A Igreja é a Estrela que nos leva a Belém!

Arautos em São Paulo: “A Igreja é a Estrela que nos lev

Tivemos ontem a comemoração litúrgica da Epifania do Senhor. A este propósito Mons. João S. Clá Dias, Fundador dos Arautos, tece o seguinte comentário acerca deste acontecimento:

“Chama-se festa dos Reis Magos, mas em realidade é a festa da Epifania. Essa festa vem desde o século terceiro, foi estabelecida primeiro no Oriente e, depois, assumida também pela Igreja Latina, pela Igreja do Ocidente. E ela representa a festa dos gentios. Porque é neste momento em que Nosso Senhor se manifesta especialmente para os que não são judeus.

Manifestou-se já, e tivemos isso por ocasião do Natal, aos pastores que são os mais próximos d’Ele que representam o povo judeu. E, agora, Ele chama do oriente esses reis para simbolizar todos os povos e a universalidade da Redenção. Ele veio para salvar a todos, de todas as classes, de todas as raças, de todos os cantos.

E hoje é a comemoração que a Igreja promove para exaltar e adorar a Nosso Senhor enquanto Deus. Ele no presépio e para os judeus Ele se manifesta enquanto Deus, Ele se manifesta enquanto Homem. Hoje Ele, homem, se manifesta enquanto Deus. Se não houvesse uma festa de Reis, como foi estabelecida por Pio XII, se não tivesse essa festa, hoje nós poderíamos considerar bem de perto e com toda a propriedade a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque são reis que vem prestar homenagem ao Rei dos reis.

E é, portanto, uma festa para nós do ocidente mais importante ainda do que o próprio Natal. Porque no Natal Ele se manifesta mais especialmente para os judeus e nesta de hoje Ele se manifesta a nós.

[…] nasce Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas Ele nasce numa terra judaica, em Belém, de uma mãe judia. Nasce para os judeus, porque chama os pastores. Dir-se-ia que Ele vem, portanto, com uma vocação estritamente feita para o povo judeu, para o povo eleito. […] Ele antecipa nesta festa dos Reis Magos o chamado das nações pagãs, das nações longínquas.

E vai mover esses reis que estão lá longe. Eles se põem a caminhar, pura e simplesmente, porque vêem a estrela e estavam estudando as profecias e sabiam que ia aparecer um rei, um salvador, que era um salvador das nações, mas especialmente para Israel, que era um rei dos judeus. E por isso eles se põem a caminho. Põe-se a caminho porque o Espírito Santo toca a alma deles como tocou as almas dos pastores, como tocou a alma de Simeão, como tocou a alma de tanta gente. É o Espírito Santo que promove esses movimentos.

E nós vemos que eles seguem, no meio dessas dificuldades todas, mas nós veremos depois, mais tarde, na história que se estabelece dentro do cristianismo quantos e quantos povos, quantas e quantas nações, quantas e quantas famílias, quantas e quantas pessoas vão também seguir a estrela. Que estrela? A estrela da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Porque a Igreja faz o papel do Espírito Santo. A Igreja distribui os sacramentos, a Igreja promove a santificação das almas, a Igreja distribui as graças, portanto. É a Igreja que faz o papel dessa estrela que cintila diante dos nossos olhos e que faz com que nós nos movimentemos e sigamos a voz interior. Porque ao mesmo tempo que a Igreja nos santifica com os seus sacramentos, com a sua palavra, ao mesmo tempo, também, o Espírito Santo fala no nosso interior.”[1]


[1] Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP. Homila na Epifania do Senhor, 06 jan. 2008.

Um Menino que transformou a História

 

“Entremos numa certa Gruta e ali veremos um Menino adorado por sua Mãe Santíssima e São José, reunidos em família, oferecendo mais glória a Deus do que toda a humanidade idólatra, e até mesmo mais do que os próprios Anjos do Céu em sua totalidade. Já em seu nascimento, numa singela manjedoura, aquele Divino Infante reparava os delírios de glória egoísta sofregamente procurada pelos pecadores. Ele se encarnou para fazer a vontade do Pai e, assim, dar-nos o perfeitíssimo exemplo de vida.” (CLÁ DIAS, Mons. João Scognamiglio. O Inédito sobre os Evangelhos. Cittá del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, p. 105-106, vol. V).

