A Igreja é a Estrela que nos leva a Belém!

Arautos em São Paulo: “A Igreja é a Estrela que nos lev

Tivemos ontem a comemoração litúrgica da Epifania do Senhor. A este propósito Mons. João S. Clá Dias, Fundador dos Arautos, tece o seguinte comentário acerca deste acontecimento:

“Chama-se festa dos Reis Magos, mas em realidade é a festa da Epifania. Essa festa vem desde o século terceiro, foi estabelecida primeiro no Oriente e, depois, assumida também pela Igreja Latina, pela Igreja do Ocidente. E ela representa a festa dos gentios. Porque é neste momento em que Nosso Senhor se manifesta especialmente para os que não são judeus.

Manifestou-se já, e tivemos isso por ocasião do Natal, aos pastores que são os mais próximos d’Ele que representam o povo judeu. E, agora, Ele chama do oriente esses reis para simbolizar todos os povos e a universalidade da Redenção. Ele veio para salvar a todos, de todas as classes, de todas as raças, de todos os cantos.

E hoje é a comemoração que a Igreja promove para exaltar e adorar a Nosso Senhor enquanto Deus. Ele no presépio e para os judeus Ele se manifesta enquanto Deus, Ele se manifesta enquanto Homem. Hoje Ele, homem, se manifesta enquanto Deus. Se não houvesse uma festa de Reis, como foi estabelecida por Pio XII, se não tivesse essa festa, hoje nós poderíamos considerar bem de perto e com toda a propriedade a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque são reis que vem prestar homenagem ao Rei dos reis.

E é, portanto, uma festa para nós do ocidente mais importante ainda do que o próprio Natal. Porque no Natal Ele se manifesta mais especialmente para os judeus e nesta de hoje Ele se manifesta a nós.

[…] nasce Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas Ele nasce numa terra judaica, em Belém, de uma mãe judia. Nasce para os judeus, porque chama os pastores. Dir-se-ia que Ele vem, portanto, com uma vocação estritamente feita para o povo judeu, para o povo eleito. […] Ele antecipa nesta festa dos Reis Magos o chamado das nações pagãs, das nações longínquas.

E vai mover esses reis que estão lá longe. Eles se põem a caminhar, pura e simplesmente, porque vêem a estrela e estavam estudando as profecias e sabiam que ia aparecer um rei, um salvador, que era um salvador das nações, mas especialmente para Israel, que era um rei dos judeus. E por isso eles se põem a caminho. Põe-se a caminho porque o Espírito Santo toca a alma deles como tocou as almas dos pastores, como tocou a alma de Simeão, como tocou a alma de tanta gente. É o Espírito Santo que promove esses movimentos.

E nós vemos que eles seguem, no meio dessas dificuldades todas, mas nós veremos depois, mais tarde, na história que se estabelece dentro do cristianismo quantos e quantos povos, quantas e quantas nações, quantas e quantas famílias, quantas e quantas pessoas vão também seguir a estrela. Que estrela? A estrela da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Porque a Igreja faz o papel do Espírito Santo. A Igreja distribui os sacramentos, a Igreja promove a santificação das almas, a Igreja distribui as graças, portanto. É a Igreja que faz o papel dessa estrela que cintila diante dos nossos olhos e que faz com que nós nos movimentemos e sigamos a voz interior. Porque ao mesmo tempo que a Igreja nos santifica com os seus sacramentos, com a sua palavra, ao mesmo tempo, também, o Espírito Santo fala no nosso interior.”[1]


[1] Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP. Homila na Epifania do Senhor, 06 jan. 2008.