Na Eucaristia recebemos Nosso Senhor Jesus Cristo mais do que Santa Marta…

Hoje a Igreja celebra a festa de Santa Marta. E é justamente hoje que nós podemos compreender bem qual benefício temos em receber também a Nosso Senhor. Como? Sim, na Sagrada Comunhão! Se paramos para analisar o tamanho desta graça percebemos que Santa Marta teve uma alegria muito grande em receber a Nosso Senhor Jesus Cristo em sua casa em Betânia, porém, nós possuímos alegria incomparavelmente maior em receber a Jesus Sacramentado.

Para termos primeiro em mente qual o regozijo de Santa Marta consideremos o seguinte comentário de Mons. João S. Clá Dias, na comemoração de Santa Marta:

“Marta recebia Nosso Senhor amiúde, muitas vezes. Muitas e muitas vezes Nosso Senhor ía à casa de Marta que ficava em Betânia. Marta tinha herdado essa parte da herança e ela, muito cuidadosa, mulher empreendedora, mulher organizada, mulher bem eficiente, ela tinha deixado a casa na maior ordem possível.

E quando ouviu falar em Nosso Senhor e Lázaro vinha contando o que tinha ouvido de Nosso Senhor, ela mesmo encontrando-se com Nosso Senhor, ela sonhou coma a hipótese de Nosso Senhor ir à casa dela. Mas ela não podia imaginar que ela iria receber Nosso Senhor tantas e tantas vezes.

E sempre que Nosso Senhor queria descansar das fainas apostólicas d’Ele, de todos os cansaços da multidão, das noites em claro em vigília e oração, Ele ia para Betânia para descansar. Dormir em Betânia, que sonho para Santa Marta!”[1]

Certamente nossa atenção, neste dia, se voltará aos episódios clássicos, ou seja, conhecidos acerca da vida de Santa Marta. Todavia, embora os acontecimentos narrados nas Sagradas Escrituras sejam os mais importantes e, sobretudo, que foram inspirados pelo Divino Espírito Santo para que permanecem escritos por todo o sempre, nada impede que imaginemos outras circunstâncias extraordinárias no convívio de Santa Marta com o Divino Hóspede…

Para não fugir muito daquilo que estamos acostumados em nossas vidas, bem poderíamos imaginar a seguinte circunstância: Santa Marta acorda, em determinado dia, aturdida por uma enorme dor de cabeça – o que, aliás, não é difícil ocorrer conosco – ,e vê entrar Santa Maria Madalena, sua irmã, às pressas pela porta, dizendo:

“— Marta! Marta! Depressa, porque Jesus vem vindo para cá! Veio um meninote aqui correndo dizendo: ‘Olha, eu vi Jesus dizendo que vinha para Betânia’. Vamos, depressa, vamos pôr aquela cadeira no lugar, tal coisa assim, assim, estica aquela cortina, porque não sei…

Marta diz:

— Ai, eu estou hoje mal, acho que eu não vou conseguir recebê-Lo com todo o carinho como o de sempre. Ai, bom, enfim vamos…

Ela vai se arrastando, põe aqui, põe lá, acolá. Quando ela ouve:

— Pode-se entrar?

Ah! Some a dor de cabeça, ela fica com uma disposição extraordinária, ela está bem disposta, ela esquece até que tinha sua enxaqueca. Por quê? Porque recebeu no seu ouvido o timbre de voz de Nosso Senhor e ela fica tão fora de si que as lágrimas lhe correm de emoção.”[2]

Será que episódios assim ocorreram na vida de Santa Marta? Só no Céu poderemos comprovar… Gostaríamos de ter semelhante graça? Claro que sim! Porém, para pasmo de todos, recebemos graça ainda maior com a Eucaristia, a qual podemos receber não só em alguns momentos, como Santa Marta, mas todos os dias se quisermos…

“Na Eucaristia o que nós encontramos? É Aquele mesmo Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade Encarnado que não vem em Betânia, não é recebido em nossa casa, nós é que vamos à casa d’Ele. Estamos na casa d’Ele, esta aqui é casa de Nosso Senhor Jesus Cristo [a igreja]. (…) Essa é a casa de Deus.

Ao invés de nós termos uma Betânia para receber Nosso Senhor, Nosso Senhor tem uma Betânia para receber-nos. Então, imaginem que Santa Marta vivesse aqui, lá e acolá, com dificuldades, etc., e Nosso Senhor com um palácio em Betânia e dissesse para ela: “Marta, venha, eu te recebo em meu palácio”. Não é uma situação muito melhor para ela? Sentar-se à mesa com Nosso Senhor Jesus Cristo e Nosso Senhor servir a ela, muito melhor essa situação.

Mais, mais, Marta servia iguarias a Nosso Senhor, compreensível; mas Ele é quem serve para nós iguarias. Que iguarias? O Corpo, Sangue, Alma e Divindade d’Ele. Portanto, nossa situação é superior à de Marta, só que nós não temos os horizontes que tinha Marta, e às vezes, julgamos que era melhor ter vivido na época de Marta e ter sido uma Marta para receber Nosso Senhor. Melhor é ser recebido por Ele e recebê-Lo no nosso interior.”[3]

Reconheçamos a grandiosidade deste benefício, dado por Deus, que é a Comunhão. E tomemos como meta de amor a este Sacramento a medida indicada por São Pedro Julião Eymard, Doutor da piedade eucarística: “A medida de amar a Deus é amá-Lo sem medidas!”