Ao acompanharmos a Liturgia nesses dias contemplamos o nascimento de um Menino, o qual, dividindo a História ao meio, merece perene louvor pelos séculos, representado pela solene oitava de comemoração do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Se enganaria quem julgasse o Natal como data passada, um dia mais festivo em meio às centenas de outros tantos. Certamente assim seria, se o nascimento comemorado fosse de qualquer um de nós e não de Deus, como de fato é. Nascimento de Deus? A pergunta mostra-se absurda em sua elaboração, pois quem é Deus obviamente não tem princípio. Todavia, o que para os homens parece absurdo, para Deus foi o meio escolhido para demonstrar aos mesmos homens, dignos de todo castigo, o amor e a condescendência d’Aquele que não se horrorizou em tomar nossa carne para nos reconduzir àquela pátria impossível de alcançar, não fosse a verdade de um tão admirável Natal.

Natal glorioso, mas ao mesmo tempo silencioso, repleto de luz e, entretanto, escondido em meio às trevas da meia-noite, cantado pelos Anjos do Céu, presenciado apenas pelos pastores da terra… Paradoxo sublime! Registrado nas páginas da História, lembrado nas canções… Canções? Sim, canções; e das mais variadas partes do mundo e épocas históricas. Foi precisamente para rememorar essas canções que os jovens do Projeto Futuro & Vida prepararam diversas apresentações natalinas neste fim de ano. Uma delas, e digna de nota, foi realizada na diretoria de ensino do município de Osasco – SP, como todos poderão acompanhar nas fotos deste post, e da página “ÚLTIMAS ATIVIDADES”, deste mesmo blog.

Quem é mais, manda menos…

A vida comum e corrente de todos os dias nos traz ensinamentos valorosos na compreensão de vários acontecimentos. A observação detida, e às vezes desinteressada, pode nos fornecer princípios que talvez décadas de estudo não proporcionariam. Assim nascem, na maioria das vezes, os chamados “ditados populares”, os quais, diga-se de passagem, resumem em pequenas sentenças o que os livros dedicariam boas páginas no intuito de tratar dignamente de certos temas.

Pois bem, um dos ditos populares muito familiar a nossos ouvidos talvez seja: “Quem pode mais, chora menos…” Frase um pouco crua no que diz respeito a uma educação mais polida, porém, verdadeira. Não obstante, mais do que o simples significado da afirmação, o que nos interessa no presente momento é a “moldura” que a reveste, a qual, sem muita dificuldade, deixa entrever que aquele que possui maior força, maior poder, maior autoridade, é o que faz valer sua voz, é o que subjuga, que intimida precisamente pelo que representa diante dos outros. Essa concepção, apesar de não figurar tão sem véus assim, é o modo como muitas vezes interpretamos a toda e qualquer autoridade, como se a hierarquia viesse de fábrica com uma espécie de selo macabro e injusto. Ora, a análise de uma vida digna de imitação, isto é, a de Nosso Senhor Jesus Cristo bem nos mostra uma outra concepção acerca da hierarquia, conforme comenta Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP:

“À primeira vista, a constituição da Sagrada Família é um mistério, pois nela quem tem mais autoridade é São José, como patriarca e pai, com direito sobre a esposa e sobre o fruto de suas puríssimas entranhas.

A esposa é Mãe de Deus, Mãe da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Sendo Mãe, tem Ela poder sobre um Deus que Se encarnou em seu seio virginal e Se fez seu Filho.

Nosso Senhor Jesus Cristo, como filho, deve obediência a esse pai adotivo, aceitando em tudo a orientação e a formação dada por José; e também à sua Mãe, criatura sua. Que imenso, insondável e sublime paradoxo!

Assim, na ordem natural, José é o chefe; Maria, a esposa e mãe; e Jesus, a criança. Porém, na ordem sobrenatural, o Menino é o Criador e Redentor; Ela, a Medianeira de todas as graças, Rainha do Céu e da Terra; e José, o Patriarca da Igreja. José, o que de si tem menos poder, exerce a autoridade sobre Nossa Senhora, a qual tem a ciência infusa e a plenitude da graça, e sobre o Menino, que é o Autor da graça.

