: “Dedicação da igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima”

A imensidade de Deus excede tanto a tudo quanto podemos cogitar que o Salmista Davi não encontrou melhores dizeres para dar a entender a grandeza do Criador senão as seguintes palavras: “É Moab minha bacia de banho, sobre Edom eu porei meu calçado” (Sl 107). Afirmação grandiosa, mas ainda assim as palavras do autor inspirado carecem profundamente de precisão. Qual habitação conseguiria conter o Autor do universo? Não obstante de exceder em infinito as vastidões da Criação, o Deus infinito quis habitar no finito.

“Aquele a quem os Céus no podiam conter, tu carregastes em vosso seio”, reza uma antiga melodia do ofício dedicado à Santíssima Virgem. Aquele que não poderia ser contido nem por todo o universo, por grande que seja, quis habitar num corpo humano, tomado das entranhas virginais de Maria.

Todavia, o mesmo Deus desejou para si outras moradas, além de Nossa Senhora, embora de maneira distinta. Quais? Todas as igrejas a Ele consagradas e que ocupam as vastidões da terra. Um destes templos consagrados ao culto divino é a igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, localizada no Centro Juvenil dos Arautos do Evangelho em São Paulo, e que foi solenimente dedicada no último domingo por Sua Excelência Reverendíssima Dom Luís Antônio Guedes, Bispo de Campo Limpo. Sendo que nesta mesma celebração estiveram presentes outros dois prelados: Dom Emilio Pignoli e Dom Benedito Beni dos Santos; além de centenas de fiéis provenientes das mais variadas regiões de São Paulo e do Brasil.

Confira as fotos desta solenidade na página Últimas Atividades.

Mais alguma coisa?

Arautos Granja Viana: “Mais alguma coisa?”

Certa vez, um famosíssimo biliardário decidiu comprar um fabuloso presente para sua filhinha, que fazia seu primeiro aniversário. Indo a uma loja de grandes preços, escolheu uma magnífica pérola, a qual achou muito adequada para ornar o pescoço de sua menina. Indo até o caixa, puxa a grande carteira, e, começa a selecionar o valor para pagar o belo presente. Enquanto isto, o balconista lhe pergunta:

– “Mais alguma coisa senhor?”

Não acreditando na pergunta do moço, o rico empresário fica desconcertado. “Como? Paguei tão  caro nesta pedra e ele me perguntava se quero mais algo?” Com a voz calma, o ricaço pergunta ao rapaz se havia algo mais caro naquela loja. O vendedor disse que havia um carro, leiloado em penhor por alguma madame de anos atrás. O empresário diz que vai comprá-lo, e deixa o jovem assustado, pois não sabe o que uma criança de um ano irá fazer com um automóvel de luxo; entretanto, prepara o recibo e pergunta:

– “Mais alguma coisa senhor?”

Furioso, escorrendo gotículas de suor, o milionário bate na mesa e diz:

– “Quero a coisa mais cara que existe nesta loja! Aí você verá como eu sou rico!!!”

O funcionário procura e procura nos documentos de aquisição dos materiais da loja, e descobre que existe a apólice de uma ilha que estava a venda, mas tão  cara que nenhum magnata até aquele dia tinha conseguido comprar. O rico senhor então exclama:

– “Eu compro! Aqui está o cheque!

O moço repete seu anterior procedimento:

– “Uma pérola, um automóvel, uma ilha. Mais alguma coisa?

Nauseabundo, irritado, o milionário grita:

– “Procure na internet a coisa mais cara que o mundo oferta!”

O balconista vai para trás de um monitor de computador e sai de lá com uma solução:

– “Senhor, a NASA fabricou um foguete de última geração e o pôs a venda, por uma fábula trilionária…”

– “Não tem problema! Esta nave espacial vai um presente para minha filha! Quero ver se você vai perguntar novamente: ‘Mais alguma coisa?’!”

– “Não diga uma coisa dessas”, replicou o jovem. “Meu patrão é exigente, e pede que eu sempre pergunte: ‘Mais alguma coisa.”

– “Então é por isso?!” interrompeu o empresário. “Saiba que vou comprar esta loja amanhã e vou demitir seu patrão! Como é possível ter algo a mais para eu dar a minha filha?!”

O rapaz, corajoso, o interpela:

– “Na verdade há assim, caro senhor. Apenas pergunto: você já deu o Criador a sua filhinha?”

– “Não brinque comigo, jovem!” diz sério o magnata. “Como posso dar Deus a alguém?”

– “O senhor não pode”, responde o balconista, “mas o próprio Deus quis dar-se a nós em uma Cruz. Sua filha já foi batizada?”

– “Ehh… Ehh.. realmente, preciso preparar uma grande festa de batizado: convidar presidentes, chamar autoridades, vai ser uma comemoração de muita importância…”

– “Não, senhor. Não é disso que falo. Se o senhor me pergunta qual o maior presente que pode dar à sua filhinha, eu lhe respondo sem hesitação: é o próprio Deus, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, cujo Reino não terá fim. Quando uma pessoa é batizada, o próprio Deus vem habitar nela e a transforma num templo, onde reside a Santíssima Trindade”.