 


[1] Mons. João Scognamiglio Clá Dias, Homilia de 29/07/2008.

[2] Idem

[3] Idem.

Nossa Senhora: A Luz da Fé

Neste Ano da Fé, no qual todos nós somos convidados a crescermos nesta virtude e manifestá-la pelas obras mediante a perseverança, encontramos em Maria Santíssima o augusto exemplo para imitarmos. Ela que, enquanto todos  duvidavam da Ressurreição do Senhor, foi a única “labareda” de fé que brilhou na escuridão dos dias em que o Salvador descera à mansão dos mortos. Acompanhemos, então, algumas considerações acerca desta Fé de Maria, qual Luz que ilumina em meio às trevas… Continue lendo “Nossa Senhora: A Luz da Fé”

“Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará!”: Encerramento da Missão Mariana em São Roque

Durante uma semana estiveram os arautos do Centro Juvenil de São Paulo em missão na cidade de São Roque, como todos puderam acompanhar nos últimos posts. Pois bem, há uma frase que assim se fiz: “O fim coroa a obra.” Ou seja, é precisamente o fim de uma obra que dará a esta todo o brilho que merece, ou desmerecerá o que veio antes. Isto bem se encontra, por exemplo, na consideração da vida dos Santos. Julgar-se-á se uma pessoa foi santa durante sua vida se, de fato, o fim de seus dias condizem com a obra de santidade que desempenhou enquanto vivia. Deste modo, mostramos a todos os espectadores do blog Arautos Granja Viana o fim da Missão Mariana realizada na semana passada, o qual corou de maneira esplêndida todo o apostolado realizado na cidade de São Roque.

O fruto de mais de 400 visitas diárias, durante a semana de missão, se mostrou na procissão e Missa que encerraram a visita da Imagem Peregrina àquela cidade. Centenas de pessoas encheram as imediações da Capela de Nossa Senhora de Fátima. A visita de uma Rainha bem merece uma honrosa saudação e dignos presentes, mas… o que ofereceram os habitantes de São Roque? Aquilo de maior valor que poderiam oferecer. O quê? Seus corações. Seus corações cheios de gratidão à Rainha dos Corações, cheios de fé e esperança na Mãe das Mães, como bem se pode ver nas manifestações de piedade…

Maria Santíssima quando apareceu na Cova da Iria, em Portugal, pediu conversão aos homens e mulheres. Apesar deste maternal pedido, pouco se pôde ver acerca desta mudança de vida… Não obstante, a Santíssima Virgem ainda nesta ocasião predisse tremendos castigos à Humanidade caso esta não ouvisse suas admoestações. Porém, antes de encerrar suas palavras disse: “Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará!” Para o cumprimento destas palavras trabalharam todos os jovens arautos durante a Missão Mariana. Para que o Imaculado Coração de Maria triunfe, antes de mais nada, nos corações de cada um.

Alguém poderia perguntar: deixar triunfar esse Coração é algum benefício? A afirmação tornasse patente ao considerar o que é esse Coração. O Fundador dos Arautos do Evangelho, Mons. João Clá Dias, EP, comenta: “Esse é o Coração que é a Sede de Todas as Graças criadas por Deus. É o tesouro, é o depósito onde Deus despeja todas as graças. […] São Jerônimo chama esse coração, e é muito bonita a expressão dele, chama de: Eco Patris Divini. É um Coração que é um eco do Coração do Divino Pai, do Padre Eterno. Coração que é um Eco, um eco do Coração do Pai Eterno.”(Homilia, 16-06-2007)

Parece pouco? Vejamos o que o próprio Jesus disse acerca deste Coração, quando falava à Santa Matilde: “Vós deveis saudar o Coração Virginal de Maria, minha Mãe como um oceano cheio de graças celestes, e como um tesouro repleto de toda espécie de bens para os homens. Vós deveis saudar ainda, como o mais puro que jamais houve depois do meu. Pois Ela foi a primeira que fez o voto de virgindade. Vós o saudareis como o mais humilde. E Ela mereceu de me conceber nas suas castas entranhas pela virtude do Espírito Santo. Vós o saudareis como o mais devoto e o mais ardoroso dos desejos de minha Encarnação. Como o mais abrasado de amor de Deus e do próximo. Como o mais sábio, o mais paciente, o mais fiel, o mais consumido de toda espécie de virtudes.” (Revelações de Nosso Senhor a Santa Matilde [Meltilde])

Façamos, portanto, tudo que estiver a nosso alcance para o triunfo deste Imaculado Coração. Mais ainda, peçamos a graça de nele habitarmos, o qual, segundo S. Luís Maria Grignion de Montfort, foi o Paraíso feito por Deus para Ele próprio habitar!

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