Por que dispôs Deus essa inversão de papéis?

Assim fez para nos dar uma grande lição: Ele ama a hierarquia e deseja que a sociedade humana seja governada por este princípio, do qual o próprio Verbo Encarnado quis dar exemplo.”[1]


[1] CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O inédito sobre os Evangelhos. Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2012, 130-131, vol. V.

Medianeira e Dispensadora universal de todas as graças

Arautos em São Paulo: “Medianeira e Dispensadora universal de todas as graças”

“Daí de graça o que de graça recebestes”; frase célebre porque muitas vezes ouvida, mas, mais ainda, por vir dos lábios do Divino Mestre.[1] Ora se há algo que de graça recebemos é a própria graça dada por Deus.

Graça… mas o que é a graça?  “A graça de Deus é um dom habitual, uma disposição estável e sobrenatural para aperfeiçoar a própria alma e torná-la capaz de viver com Deus, agir por seu amor.”[2] Graça pela qual nos tornamos filhos de Deus e alcançamos o Céu, pois “sem o auxílio da graça de Deus, só com as nossas forças, não podemos fazer nada que nos seja útil para a vida eterna.”[3]

Ora, de todas as graças a Virgem Santíssima é a Medianeira e Dispensadora universal.[4] Jesus é o receptáculo de todas as graças, Maria as distribui. Quanto teríamos de lhe agradecer, quão poucas palavras lhe conseguimos dirigir. Porém, um bom hino de louvor poderia ser o que segue:

“Ah! Verdadeiramente, a invenção seria genial, se não fosse divina. Que Maria seja bem efetivamente esta Medianeira, isso sobressai do que Ela é em relação ao Mediador e em relação a nós. Ele lhe deve tudo, pois Ela é sua Mãe; Ela nos deve tudo, porque é a nossa. Portanto, entre Ele e nós, Ela é o sagrado liame, a augusta intermediária que não saberia resignar-se a um rompimento, e para evitá-lo emprega todos os seus recursos, usa de todos os seus direitos, faz valer toda a sua graça.

Ó Jesus, quem exaltará vossas misericórdias? Suspenso ao madeiro, entregue indefeso aos golpes da justiça divina, compreendendo então, por experiência, quanto é terrível para a fraqueza humana de se encontrar só, com suas faltas, em face de Deus, quisestes nos abrir um asilo, mesmo contra vossa cólera de Cordeiro.”

Vosso servo Jó, outrora bradou: ‘Quem, Senhor, me protegerá contra vossa cólera?’ O sondo de Jó, Vós o realizastes, confiando-nos ao coração da mais compassiva das mulheres.”[5]


[1] Cf. Mt 10, 8.

[2] Catecismo da Igreja Católica, n. 2000.

[3] Catecismo de São Pio X. n. 532.

[4] Cf. ROSCHINI, Gabriel. Instruções Marianas. São Paulo: Paulinas, 1960, p. 83; 96.

[5] DADOLLE, Pierre. Le Mois de Marie. Paris: J. Gabalda, 1925, p.239. In: CLÁ DIAS, JOÃO SCOGNAMIGLIO. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição comentado. 2 ed. São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2011, v. II, p. 144-145.

História ou realidade? A catedral “engloutie”

“Era uma vez…” Quantas histórias ouvimos contar em nossa infância que começam desta maneira… Maravilhamo-nos com tantas delas, mas guardamo-las empoeiradas no fundo de nossas recordações mais ou menos como um brinquedo antigo que nos causava grande atração quando crianças, mas que agora jaz no canto de algum armário, o qual será lembrado apenas nalguma circunstância fortuita em que lhe passarmos os olhos de modo inopinado…

Serão todos os contos um mero passatempo sujeito ao esquecimento como acabamos de descrever? Diríamos que, por certo, não. Há determinadas histórias que por mais que não tenham sido reais no rigor da palavra “real”, são reais ao menos no que diz respeito à vida de muitos de nós, ou seja, a seu modo acontecem na vida de algumas, ou de muitas pessoas. Para embasar nossa afirmação tomemos apenas um exemplo de histórias, aliás, a “quintessência” em matéria de histórias, que são as parábolas criadas por Nosso Senhor Jesus Cristo nas pregações que fazia.