“No momento em que a pessoa é batizada”, continuou o vendedor, “Deus a adota como Sua própria filha, e lhe dá o direito de receber por herança eterna tudo o que pertence a Ele mesmo. E adotando-a, a faz participar da Sua própria natureza divina, comunicando-lhe Sua própria vida eterna e sobrenatural”.

“Dar Deus a alguém é um presente tão grande, tão insuperável, que apesar de ser onipotente, nem Ele poderia dar um presente maior”, concluiu o jovem.

O bilionário calou-se. Ficou pensativo um momento, levantou-se, deu um abraço no rapaz e lhe disse: “Muito obrigado, meu filho. Você tem toda razão. Reze por mim para que não só eu possa dar esse tesouro incalculável para minha filha o quanto antes, como possa recuperá-lo para minha própria alma”.

Xadrez, um jogo curioso…

Arautos Granja Viana: “Xadrez, um jogo curioso…”

Chess, xadrez, ajedrez, шахи, Schach, satranç, ludus latruncularius, şahmat, cờ vua,
棋, шахматы… seja como for, este jogo já há muitos séculos vem trazendo atrás de si
gerações de aficcionados, desde simples camponeses até renomados estadistas.

Até mesmo alguns santos puderam honrá-lo algumas vezes…

Não queremos entrar em discussão acerca de seu nascedouro, mas uma forte
corrente afirma datar os antecessores diretos do xadrez em torno de 600 d.C., tendo
provavelmente sua origem na Índia. Já o xadrez “moderno” que conhecemos, com a
Rainha e o Bispo, pode-se afirmar com segurança existirem no final do séc. XV, ou seja
na era dos descobrimentos.

Muitas são as finalidades dos praticantes dessa modalidade: alguns jogam por profissão,
outros por lazer, e outros ainda, para ficarem mais inteligentes, pois o jogo envolve
o uso de vários compartimentos avançados do cérebro… Em alguns países levam tão
a sério a aprendizagem da criança com o xadrez, que chega a ser disciplina escolar
obrigatória, como é o exemplo da Romênia, na qual as notas em Matemática dependem
em 33% do desempenho no xadrez.

Dentre tantas as curiosidades que o xadrez suscita, consta a infinidade de jogadas na
qual podem ocorrer dentro de uma partida: Existem precisamente 169.518.829.100.544
quatrilhões (15 zeros) de maneiras de jogar apenas os dez primeiros lances. Para os 40
lances seguintes de um jogo, o número é estimado em 25 x 10 elevado a 115ª potência.

O número inteiro de átomos em todo o universo é apenas uma pequena fração desse
resultado…

Se em um “simples” jogo pode-se obter a cada partida um jogo diferente, o que não
será de Deus na visão beatífica quando os homens que se salvarem poderão gozar
eternamente de novos reflexos de seu Criador que é infinitamente maior? São coisas que
valem a pena pensar…

Deus provê às nossas necessidades temporais…

Arautos Granja Viana: “Deus provê às nossas necessidades temporais”[1]

“A confiança, já o dissemos, é uma esperança heróica; não difere da esperança comum a todos os fiéis senão pelo seu grau de perfeição. Ela é, pois, exercida sobre os mesmos objetos que aquela virtude, mas por meio de atos mais intensos e vibrantes.

Como a esperança ordinária, a confiança espera do Pai Celeste todos os socorros que são necessários para se viver santamente aqui na terra e merecer a bem‑aventurança do Paraíso.

Ela espera, primeiramente, os bens temporais na medida em que estes nos podem conduzir ao fim último.

Nada mais lógico: não podemos ir à conquista do Céu à maneira dos puros espíritos; somos compostos de corpo e de alma. Este corpo que o Criador formou pelas suas mãos adoráveis é o companheiro inseparável da nossa existência terrestre; e sê‑lo‑á ainda da nossa sorte eterna depois da ressurreição geral. Não podemos prescindir da sua assistência na luta pela conquista da vida bem‑aventurada.

Ora, para sustentar‑se, para cumprir plenamente a sua tarefa, o corpo tem múltiplas exigências. Essas exigências, é preciso que a Providência as satisfaça; e ela fá‑lo magnificamente.

Deus encarrega‑se de prover às nossas necessidades temporais; cuida delas generosamente. Segue‑nos com olhar vigilante e não nos deixa na indigência. Perante as dificuldades materiais mais angustiantes, não nos devemos perturbar. Com uma certeza serena esperemos das mãos divinas o que é preciso para o sustento da nossa vida.

“Eu vos digo, declara o Salvador, não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem quanto ao vosso corpo com o que haveis de vestir. Porventura não é o corpo mais do que o vestido e a vida mais do que o alimento? Olhai para as aves do céu: Não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai Celeste alimenta‑as. Não valeis vós mais do que elas?…

“Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé?

“Não vos preocupeis, dizendo: Que comeremos nós, que beberemos, ou que vestiremos? Os pagãos, esses sim, afadigam‑se com tais coisas; porém, o vosso Pai Celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso.