Há quem diga que a história do filho pródigo não foi real, e que foi apenas para exemplificar um pouco, etc. Mas, quantos “filhos pródigos” já não passaram pela História? Não terei sido eu mesmo um filho pródigo com relação a Deus em minha vida? Olhando algumas histórias sob esse prisma percebemos que muitas delas simbolizam muitas realidades que elas mesmas não contam…

Isto posto, passemos à história que encabeçou o presente artigo. A história da catedral engloutie, ou submersa, assim é narrada:

“Era uma vez uma catedral bonita plantada há muitos anos na beira do mar. Era a jóia da aldeia. O povo gostava dela. E em dia de festa mais bonita ficava, cheia de gente, e os sinos dobrando.

Mas, um dia; foi o vento? Foi a maré, muito forte? Foram os pecados da gente que irritaram Deus? O certo é que o mar subiu e devorou a catedral. Depois, durante muitos séculos não se ouviu falar mais da catedral engloutie.

Mas, quando era calma a noite, quando não silvava o vento, gemendo no arvoredo, nem uivavam os cães na redondeza, se o barqueiro que singrasse aquelas ondas apurava o ouvido, escutava lá longe, vindo do fundo das águas, o claro som argênteo de sinos tocando. Eram os sinos da catedral que dobravam para as suas festas…”[1]

Ora, o que se deu com a catedral engloutie também ocorre a seu modo com cada alma humana. Quantas vezes esbarramos na vida com pessoas que, ao nosso ver, são um “mar de defeitos”. Pensamos não existir nada de aproveitável em tais pessoas, mas, bastaria aguçar um pouco o ouvido para escutar, muito distantes talvez, mas sonoros e cristalinos, cantarem os sinos desta catedral engloutie, que nos falam de qualidades que foram submersas com o tempo.

O que é preciso é nunca desesperar acerca de ninguém. É saber descobrir em cada coração o reflexo de Deus que aí existe, ainda que esteja escondido num lamaçal de defecções. É saber fazer com que bimbalhem os sinos da catedral. Desanimar jamais! Desanimar é o pior que pode haver. É perder a batalha da vida. Como, aliás, nos ensina Mons. João Clá:

“De maneira que o desânimo é pecado. É pior que o pecado até, porque os tratadistas de vida espiritual dizem que com a perda da esperança, o demônio atinge todas as virtudes. Todas as virtudes que nós possamos ter são atingidas quando se perde a virtude da esperança. Enquanto que quando se perde uma qualquer outra virtude, se perde aquela somente, mas quando se perde a esperança, todas as outras ficam atingidas. Então, é dos piores pecados que existem, é o desânimo.”[2]

Porém, qual a solução para não desanimar? Certamente é rezar, e rezar confiante e perseverantemente. “Portanto, ao rezarmos, nós devemos rezar com toda confiança, porque uma das notas essenciais para que nós sejamos atendidos por ele é esta confiança plena. E não podemos pedir com incerteza, devemos pedir com toda a segurança, nosso tom deve ser inteiramente categórico, na convicção plena de que vamos ser atendidos. E essa é a força da nossa pertencença à Igreja, essa é a força da nossa prática da virtude, essa é a força de tudo aquilo que nós necessitamos e obtemos, porque a força está nessa convicção. Ele [Nosso Senhor Jesus Cristo] não pode negar a palavra que usou.”[3] E qual palavra usou? “Eu vou para o Pai, e o que pedirdes em meu nome eu o realizarei a fim de que o Pai seja glorificado no       Filho.”


[1] D.Lucas Moreira Neves, A Semente é a palavra, págs. 13-16, 2ª edição, 1969, Edições Paulinas, São Paulo, SP.

[2] Mons. João S. Clá Dias, EP. Homilia de 01/12/2009.

[3] Mons. João S. Clá Dias, EP. Homilia de 29/05/2009.

 


Na Eucaristia recebemos Nosso Senhor Jesus Cristo mais do que Santa Marta…

Hoje a Igreja celebra a festa de Santa Marta. E é justamente hoje que nós podemos compreender bem qual benefício temos em receber também a Nosso Senhor. Como? Sim, na Sagrada Comunhão! Se paramos para analisar o tamanho desta graça percebemos que Santa Marta teve uma alegria muito grande em receber a Nosso Senhor Jesus Cristo em sua casa em Betânia, porém, nós possuímos alegria incomparavelmente maior em receber a Jesus Sacramentado.

Para termos primeiro em mente qual o regozijo de Santa Marta consideremos o seguinte comentário de Mons. João S. Clá Dias, na comemoração de Santa Marta:

“Marta recebia Nosso Senhor amiúde, muitas vezes. Muitas e muitas vezes Nosso Senhor ía à casa de Marta que ficava em Betânia. Marta tinha herdado essa parte da herança e ela, muito cuidadosa, mulher empreendedora, mulher organizada, mulher bem eficiente, ela tinha deixado a casa na maior ordem possível.

E quando ouviu falar em Nosso Senhor e Lázaro vinha contando o que tinha ouvido de Nosso Senhor, ela mesmo encontrando-se com Nosso Senhor, ela sonhou coma a hipótese de Nosso Senhor ir à casa dela. Mas ela não podia imaginar que ela iria receber Nosso Senhor tantas e tantas vezes.

E sempre que Nosso Senhor queria descansar das fainas apostólicas d’Ele, de todos os cansaços da multidão, das noites em claro em vigília e oração, Ele ia para Betânia para descansar. Dormir em Betânia, que sonho para Santa Marta!”[1]

Certamente nossa atenção, neste dia, se voltará aos episódios clássicos, ou seja, conhecidos acerca da vida de Santa Marta. Todavia, embora os acontecimentos narrados nas Sagradas Escrituras sejam os mais importantes e, sobretudo, que foram inspirados pelo Divino Espírito Santo para que permanecem escritos por todo o sempre, nada impede que imaginemos outras circunstâncias extraordinárias no convívio de Santa Marta com o Divino Hóspede…

Para não fugir muito daquilo que estamos acostumados em nossas vidas, bem poderíamos imaginar a seguinte circunstância: Santa Marta acorda, em determinado dia, aturdida por uma enorme dor de cabeça – o que, aliás, não é difícil ocorrer conosco – ,e vê entrar Santa Maria Madalena, sua irmã, às pressas pela porta, dizendo:

“— Marta! Marta! Depressa, porque Jesus vem vindo para cá! Veio um meninote aqui correndo dizendo: ‘Olha, eu vi Jesus dizendo que vinha para Betânia’. Vamos, depressa, vamos pôr aquela cadeira no lugar, tal coisa assim, assim, estica aquela cortina, porque não sei…

Marta diz:

— Ai, eu estou hoje mal, acho que eu não vou conseguir recebê-Lo com todo o carinho como o de sempre. Ai, bom, enfim vamos…

Ela vai se arrastando, põe aqui, põe lá, acolá. Quando ela ouve:

— Pode-se entrar?

Ah! Some a dor de cabeça, ela fica com uma disposição extraordinária, ela está bem disposta, ela esquece até que tinha sua enxaqueca. Por quê? Porque recebeu no seu ouvido o timbre de voz de Nosso Senhor e ela fica tão fora de si que as lágrimas lhe correm de emoção.”[2]

Será que episódios assim ocorreram na vida de Santa Marta? Só no Céu poderemos comprovar… Gostaríamos de ter semelhante graça? Claro que sim! Porém, para pasmo de todos, recebemos graça ainda maior com a Eucaristia, a qual podemos receber não só em alguns momentos, como Santa Marta, mas todos os dias se quisermos…

“Na Eucaristia o que nós encontramos? É Aquele mesmo Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade Encarnado que não vem em Betânia, não é recebido em nossa casa, nós é que vamos à casa d’Ele. Estamos na casa d’Ele, esta aqui é casa de Nosso Senhor Jesus Cristo [a igreja]. (…) Essa é a casa de Deus.