“Procurai pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo” ([2]).

Não basta passar os olhos de relance sobre este discurso de Nosso Senhor. Importa que nele fixemos longamente a atenção, para procurarmos o seu significado profundo e nos deixarmos embeber pela sua doutrina.”

 


[1] THOMAS DE SAINT-LAURENT. O Livro da Confiança. Cap. III.

[2] ) Mt. 6, 25‑26 e 28‑33.

Muitas almas têm medo de Deus

Arautos em São Paulo: “Muitas almas têm medo de Deus”

Verdades que muitas vezes esquecemos…

“São poucos os cristãos, mesmo entre os fervorosos, que possuem essa confiança que exclui toda ansiedade e hesitação. E são várias as causas dessa deficiência. O Evangelho narra que a pesca miraculosa aterrou São Pedro. Com sua impetuosidade habitual, ele mediu de relance a infinita distância que separava a grandeza do Mestre da sua própria pequenez. Tremeu de terror sagrado, e prosternando-se, a face contra o chão, exclamou: “Afastai-Vos de mim, Senhor; que sou um pecador! “.

Certas almas têm, como São Pedro, esse terror. Elas sentem tão vivamente a própria indigência e as próprias misérias, que mal ousam aproximar-se da Divina Santidade. Parece-lhes que um Deus assim tão puro deveria sentir repulsa ao inclinar-Se para elas. Triste impressão, que lhes dá à vida interior uma atitude contrafeita, e, por vezes, a chega a paralisá-la completamente.

Como se enganam essas almas!

Logo aproximou-Se Jesus do Apóstolo assustado: “Não temas!”, disse-lhe, e fê-lo levantar-se…

Vós também, cristãos, que do seu amor tantas provas tendes recebido, nada temais! O que Nosso Senhor receia acima de tudo é que tenhais medo d’Ele. Vossas imperfeições, vossas fraquezas, vossas faltas, mesmo graves, vossas reincidências tão frequentes, nada O desanimará, contanto que desejeis sinceramente converter-vos. Quanto mais miseráveis sois, mais Ele tem compaixão de vossa miséria, mais deseja cumprir, junto a vós, sua missão de Salvador…

Não foi para os pecadores, sobretudo, que Ele veio à terra?…”[1]

 


[1] O Livro da Confiança. Pe. Thomas de Saint-Laurent, cap. I.

O Sol, imagem de Deus

Arautos em São Paulo: “O Sol, imagem de Deus”

Os doutores da Igreja tentaram explicitar ao máximo o significado da auto-definição divina: “Eu sou aquele que sou”. E concluíram eles que só é possível compreender algo deste mistério divino através de comparações.

O Evangelho de São João apresenta – em continuidade com a tradição do Antigo Testamento – uma profunda analogia que nos ajuda a levantar o véu da grande questão sobre a identidade de Deus: a da luz. Deus é luz, luz que é vida para os homens em Cristo (Jo 1, 3-4).

Deus revela seu Ser, que é Luz. Ele comunica aos homens não somente algo do seu Ser, como Ele faz às criaturas inanimadas, mas às criaturas inteligentes faz participar de sua Vida e de sua Luz. Todo o Evangelho de São João está polarizado em torno desse tema, tão rico e muito acentuado nos demais livros da Bíblia. A Luz se faz presente em Deus, na Criação, na Antiga Aliança e seus ritos, como na sua Lei, em Jesus Cristo e na sua Igreja, na vida moral, e, enfim, na Jerusalém Celeste.

Na imagem da luz, uma criatura vem à nossa mente como a mais evocativa figura de Deus: o Sol.

Sim, o Sol é o astro da luz, uma verdadeira e luminosa parábola da grandeza e do esplendor Divino. Dentre as maravilhas da natureza, o Sol sempre foi um tema riquíssimo para todas as formas de arte. Porém, o astro-rei é, sobretudo, uma criatura rica em simbologia, através da qual se intui algo da grandeza do Criador.

Tal é a pulcritude e grandeza do Sol, que vários povos pagãos adoraram-no, pois bem parece divino. Mas o Sol é uma simples criatura. Deus o criou como um inconfundível selo de luz que reflete a grandeza do Autor sublime do Universo. […]

Edmond Rostand (1868-1918), numa espirituosa frase exclamava: “Oh Sol! Tu, sem o qual as coisas não seriam senão o que elas são”. Cheia de inteligência e de brilho, a sentença do célebre poeta faz sentir com poucas palavras o poder do astro-rei para emprestar a cada objeto uma beleza que ele, de si, jamais haveria de ter.[…]

O Sol é uma imagem da infinita perfeição e do poder divino. Deus é o Belo, matriz de todas as belezas do Universo. Deus é o Poder, origem e sustentáculo de toda a ordem da Criação. O Sol é uma imagem do Motor imóvel que tudo move. É o Ser necessário a todas as contigentes.

_______________________

ARAUTOS DO EVANGELHO. Deus… Quem é Ele. São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2012. pp. 26-30.