Ao invés de nós termos uma Betânia para receber Nosso Senhor, Nosso Senhor tem uma Betânia para receber-nos. Então, imaginem que Santa Marta vivesse aqui, lá e acolá, com dificuldades, etc., e Nosso Senhor com um palácio em Betânia e dissesse para ela: “Marta, venha, eu te recebo em meu palácio”. Não é uma situação muito melhor para ela? Sentar-se à mesa com Nosso Senhor Jesus Cristo e Nosso Senhor servir a ela, muito melhor essa situação.

Mais, mais, Marta servia iguarias a Nosso Senhor, compreensível; mas Ele é quem serve para nós iguarias. Que iguarias? O Corpo, Sangue, Alma e Divindade d’Ele. Portanto, nossa situação é superior à de Marta, só que nós não temos os horizontes que tinha Marta, e às vezes, julgamos que era melhor ter vivido na época de Marta e ter sido uma Marta para receber Nosso Senhor. Melhor é ser recebido por Ele e recebê-Lo no nosso interior.”[3]

Reconheçamos a grandiosidade deste benefício, dado por Deus, que é a Comunhão. E tomemos como meta de amor a este Sacramento a medida indicada por São Pedro Julião Eymard, Doutor da piedade eucarística: “A medida de amar a Deus é amá-Lo sem medidas!”

 


[1] Mons. João Scognamiglio Clá Dias, Homilia de 29/07/2008.

[2] Idem

[3] Idem.

Nossa Senhora: A Luz da Fé

Neste Ano da Fé, no qual todos nós somos convidados a crescermos nesta virtude e manifestá-la pelas obras mediante a perseverança, encontramos em Maria Santíssima o augusto exemplo para imitarmos. Ela que, enquanto todos  duvidavam da Ressurreição do Senhor, foi a única “labareda” de fé que brilhou na escuridão dos dias em que o Salvador descera à mansão dos mortos. Acompanhemos, então, algumas considerações acerca desta Fé de Maria, qual Luz que ilumina em meio às trevas… Continue lendo “Nossa Senhora: A Luz da Fé”

“Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará!”: Encerramento da Missão Mariana em São Roque

Durante uma semana estiveram os arautos do Centro Juvenil de São Paulo em missão na cidade de São Roque, como todos puderam acompanhar nos últimos posts. Pois bem, há uma frase que assim se fiz: “O fim coroa a obra.” Ou seja, é precisamente o fim de uma obra que dará a esta todo o brilho que merece, ou desmerecerá o que veio antes. Isto bem se encontra, por exemplo, na consideração da vida dos Santos. Julgar-se-á se uma pessoa foi santa durante sua vida se, de fato, o fim de seus dias condizem com a obra de santidade que desempenhou enquanto vivia. Deste modo, mostramos a todos os espectadores do blog Arautos Granja Viana o fim da Missão Mariana realizada na semana passada, o qual corou de maneira esplêndida todo o apostolado realizado na cidade de São Roque.

O fruto de mais de 400 visitas diárias, durante a semana de missão, se mostrou na procissão e Missa que encerraram a visita da Imagem Peregrina àquela cidade. Centenas de pessoas encheram as imediações da Capela de Nossa Senhora de Fátima. A visita de uma Rainha bem merece uma honrosa saudação e dignos presentes, mas… o que ofereceram os habitantes de São Roque? Aquilo de maior valor que poderiam oferecer. O quê? Seus corações. Seus corações cheios de gratidão à Rainha dos Corações, cheios de fé e esperança na Mãe das Mães, como bem se pode ver nas manifestações de piedade…

Maria Santíssima quando apareceu na Cova da Iria, em Portugal, pediu conversão aos homens e mulheres. Apesar deste maternal pedido, pouco se pôde ver acerca desta mudança de vida… Não obstante, a Santíssima Virgem ainda nesta ocasião predisse tremendos castigos à Humanidade caso esta não ouvisse suas admoestações. Porém, antes de encerrar suas palavras disse: “Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará!” Para o cumprimento destas palavras trabalharam todos os jovens arautos durante a Missão Mariana. Para que o Imaculado Coração de Maria triunfe, antes de mais nada, nos corações de cada um.

Alguém poderia perguntar: deixar triunfar esse Coração é algum benefício? A afirmação tornasse patente ao considerar o que é esse Coração. O Fundador dos Arautos do Evangelho, Mons. João Clá Dias, EP, comenta: “Esse é o Coração que é a Sede de Todas as Graças criadas por Deus. É o tesouro, é o depósito onde Deus despeja todas as graças. […] São Jerônimo chama esse coração, e é muito bonita a expressão dele, chama de: Eco Patris Divini. É um Coração que é um eco do Coração do Divino Pai, do Padre Eterno. Coração que é um Eco, um eco do Coração do Pai Eterno.”(Homilia, 16-06-2007)

Parece pouco? Vejamos o que o próprio Jesus disse acerca deste Coração, quando falava à Santa Matilde: “Vós deveis saudar o Coração Virginal de Maria, minha Mãe como um oceano cheio de graças celestes, e como um tesouro repleto de toda espécie de bens para os homens. Vós deveis saudar ainda, como o mais puro que jamais houve depois do meu. Pois Ela foi a primeira que fez o voto de virgindade. Vós o saudareis como o mais humilde. E Ela mereceu de me conceber nas suas castas entranhas pela virtude do Espírito Santo. Vós o saudareis como o mais devoto e o mais ardoroso dos desejos de minha Encarnação. Como o mais abrasado de amor de Deus e do próximo. Como o mais sábio, o mais paciente, o mais fiel, o mais consumido de toda espécie de virtudes.” (Revelações de Nosso Senhor a Santa Matilde [Meltilde])

Façamos, portanto, tudo que estiver a nosso alcance para o triunfo deste Imaculado Coração. Mais ainda, peçamos a graça de nele habitarmos, o qual, segundo S. Luís Maria Grignion de Montfort, foi o Paraíso feito por Deus para Ele próprio habitar!

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Contemplando os selos de Deus na Criação…


Quantos de nós já recorremos aos livros para certificarmo-nos de algum conteúdo, para aprendermos tantos outros, enfim, para mil e uma utilidades… Certamente encontraremos de tudo um pouco. Para assuntos mais complexos talvez tenhamos que recorrer a um número maior de fontes, autores, coleções, etc.
Familiarizados, deste modo, com os livros, com os mais variados meios de pesquisa que o mundo nos oferece atualmente, pode ser que queiramos encontrar nestes mesmos meios uma resposta convincente e completa para todas as nossas dúvidas, julgando esgotar o assunto.
Muito familiarizados com os livros, porém pouco familiarizados à contemplação das coisas que nos cercam e que, entretanto, podem nos conduzir a realidades mais altas, muitas vezes perdemos oportunidades preciosas de responder a nós mesmos questões que as páginas de um livro não poderão responder à saciedade.
Quem é Deus? Uma pequena pergunta, a qual exige para sua resposta nada mais, nada menos, do que todo um universo criado! Sim, um universo, pois este o que nos faz senão falar de seu Criador? Mons. João S. Clá Dias, EP, Fundador dos Arautos do Evangelho, nos dirá: “Toda a Obra da Criação leva o selo de Deus. Tal qual um relojoeiro que produzisse relógios de boa qualidade; todos os relógios sairiam com a marca dele, relojoeiro. E Deus não podia ser diferente. Ao criar todo o universo, colocou o selo d’Ele, Deus, em tudo aquilo que Ele criou. Há um selo de Deus que marca extremamente entre o Pai, o Filho e Espírito Santo.” (Homilia do Domingo da Segunda Semana do Tempo Comum — 14/1/2007).

Animados por essa convicção os arautos do Centro Juvenil foram à busca da contemplação deste “selo de Deus” na Criação indo visitar, neste feriado de Corpus Christi vários pontos históricos e turísticos em algumas regiões do Brasil, a saber: os estados de Minas Gerais…

…e do Rio de Janeiro.

Tanto aos parentes destes jovens aventureiros quanto aos que fielmente acompanham o presente blog tentaremos deixá-los inteirados das atividades destes dias de feriado. Acompanhando pelos meios de pesquisa, mas sem perder o espírito de contemplação…